return
Será que a Arte e a Cultura na Maré sofrem com o impacto da violência armada?

Eixo Arte, Cultura, Memórias e Identidades

Em um território composto por 15 favelas, com mais de 140 mil habitantes, quase se equiparando a um município de pequeno ou médio porte, com uma efervescência artística e cultural imensa e pulsante, há somente dois equipamentos públicos de cultura em toda região.

Estes dois equipamentos estão localizados exatamente no mesmo espaço, dividindo o mesmo terreno: a Areninha Cultural Herbert Vianna e a Biblioteca Jorge Amado. Para além disso, o que temos são manifestações artísticas independentes e organizações da sociedade civil que fomentam espaços voltados para a difusão da arte e da cultura, como o Centro de Artes da Maré, o Galpão Bela Maré, o Museu da Maré, entre outros. Essas instituições se mobilizam exatamente porque reconhecem a potência do território e compreendem que a arte e a cultura são direitos básicos que precisam ter sua garantia efetivada.

Na Maré, se produz arte e cultura em todo o território e em toda sua pluralidade. E é inegável que a violência armada atravessa negativamente a vida dos moradores e dos fazedores de cultura nesse sentido. Além do fechamento dos espaços públicos e da sociedade civil, interrompendo uma programação de aulas, oficinas e eventos, a violência armada impacta diretamente nas identidades e práticas culturais dos que moram no território.

São observados discursos estereotipados no sentido de criminalização dos moradores, práticas de sociabilidade - essenciais para a formação e fruição cultural - são bruscamente interrompidas, processos artísticos não podem ser realizados, memórias traumáticas são imputadas na subjetividade dos que passam direta ou indiretamente pelas violências e violações, entre outros impactos. Para além disso, cabe observar que a arte e a cultura são essenciais para a formação política dos cidadãos. São elas que contribuem para o desenvolvimento de um senso crítico, essencial para o desenvolvimento social, especialmente em momentos como o que estamos vivendo - véspera de processos eleitorais.

Retirar dos moradores da Maré a possibilidade de usufruir plenamente de espaços de arte e cultura, interromper seus processos artísticos e reforçar memórias e identidades estereotipados é retroceder politicamente enquanto sociedade brasileira.

Stay tuned! Sign up for our newsletter