EQUIPAMENTO


Fruto de três anos de pesquisa e intervenção junto com as cenas de uso de crack e outras drogas localizadas na Flávia Farnese e na Avenida Brasil, a Redes da Maré inaugurou, em maio de 2018, o primeiro espaço de referência sobre drogas e saúde mental em um território de favela. O principal objetivo é pautar uma agenda positiva sobre práticas de redução de danos e políticas de cuidado a pessoas que usam crack, álcool e outras drogas, a partir da convivência e da articulação de uma ampla rede de cuidado no território, estimulando a criação de vínculos, diálogos, acolhimento, promoção do autocuidado e acompanhamento sócio-jurídico. 

 

 

O Espaço Normal articula cinco frentes de atuação:

 

(1) criação de alternativas para pessoas com uso prejudicial de drogas e familiares;

 

(2) articulação institucional e territorial para construção de uma agenda local de redução de danos;

 

(3) sensibilização e produção de conhecimento sobre práticas de redução de danos em contextos de violência;

 

 

(4) Promoção do autocuidado e de apoio em saúde mental, acolhimento e acompanhamento sócio-jurídico;

 

(5) Criação e renovação de vínculos com a família, amigos e o território.



Por que o espaço se chama Normal?

 

Carlos Roberto Nogueira, também conhecido como “Nem” e “Normal”, foi uma liderança local da cena de consumo e moradia da Rua Flávia Farnese, na Maré. Desde o início do projeto da Redes na área, em 2015, Normal ajudou a equipe a construir vínculos com a cena e a consolidar sua atuação naquele espaço. Carismático, talentoso e extrovertido, Normal foi um exemplo concreto das complexidades, desejos e potências que atravessam as trajetórias das pessoas que estão em situação de rua.


Em janeiro de 2018, enquanto o Espaço era preparado para ser inaugurado, Normal morreu vítima de bala perdida na cena da rua Flávia Farnese. Ele tinha 32 anos.

O nome do Espaço Normal se deu, então, como homenagem a Carlos e todas as pessoas que, como ele, tiveram e têm suas vidas marcadas pela violência produzida pela guerra às drogas. O nome Normal também pretende reivindicar novos olhares sobre pessoas que usam drogas e/ou que estão em situação de rua, servindo como lembrete constante do direito a ser “diferente” combinado ao desejo das pessoas que são sistematicamente estigmatizadas pela sociedade de serem vistas como "normais”.

O Espaço Normal na Pandemia


Em 2020, como ocorreu a todos os setores da sociedade, a pandemia afetou o Espaço Normal. Para começar, não foi mais possível atender nosso público no Espaço, para diminuir os riscos de contágio. Isso configurou um grande risco de rompimento de vínculo com pessoas em situação de rua ou nas cenas de consumo próximas à Maré. Para contornar o problema, nossa equipe foi a campo para manter e ampliar o acolhimento, promovendo o autocuidado e práticas de saúde como ferramentas para mitigar os efeitos do vírus.

Não foi surpresa que a reboque da pandemia, a pobreza aumentou exponencialmente. Isso é ainda mais cruel com uma população que já vivia em extrema vulnerabilidade, passando as necessidades mais básicas. A entrega de quentinhas e manutenção da segurança alimentar para essas pessoas foi o grande destaque do trabalho do Espaço Normal nesse período de crise. Em parceria com a Casa das Mulheres da Maré, que fornecia a comida, entregamos 300 refeições prontas todos os dias para pessoas em situação de rua e/ou extrema vulnerabilidade e nas cenas de consumo. Já foram mais de 65 mil entregas, e a missão continua!

ARTIGO | Espaço Normal comemora um ano da inauguração de centro de convivência

Por Andréa Blum, da Redes da Maré


Projeto referência de redução de danos dentro do território de favela apresenta trabalho em conferência internacional em Porto e consolida, no seu 5º ano de existência, metodologia e resultados

Rio de Janeiro, 07 de maio de 2019. No Dia Internacional da Redução de Danos, o Espaço Normal, projeto desenvolvido pela Redes da Maré, espaço de referência sobre drogas, comemora um ano da inauguração do seu centro de convivência, criado como uma das frentes do projeto que dá nome à casa, de desenvolvimento de uma metodologia de trabalho com populações em território de favela que usam drogas, muitas em situação de rua – que já alcança o quinto ano de atuação.
 

