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Gordon Matta-Clark

         A ARTE QUE SE APRENDE FAZENDO

por: Rosilene Ricardo
foto: divulgação


Alunos de pintura em azulejo da REDES ajudam na construção do muro do artista Matta-Clark

 

Sustentabilidade, colapso de políticas habitacionais, um olhar crítico sobre o exercício da arquitetura. Esses são temas presentes em muitos dos debates envolvendo o crescimento desordenado e excludente das grandes cidades. Entretanto, já na década de 1970, o artista plástico Gordon Matta-Clark trazia à atenção da sociedade americana temas e idéias que se tornariam fundamentais quando se falasse de política pública hoje.

Autor de uma obra ímpar, Matta-Clark, como muitos de seus contemporâneos, realizou grande parte de seus trabalhos fora dos limites dos museus e galerias. Eram intervenções na paisagem urbana e performances que foram gravadas e fotografadas. Tendo como eixo a (des)humanização do mundo moderno, o artista fazia intervenções em construções escolhidas, fazendo cortes, criando aberturas e buracos em construções.  

Na década de 70 ele foi convidado para fazer uma intervenção no Brooklyn, na cidade de Nova York, onde viu uma quantidade imensa de lixo espalhado e teve a ideia de criar uma obra chamada Garbage Wall - Muro de Lixo, incentivando a reciclagem de lixo plástico para construção de casas. “Seu sonho, era que as pessoas construíssem as casas dessa maneira, o que não foi possível. No entanto, ficou a ideia da reciclagem de 40 anos atrás e do destino que damos ao nosso lixo,” disse a arquiteta Laura Taves.

Assim, para compreender o seu trabalho é importante conhecer o contexto em que estava inserido. Muito impactado pelos terríveis efeitos econômicos da crise que atingiu Nova York na época, Matta-Clark quis criar um trabalho que chamasse a atenção e falasse de assuntos importantes como o crescente número de sem-tetos, as faltas e os erros da arquitetura moderna que, entre outras coisas, produzia conjuntos habitacionais mal feitos que contribuíam para segregar as pessoas e para criar guetos de violência e pobreza.


A arquiteta e professora de pintura em azulejo, Laura Taves, foi a articuladora entre a REDES - Programa Criança Petrobras e a exposição do artista no Paço Imperial, centro do Rio. O trabalho de mobilização envolveu uma campanha de coleta de lixo na REDES, com os alunos e moradores e a participação de um grupo de alunos da professora na montagem do muro que está atualmente no pátio principal do museu. “Depois levamos várias turmas para visitar a exposição, foi muito bom e importante para a formação deles”, disse Laura a respeito das discussões nascidas a partir da obra do artista e de suas idéias.

            A viúva do artista americano e detentora de seu espólio Jane Crawford, disse que hoje, com os problemas que as grandes cidades têm, Matta-Clark com certeza se interessaria pelas favelas. Ela nos contou que essa foi a segunda vez que fez esse tipo de trabalho com crianças. A primeira vez foi com alunos de uma escola no Chile – Santiago.  “Mas considero esse trabalho muito especial, pois estou trabalhando com crianças da favela”, conclui.

            A experiência também foi aprovada pelos alunos. “Antes eu não entendia o que era arte. Antigamente, se passasse em frente a um muro como esse, eu faria a mesma pergunta que o visitante fez agora: ‘O que é isso?’ Hoje consigo perceber e sentir de fato o que é arte”. Essa afirmação é da aluna da turma de desenho do Programa Criança Petrobras, Gabriele Simas, 13 anos, que também participou da elaboração do muro para compor a exposição do artista plástico, Gordon Matta-Clark.

            Quem quiser conferir o trabalho, a exposição está no Paço Imperial, localizado na Praça Quinze, n°48 – Centro do Rio de Janeiro e ficará até o dia 25 de julho.

 

 

 

 

 

 

 

 


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