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Outros dados que comprovam a necessidade da manutenção da ADPF 635:
Dados levantados pela Redes da Maré mostram uma redução de 64% da letalidade policial entre 2022 e 2023 no território, mesmo com o aumento no número de operações. Já o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em seu último relatório, mostra que entre 2003 - 17 anos antes de a ADPF começar a ser discutida - e 2023, as polícias do Rio de Janeiro foram responsáveis pela morte de mais de 21 mil pessoas no estado. Ou seja, mais de mil mortes por ano ou, ainda, 2,9 mortes por dia.
O levantamento aponta ainda que, após a ADPF, houve redução da letalidade policial de 11,3 para 5,4 por 100 mil habitantes em apenas quatro anos. Ou seja, as mortes ocasionadas em operações policiais no Rio de Janeiro caíram de 1.814 em 2019 para 699 em 2024 - uma diminuição de mais de 61,5%.
O que é a ADPF das Favelas?
ADPF é a sigla para Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental que é um instrumento jurídico que permite ao Supremo Tribunal Federal (STF) atuar como guardião da ordem constitucional. Este dispositivo é usado quando há desrespeito aos direitos fundamentais previstos na Constituição.
Em 2016, diante do cenário de alta letalidade e operações muito violentas na Maré, conjunto de favelas onde vivem mais de 140 mil pessoas, uma Ação Civil Pública (ACP) foi proposta pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, em parceria com a Redes da Maré, e aceita pelo TJRJ. Esta foi a primeira ação coletiva que versa sobre segurança pública para favelas e periferias no Brasil. Entre 2017 e 2018, houve a redução de 25% de letalidade policial na Maré.
Inspirada na ACP da Maré, diferentes órgãos, instituições e organizações se mobilizaram para apresentar a ADPF 635, ou ADPF das Favelas, com o objetivo de garantir os direitos previstos na Constituição nos territórios de favela. A ADPF 635 busca estabelecer regras e protocolos claros para a segurança pública nas favelas, visando reduzir as mortes e as violações de direitos humanos durante as operações policiais.
De acordo com o relatório do Boletim, apesar das medidas cautelares adotadas desde 2020, como a exigência do uso de câmeras, a presença de ambulâncias e o monitoramento das operações, a realidade observada em 2024 ainda aponta para sérios descumprimentos dessas normas, o que reforça a necessidade da manutenção e cumprimento da ação.
O que prevê a ADPF das Favelas?
Além do uso de câmeras com dispositivo de gravação de áudio e presença de ambulâncias e socorristas durante operações policiais, a ADPF das Favelas prevê o respeito ao perímetro escolar, restrição do uso de helicópteros como plataforma de tiros, obrigatoriedade da realização de perícias em casos de morte, adoção de um plano para redução da letalidade policial, com metas e o fortalecimento de políticas públicas de segurança, com ações preventivas e não apenas repressivas, entre outras.
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