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Equipe


Coordenação do Espaço Normal: Luna Arouca
Coordenação da convivência: Elivanda Souza
Redutores de danos: André Galdino, David Alves, Paulo Ricardo Azevedo e Lilian Leonel
Assistente social: Laís Araújo
Advogada: Lucilene Gomes
Psicóloga: Maíra Germano

Tecedores idealizadores do projeto: Henrique Gomes, Lidiane Malanquini e Maïra Gabriel Anhorn

 

Parceiro apoiador

Open Society Foundations

 

Parceiros institucionais e locais

Associação de Moradores do Parque Maré
Núcleo Interdisciplinar de Ações para Cidadania (NIAC/UFRJ)
Centro de Estudos sobre Segurança e Cidadania (CESeC)
CAPSad III Miriam Makeba
SMASDH/CASDH
SMASDH/4ª CDS

Consultório na Rua Manguinhos
CREAS Nelson Carneiro
CRAF Tom Jobim
Hotel Solidário Profeta Gentileza
Clinica da Família Jeremias Moraes da Silva
NASF
CNDDH – Conselho Nacional de Defesa dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua e dos catadores de Materiais Recicláveis / RJ
Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro 
Defensoria Pública da União
Escola Estadual Professor Joao Borges
Escola Municipal Bahia
Programa Crack, Álcool e outras drogas - Fiocruz
Plataforma Brasileira de Política de Drogas – PBPD
Defensoria Publica do Estado do RJ (NUPEM E NUDEDH)
Cineminha na Cena: Bhega Silva – Cineminha no Beco
Escola Estadual Professor Joao Borges
Escola Municipal Bahia
Movimentos - Drogas, juventude e favela
Programa Crack, Álcool e outras drogas - Fiocruz
Plataforma Brasileira de Política de Drogas – PBPD
Defensoria Publica do Estado do RJ (NUPEM E NUDEDH)
Cineminha na Cena: Bhega Silva – Cineminha no Beco

Horário de atendimento:

Espaço de convivência: de segunda a sexta, das 14h às 18h
Atendimento sociojurídico: quartas e sextas, das 14h às 18h

* Durante a pandemia, o horário pode sofrer alteracões, a depender do nível de contágio. Para tirar dúvidas, escreva para espaconormal@redesdamare.org.br ou mande uma mensagem para nosso WhatsApp: (21) 96780-4614

 

Endereço

Rua das Rosas, 54 – Nova Holanda
Telefone: 21 3105-4767
 

Publicações

 


Meu nome não é cracudo  

Em 2015 a Redes da Maré desenvolveu um processo de aproximação à cena aberta de consumo de drogas da rua Flávia Farnese, na Maré, atípica no Rio de Janeiro por sua estabilidade geográfica e demográfica. Combinando observação participante, criação de vínculos, intervenção, articulação institucional e entrevistas semiabertas com 59 dos cerca de 80 moradores da cena, buscou-se traçar o perfil e identificar as demandas dos moradores, entender as dinâmicas incidentes no espaço que ocupam e mapear as políticas de atendimento que ali atuam. Ponto de convergência de problemas sociais urbanos e contexto marcado por diversas violências, discriminações e trajetórias de marginalização, o estudo da “cracolândia” revela a urgente necessidade de políticas públicas integradas, capazes, inclusive, de ampliar as práticas de redução de danos para além das relacionadas diretamente ao uso de drogas. Revela também a importância da mediação de uma organização da sociedade civil integrada no território para articular demanda e oferta de políticas públicas, e facilitar a formulação de estratégias sustentáveis de atendimento aos usuários de drogas em situação de rua.


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É preciso estar atendo e forte  

Esta Coletânea, fruto de um esforço coletivo, reúne as produções de diferentes pesquisas e pesquisadores vinculados ao Núcleo de Pesquisa sobre Políticas de Prevenção da Violência, Acesso à Justiça e Educação em Direitos Humanos (NUPPVAJ), ligado ao Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ela foi possível graças ao apoio do CNPq1 ao Projeto de pesquisa2 “Políticas intersetoriais de Prevenção à Violência Urbana junto às populações em situação de rua”, no período de outubro de 2013 a outubro de 2017. Seu eixo condutor são um olhar que evita projeções etnocêntricas e uma escuta que se abre para as demandas das populações em situação de rua por reconhecimento, afrmação e efetivação dos direitos de cidadania.


