Com a intenção de efetivar mudanças significativas na agenda das políticas públicas, a 1ª Conferência da Primeira Infância da Maré acontece nesta sexta-feira (28) no território. Para construir um plano de ações estratégicas voltado para as crianças de 0 a 6 anos do Conjunto de Favelas da Maré, de modo participativo entre organizações da sociedade civil, representantes governamentais e a população. Na ocasião, será apresentada a pesquisa “Primeira Infância na Maré: acesso a direitos e práticas de cuidado”, que traz dados de 2020 a 2022 sobre as quase 15 mil crianças dessa faixa etária que vivem na Maré. Mais de 2 mil famílias participaram das entrevistas.
O diagnóstico traz informações relevantes sobre os direitos básicos negligenciados nessa fase da vida e que atravessam diretamente o desenvolvimento infantil. O mapeamento aponta, por exemplo, que o acesso à assistência social e a vaga em creche ainda são grandes dificuldades: 57,4% dos participantes da pesquisa não recebem nenhum benefício; e 6 em cada 10 crianças de 0 a 3 anos estão fora da creche, a maioria, por falta de vagas. Para Alessandra Pinheiro, coordenadora do Eixo de Educação da Redes da Maré, esse cenário merece atenção urgente. “A gente está falando de uma rede com 21 unidades que atendem a educação infantil e que são insuficientes. Os dados oficiais do ano passado, por exemplo, já mostraram que quase duas mil crianças estavam na fila de espera para vaga”, explica.
A situação da habitação também mereceu atenção: 42,2% das famílias moram em casas alugadas e 8,6% moram de favor ou por ocupação/posse da residência; e 44,7% informaram que em dias de chuva a sua rua fica alagada.
Na área de saúde, a pesquisa mostra uma prevalência da maternidade solo, indicando que 36,1% das mães levaram toda a gestação e nascimento do filho sem apoio do pai. Outro dado alarmante diz respeito aos partos prematuros: a taxa é 6 vezes maior que a nacional e 5 vezes maior que a da cidade e do estado do Rio de Janeiro.
As operações policiais e os impactos para as crianças dessa faixa etária também foi um tema explorado: 88% das crianças tem como principal espaço de lazer a própria casa e, a maioria dos responsáveis, justificou que a quebra de rotina e o medo gerado por operações policiais é um fator para que os filhos fiquem dentro de casa e não brinquem nas ruas; 39,6% das famílias que responderam a pesquisa informaram que a criança sob sua responsabilidade já viu alguma situação de violência.
O evento apresentará também algumas discussões e sugestões coletadas nas três pré-conferências realizadas no mês de junho em cada uma das três áreas da Maré. São elas: Área 1 (Conjunto Esperança, Salsa e Merengue, Vila do João, Vila dos Pinheiros e Conjunto dos Pinheiros), Aréa 2 (Bento Ribeiro Dantas, Morro do Timbau, Baixa do Sapateiro e Nova Maré) e Área 3 (Nova Holanda, Parque Maré, Parque Rubens Vaz e Parque União). Na programação, grupos de trabalho debaterão as temáticas e votarão em propostas que irão compor o Plano da Primeira Infância da Maré.
Serviço:
1ª Conferência da Primeira Infância da Maré
28/7/2024 (sexta-feira), das 9h30 às 17h
Areninha Cultural Herbert Vianna
Rua Evanildo Alves, s/n - Maré
Confira a programação completa:
1ª CONFERÊNCIA PRIMEIRA INFÂNCIA DA MARÉ
9h30 - Coffee Break e Credenciamento;
10h15 - Abertura com Eliana Sousa Silva, fundadora da Redes da Maré, e apresentação inicial com a presença de autoridades, lideranças locais, mães e rede local;
11h - Apresentação da proposta da conferência;
11h30 - Apresentação das famílias sobre as propostas das Pré-Conferências;
12h30 - Pausa para almoço.
13h30 - Credenciamento da tarde;
14h - Apresentação do Comitê Científico da Primeira Infância;
14h30 - Divisão dos grupos de trabalho e eixos;
15h45 - Apresentação das propostas;
16h - Votação e validação das propostas;
16h30 - Apresentação cultural.
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