Eixo Dusa e arquiteta analisam conjunto Nova Maré
A Areninha Cultural Herbert Vianna recebeu na quarta-feira (10/09) a arquiteta urbanista Cláudia Pires em um encontro que reuniu tecedores do Eixo Direitos Urbanos e Socioambientais (Dusa), da Redes da Maré, e convidados. O tema da conversa foi a construção dos conjuntos habitacionais Nova Maré e Bento Ribeiro Dantas, idealizados pelo arquiteto, professor e urbanista, especializado na área de habitação de interesse social, Demetre Basile Anastassakis, morto em 2019.
O projeto foi concebido em 1992, em São Paulo, num concurso para a construção de habitações, promovido pelo governo municipal de Luíza Erundina. Demetre venceu o concurso e utilizou o novo formato de construção no Conjunto São Francisco. As construções traziam um traço moderno de modulação, germinação e arranjos diferentes dos conjuntos habitacionais clássicos, possuindo um desenho arquitetônico muito característico. O arquiteto também atuou na Vila Muriqui, em Mangaratiba; na Aldeia de Iguaçu, em Nova Iguaçu. em Santo Amaro, no Catete, em Novos Alagados, na Bahia; no Conjunto Barro Vermelho, em Belford Roxo, e no Tijolinho, na Cidade de Deus.

Foto: @Dougloppes
O arquiteto foi responsável pelo planejamento de 1.887 casas, número de habitações somadas de Nova Maré e Bento Ribeiro Dantas, segundo o Censo Populacional da Maré. Demetre visitou a Maré constantemente, entre 2008 e 2014. Sua última presença no território foi em 2018. “Ele defendia uma produção acompanhada [por um] técnico social, na pré-construção, no período da construção e após finalizado. Um acompanhamento do lado social e econômico dos moradores. Uma urbanização pode evitar uma remoção”, conta Cláudia Pires.
Em sua fala, ela destacou que os projetos arquitetônicos de Demetre não tinham garagem, algo pensado para desestimular a ocupação dos conjuntos habitacionais pela classe média. “O único problema é que os bairros populares não vêm acompanhados de políticas públicas. A moradia não é só espaço físico, tem que vir com todos os direitos. Nós criamos a metodologia, mas os governos mudam o projeto final para reduzir gastos”, comenta.
Cláudia lembra que a Nova Maré, de 1996, fez parte do programa Morar sem Risco, que tinha como umas de suas frentes a Reurbanização da Maré, incorporado ao programa Favela-Bairro, na administração do prefeito César Maia. O projeto foi desenvolvido pela CoOperaAtiva de Profissionais do Habitat, que, além da coordenação de Demetre, tinha a companhia das arquitetas e urbanistas Andrea Fiorini e Valéria Hazan. Os três lideraram uma grande equipe de arquitetos, engenheiros, economistas e sociólogos. Já o Conjunto Bento Ribeiro Dantas, de 1992, teve iniciativa do governo estadual, no período da gestão de Leonel Brizola.
Após o encontro, a arquiteta acompanhou os membros do Eixo Dusa pelas ruas da Nova Maré. Ela mostrou como o conjunto teve suas casas interligadas, monofuncional, ou seja, com o objetivo principal de moradia e encaixe inspirado nas peças do jogo Lego. Cláudia verificou que as casas precisam de um projeto de manutenção, em escadas com ferragens à mostra e tijolos danificados. Um ponto importante levantado foi a presença de espaços vazios, que poderiam ganhar praças e equipamentos de lazer, algo não implementado no início do projeto e que não veio depois.
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