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PRINCIPAIS REALIZAÇÕES

2021
As ações emergenciais realizadas ao longo de 2020 geraram uma demanda cada vez maior do público do Espaço Normal, em especial a população em situação de rua. Todas as adaptações feitas em 2020 para atender às necessidades básicas e urgentes surgidas no período pandêmico continuaram em 2021. Entretanto, perante o aumento das demandas e a urgência de acompanhamentos mais qualitativos, além do pedido de grande parte dos frequentadores que consideram o Espaço Normal sua referência no território, a equipe decidiu reabrir parcialmente seu espaço físico respeitando todos os protocolos de segurança. Dessa forma, a distribuição de refeições e lanches voltaram a ser realizadas na própria casa, igualmente como os atendimentos.. Da mesma forma, as parcerias do Espaço Normal solidificaram-se, principalmente durante a pandemia, o que gerou um alcance de pessoas assistidas não só pelo projeto, mas também pelos equipamentos públicos parceiros. A equipe além de manter suas formações internas também realizou formações externas com instituições públicas e privadas, profissionais da área da saúde e tecedores da Redes da Maré sobre o trabalho realizado durante esse período.
2020
Diante da chegada da pandemia em março de 2020, a Redes avaliou que não seria possível manter a rotina das atividades com o público. Entretanto, também entendeu que era de extrema importância a sua presença no território, uma vez que a maior parte de seu público era composto por pessoas em situação de rua e suscetíveis a maiores instabilidades geradas pelas grandes contradições socioeconômicas da sociedade brasileira. É nesse contexto emergencial que a equipe do Espaço Normal permaneceu com a sua atuação mais focada em atenuar os impactos gerados pelo vírus, através do suporte na segurança alimentar e promoção do autocuidado junto ao acesso à higiene básica. É sob esse cenário que a equipe, em parceria com a Casa das Mulheres, distribuiu ao longo do ano 300 refeições diárias nas cenas de uso na Maré e entorno da Avenida Brasil. Aliado à isso, a equipe manteve acompanhamentos diários na cenas de uso para informar, tirar dúvidas e prestar assistência básica como a distribuição de utensílios de higiene básica a fim de diminuir as possibilidades de contágio, ao mesmo passo que ampliava a atuação através do Atenda e sua rede de parceiros da saúde básica e assistência social. No mesmo período, a equipe continuou acompanhando o público junto às consultas nas unidades de saúde ( Clínica de Saúde da Família e Centro de Atenção Psicossocial) e no processo de retirada de documentação. Embora tenha sido um ano difícil, 2020 proporcionou o ingresso de alguns frequentadores no quadro de tecedores da Redes, o que para todos da equipe foi uma das maiores vitórias desse ano.
2019
Em 2019, o Espaço Normal ampliou as frentes de atuação tanto internamente quanto externamente no território do Complexo da Maré. No plano interno a convivência, que visa o fortalecimento de vínculos , realizada diariamente na casa recebeu em média 60 pessoas por dia. Além disso, atividades como a Roda dos Normais, que tinha como objetivo desenvolver espaços de escuta e reflexão coletiva entre os frequentadores e a equipe, consolidaram-se na rotina da casa. Outra frente importante foram os atendimentos sociojurídicos, também realizados diariamente, os quais têm como propósito acolher e encaminhar as demandas dos frequentadores. Em relação ao plano externo, o Entrebicos, que tem como meta criar alternativas de geração de renda ao público do Espaço Normal, aumentou as possibilidades de bicos no território através da consolidação de parcerias com atores institucionais e comerciantes locais. Ao mesmo tempo, o Entre fluxo implementou atividades focadas em aumentar o lazer e a cultura por meio do acesso à cidade, tanto no território do Complexo da Maré quanto em outras áreas do município. Soma-se a isso, o Diálogos - que tem como alvo o debate das questões relacionadas às drogas e o território junto a moradores, parceiros institucionais e frequentadores do Espaço Normal - em 2019 teve como público alvo alunos do Ensino Médio da rede pública. Uma conquista importante ao longo de 2019 foi o fortalecimento e o incremento de parcerias no território em que o Atenda, que objetiva garantir o acesso à serviços básicos aos moradores das cenas de consumo no entorno da Avenida Brasil, mobilizou ações semanais junto a equipamentos públicos da área da saúde e assistência social.
2018
•Inauguração do Espaço de convivência no Espaço Normal (maio de 2018) que funciona de portas abertas e oferece banho, cozinha, roupas, roda de conversa e encontros coletivos, atendimento sociojurídico; • Diálogos sobre Drogas em parceria com o Movimentos
2017
“Isto não é um banheiro: o que a construção participativa de um banheiro em uma cena aberta de crack revela sobre práticas de redução de danos no Rio de Janeiro?” (2017); “E preciso estar atendo e forte – contribuições para o cuidado a usuários de crack, álcool e outras drogas a partir da cena da Rua Flávia Farnese 500, Maré, Rio de Janeiro” (2017); Vídeo documentário sobre o Normal, quem deu o nome ao espaço (2017);• Articulação territorial a partir da criação Fórum de Atenção e Cuidado a pessoas que usam Álcool e outras Drogas na Maré, que reúne mensalmente profissionais de saúde, assistência social e representantes de outras instituições que atuam na Maré. A iniciativa deu origem, em junho de 2017, ao Atenda, polo de atenção integrada na Avenida Brasil; criação do Fórum territorial Politicas de drogas, Saúde e Violência que reúne atores e instituições da Maré, Manguinhos, Jacarezinho e Complexo do Alemão;• Construção de um banheiro na cena da Flavia Farnese 500, junto com os moradores locais, numa perspectiva de redução de danos;
2016
• Diagnóstico social dos usuários de drogas da Flávia Farnese a partir de 60 entrevistas, que deram origem ao artigo “Meu nome não é Cracudo” (2016);• Pesquisa e produção de conhecimento: publicação de 03 artigos : “Meu nome não é Cracudo” (2016); “Meu nome não é Cracudo” (2016);• Atividades culturais para os moradores da Flávia Farnese, tais como Cineminha na Cena com projeção de filmes, além de encontros fotográficos que resultaram na exposição Anotações de uma aproximação (2015) e a intervenção com fotografias lambe-lambe “Você me vê quando me olha, na Avenida Brasil (2016);

Mais fotos do Espaço Normal

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