Projeto completa seus dois anos de atuação marcado pela participação dos moradores e apresentação de protótipos de soluções climáticas
As mudanças climáticas, o aquecimento global e o aumento de gases de efeito estufa na atmosfera são realidades do nosso século que angustiam a população mundial. E na Maré não é diferente, daí a importância da existência de um projeto inovador que atuou durante dois anos no território para chamar a atenção para as questões climáticas na favela e construir protótipos como soluções climáticas. Fruto de uma parceria da Redes da Maré com a Petrobrás, o EcoClima entendeu as necessidades da população do Conjunto de 15 Favelas da Maré e pensou em soluções de baixo custo e replicáveis para outras regiões de favelas e periferias, com o objetivo de combater a injustiça climática, que afetam de forma mais contundente territórios periféricos.
Na manhã do dia 16 de abril, um evento na Areninha Cultural Herbert Vianna, na Nova Maré, apresentou o resultado de dois anos de trabalho do projeto EcoClima, com apresentação de três protótipos de soluções climáticas e os resultados alcançados. No evento ainda ocorreu o lançamento de publicações de pesquisas e manuais que servem de base para a aplicação do projeto em grande escala, como o Plano de Ação de Mitigação de Impactos das Mudanças Climáticas, o Guia sobre Educação Ambiental, Economia Circular e Mudanças Climáticas em Contexto de Favelas e Material Didático com Estratégias para Mobilização Comunitária.

Foto: @patrickmarinho
Um dos pontos do projeto é a mobilização e o engajamento de moradores na busca por um espaço de debate e escuta, para a transformação territorial. Rian de Queiroz Cunha, coordenador geral do projeto, enfatiza que o EcoClima não trabalhou só o verde, mas mostrou o morador como protagonista. Ele também destaca a importância da formação de 20 agentes climáticos e quatro mobilizadores locais, jovens moradores da Maré, que entenderam onde estavam os principais gargalos e criaram propostas de soluções climáticas.
“Foi muito especial trabalhar formas de pensar soluções sustentáveis legais, com jovens do território. O que me deixa mais feliz é ver os rostos dos jovens líderes, que vão levar o projeto para fora da Maré, como forma de superar os desafios”, afirma Michele Cardoso, gerente de integração de projetos ambientais e de responsabilidade social da Petrobrás. Andreia Martins, diretora da Redes da Maré, avaliou como um momento de festa a conclusão do projeto. “O sentimento é de alegria e dever cumprido por fazer o melhor. Destaco a produção de conhecimento, a articulação e a formação de jovens. Com esses três pontos com certeza haverá outros desdobramentos”, concluiu
Moradores como protagonistas de sua história
A partir de estudos que indicavam ilhas de calor na Maré, com temperaturas de até 5ºC a mais que em outras partes da cidade, uma concentração maior que o dobro do permitido de CO2 no ar e grandes chances de inundações, o eixo Direitos Urbanos e Socioambientais (Dusa), da Redes da Maré, desenvolveu o projeto EcoClima. Seu objetivo foi contribuir com a diminuição dos impactos da crise ambiental nas favelas.

Foto: @patrickmarinho
Os três protótipos - telhado verde, composteira e biodigestor - trouxeram resultados rápidos e eficientes para a qualidade de vida de moradores de favelas e periferias. O protótipo de um telhado verde conseguiu reduzir a temperatura interna de uma residência em até 1,5ºC, uma diferença significativa para espaços em que as marcações chegaram, este ano, a 64ºC. “A minha casa foi contemplada. Os meus pais me ensinaram a importância das plantas, que com o tempo acabamos esquecendo. O projeto me fez resgatar isso. O teto verde é uma ação acessível para outras casas, por isso acredito que esse projeto piloto chegue aos meus vizinhos”, enfatiza Soraia Claudino, moradora do Conjunto Rubens Vaz.
Já a composteira instalada no Espaço de Desenvolvimento Infantil EDI Maria Amélia Castro e Silva Belford, na Nova Holanda, coletou mais de 300 kg de resíduos orgânicos, em apenas cinco meses, gerando 90 kg de adubo. “O Ecoclima teve todo o cuidado no processo da compostagem. Mostramos para as crianças que uma caixa mágica transforma lixo orgânico em vida. As crianças foram protagonistas, participando de todo o processo, do início até o biofertilizante. A comunidade precisa disso, que a sensibilidade das crianças chegue aos adultos, impactando o território”, conta a Andrezza Nóbrega Dias, diretora.
Foto: @patrickmarinho
Foto: @patrickmarinho
O grupo também idealizou e instalou um biodigestor em um dos córregos da região e conseguiu reduzir em 99,8% dos coliformes totais e 99,94% da bactéria Escherichia coli, devolvendo água limpa para a Baía de Guanabara. Essas soluções ambientais nasceram a partir da mobilização e protagonismo de moradores, que se envolveram em 27 rodas de conversas, atingindo mais de 300 pessoas.
O EcoClima é uma parceria da Redes da Maré e da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, com apoio educacional do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EA-UFRJ).
Ao final do evento a diretora Andrezza, da EDI Maria Amélia Castro e Silva Belford, apresentou um rap, composto por ela e crianças da Maré:
EDI Maria Amélia cuida do Meio Ambiente.
Venha você também aprender com a gente.
O que é Composteira?
Nós vamos te explicar!
É uma grande caixa que faz mágica, olha lá.
Ela transforma lixo em adubo, que legal!
Reaproveitar é sensacional!
Maria Amélia e EcoClima, parceria de milhões.
Uma Maré mais sustentável, alegra nossos corações.
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