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TESTEMUNHOS DE DENTRO • 9

Rio de Janeiro, 28 de maio de 2024

A décima quinta operação policial na Maré será lembrada como mais um capítulo doloroso na vida de tantos moradores e moradoras que lutam diariamente para sobreviver à política de segurança pública no conjunto de favelas.

Entre esses moradores, estava mais um Silva. Ele, felizmente, sobreviveu e seguirá a sua caminhada, mas com uma marca irreparável: sua casa foi invadida por agentes do Estado e ele foi submetido a violência física e psicológica.

Por volta das 5h, do dia 27 de maio de 2024, um trabalhador saía de sua casa para mais um dia de trabalho quando se deparou com uma operação policial. O pavor tomou conta do seu corpo quando os tiros começaram. Na tentativa de se proteger da linha de tiro, pulou de sua moto e foi para casa. O pesadelo, entretanto, estava só começando. Poucos minutos depois, ele foi agredido por policiais dentro da sua própria casa.

Para além das marcas visíveis após a agressão sofrida, as cicatrizes mais profundas não eram aquelas que ficam aparentes sobre a pele. Há um tipo de violência que é mais interna e profunda, mas tão danosa quanto. São feridas emocionais e psicológicas que deixam marcas subjetivas que transformam a vida e roubam a sensação de segurança no lugar em que deveria ser o seu porto seguro: seu lar.

Silva, como tantos outros, precisou voltar a sua rotina, carregado de emoções, de um aperto no peito, de um medo constante. E se acontecer de novo? Agora carrega não só o peso do trabalho diário, mas também o fardo de uma violência que parece não ter fim.

É imprescindível que não vejamos apenas o que os olhos são capazes de captar, mas também a dimensão do que se sente, do que fica e não se apaga. As operações policiais na Maré, como em qualquer parte da cidade, precisam respeitar a dignidade e segurança dos moradores e moradoras. A história de Silva não pode ser apenas mais uma.

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