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Somos da Maré e Temos Direitos: Operação Policial em favelas da Maré impossibilita o acesso à educação, à saúde, ao comércio e a projetos sociais na região

Os moradores da Nova Holanda, Parque União e Parque Maré são, mais uma vez, impactados em seu cotidiano pelo clima de insegurança que se formou a partir da 19ª operação policial de 2024, que começou logo cedo.Tiroteios e explosões de bombas causaram pânico e terror na região, impedindo trabalhadores de saírem para seus compromissos e crianças e adolescentes de irem à escola, violando direitos fundamentais dessa população.

Até o momento, recebemos informações de que a rede pública de ensino tem 24 escolas fechadas, sendo 22 municipais e 2 estaduais, afetando a rotina de mais de 8 mil estudantes e profissionais da educação. O conjunto de 15 favelas da Maré tem 50 unidades escolares, tendo quase a metade sido impactada pela forma como a operação policial está ocorrendo. As unidades de Saúde também tiveram de interromper suas atividades, seja total ou parcialmente,suspendendo as visitas domiciliares e outros serviços oferecidos pelas Clínicas da Família. O comércio local também precisou fechar suas portas, devido aos intensos tiroteios e os projetos sociais não puderam realizar suas atividades.

Um disparate pensar que esse tipo de ação aconteça a partir de uma lógica belicista que não respeita os direitos mais básicos dos moradores das favelas da Maré e o mais grave é à recorrência desse tipo de atuação das polícias, com fatos gravíssimos que acontecem, sem nenhuma avaliação e consideração sobre os efeitos na vida dos 140 mil moradores da região. A Assessoria de Imprensa da Polícia Civil informa que a ação tem como objetivo cumprir 16 mandados de prisão, oito mandados de busca e apreensão, com enfoque nas favelas do Parque União e Nova Holanda. Sendo esta a razão, nos indagamos até quando, contudo, os cidadãos das favelas da Maré e moradores de outras favelas terão os mesmos direitos que o restante da população carioca num momento de enfrentamento de atividades ilícitas e criminosas?

Os danos coletivos causados a cada operação não se encerram ao fim da ação, ao contrário, os impactos perseguem de modo contínuo e profundo na vida e na saúde mental dos moradores das favelas da Maré. Precisamos pensar nos efeitos e na reparação que precisa acontecer para nós moradores de favelas.

São 19 operações em apenas 6 meses, o que significa quase uma operação por semana. Qual a efetividade e resultados desta aposta de uma política de enfrentamento ao longo de todos esses anos? Estamos aqui para lembrar que Somos da Maré e Temos Direitos.

 

Entenda os impactos das intervenções policiais na Maré (Se o Estado perder o controle, o que vai restar?) leia AQUI

 

Redes da Maré

Rio de Janeiro, 03 de julho de 2024

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