 UM ALÔ, UM CLICK, UMA CENA: O PODER DO TELEFONE
LONA CULTURAL PROMOVE OFICINA DE PRODUÇÃO DE FILMES EM CELULAR
Texto: Hélio Euclides
Quem tem um celular, no mínimo está sempre acessível para se comunicar, principalmente quando se tem crédito. Contudo, fazer e receber ligação deixou de ser há muito tempo a única função do celular. Com ele, pode-se ouvir músicas, verificar e-mail, acessar a internet, jogar, tirar fotos, e também fazer vídeos. E foi para potencializar essas função e transformá-las em instrumento de expressão, que nasceu a ideia da Oficina de Produção de Filmes em Celular, patrocinada pela Lona Cultural Municipal Herbert Vianna, administrada pela Redes de Desenvolvimento da Maré/REDES, ministrada pela organização social Cinema Nosso.
A oficina, que tinha como objetivo principal fomentar o interesse pela linguagem audiovisual, produzindo filmes cujas temáticas são diversidade, cultura, cidadania, urbano/cidade, juventude, futuro, tecnologia, meio ambiente, família e amizade, foi realizada do dia 08 a 12 de fevereiro, para duas turmas. As turmas, formadas basicamente por adolescentes e jovens, produziram três micrometragens, filmes de até três minutos, que fizeram parte da mostra Cinema no Morro, um evento que compõe o Projeto Verão do Morro, realizado no Morro da Urca. As produções da Maré, Origens, Maré Complexo de Culturas e Feliz Modernidade, foram apresentadas logo na abertura do evento, na noite de 19 de fevereiro. “Os filmes são muito bons, vão fazer muito sucesso. E essa troca, vai possibilitar o surgimento de novos cineastas. Não importa o local, o que vale é mostrar o olhar desses jovens sobre a cidade”, comentou a produtora cultural da Inffinito, Cláudia Dutra.
Para os alunos, participar do evento Verão no Morro, que reúne pessoas de diversos espaços da cidade, foi muito interessante. E ver suas produções serem apresentadas no mesmo espaço em que aconteceu a pré-estréia do filme Cabeça a Prêmio, do diretor Marco Ricca e o show de Marcelo D2 valorizou o trabalho realizado na oficina. “A visão que tinha do celular era que ele servia apenas para receber ligação. Achava absurdo comprar um aparelho por 600 reais, e não imaginava que podia gerar filmes por ele. Descobri que o celular pode fazer mil coisas, isso aumentou a visão de mundo. Agora tenho outra perspectiva do uso do celular, ele pode atingir usos inimagináveis”, declarou a aluna Irene Euroleane, de 38 anos. O aluno Carlos Costa Dias Junior, de 19 anos, que editou a cena de futebol dos filmes, viu na oficina uma porta que se abre. “Uma oportunidade para jovens da Maré que deveria acontecer mais vezes. É uma ferramenta que contribui para o jovem ter mais estímulo para a educação. A comunidade é muito mal vista pelo povo de fora, e as pessoas não sabem o que verdadeiramente tem aqui. Com esses filmes podemos mostrar nosso ponto de vista”, disse. No festival, computadores mostravam as micrometragens produzidas por moradores da Maré e os participantes do evento podiam opinar sobre a qualidade do trabalho, o que emocionou os alunos. “Comecei na oficina por curiosidade, e agora me sinto orgulhoso com o filme, não sei nem como explicar esse momento”, relatou o aluno Carlos Henrique, de 15 anos.
Os organizadores da oficina gostaram do resultado. “Apesar de ter sido realiza em apenas uma semana, os filmes das oficinas ficaram excelentes. Quem fez a oficina descobriu uma tecnologia que pode carregar no bolso”, explicou o coordenador da Lona Cultural Herbert Vianna, Alberto Aleixo, de 41 anos. Ele destacou a qualidade dos instrutores e professores que ministraram a oficina e a seriedade dos alunos matriculados. “A oficina tinha o compromisso de fazer um filme, e o grupo da manhã fez dois, e tinha material para mais. Mostraram um resultado com começo, meio e fim. Espero agora a continuidade desse grupo”, conclui. |