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LabMaré une comunicação e ciência

Hélio Euclides

Em sua segunda edição, incentiva diálogo socioambiental na Maré

 

A segunda edição do Laboratório de Comunicação e Popularização da Ciência (LabMaré), realizada durante os meses de agosto e setembro no Conjunto de Favelas da Maré, se consolida como um espaço de formação com atividades práticas, criativas e de desenvolvimento, incentivando, com pesquisas e estudos, a mobilização dos moradores. O objetivo não é substituir as políticas públicas, mas mostrar, por meio de diálogo, que é possível construir soluções de forma coletiva para o território.

O laboratório é uma iniciativa do Eixo de Direitos Urbanos e Socioambientais (Dusa), da Redes da Maré, em parceria com a Silo - Arte e Latitude Rural, que busca fortalecer o vínculo entre ciência, cultura e território, promovendo a formação de moradores da Maré como agentes de transformação socioambiental. A proposta é fomentar e incentivar soluções coletivas e criativas baseadas em dados locais, saberes populares e ciência cidadã, com protagonismo dos moradores e valorização da cultura e vivência periférica.

Os encontros aconteceram em cinco sábados e contaram com mentorias, oficinas, palestras e outras atividades voltadas ao desenvolvimento de propostas de comunicação científica. A segunda edição do LabMaré destacou a formação de jovens comunicadores científicos no Conjunto de Favelas da Maré. O objetivo foi promover a educação e a comunicação científica e estreitar a relação entre ciência e sociedade, em especial nos territórios periféricos.

 

@Dougloppes

Além da formação, o laboratório buscou mobilizar a favela, promover a conscientização sobre os efeitos das mudanças climáticas e incentivar a busca por soluções coletivas, com base em dados, diagnósticos e análises científicas locais sobre desafios como poluição e acesso à água. 

Valorizando os saberes populares e científicos, o LabMaré promoveu o intercâmbio entre diferentes modos de fazer e pensar, incluindo políticas comunitárias construídas a partir das experiências locais.



Cinco ideias e projetos

Foram apresentadas cinco propostas, como um podcast de jornalismo comunitário digital que aborda os impactos das mudanças climáticas em territórios periféricos, conectando-os ao direito à saúde, à memória local, à resistência histórica e aos desafios do saneamento básico. “O podcast tem quatro temas: quando a Maré era água; a juventude na formação da geração cidadã de dados; a Maré que nasceu no mangue; e o Cop 30 só para cria. Ele mostra o impacto da favela com a questão socioambiental”, conta Fernanda França, do coletivo PodImapctar.

O coletivo Palco Aberto levou o laboratório aos palcos, inspirando-se no teatro-fórum de Augusto Boal. Utilizando cenas curtas, buscou debater questões cotidianas da Maré, com participação ativa do público na busca por soluções. “O projeto surgiu da ideia de três amigos de trabalhar a temática ambiental na favela, mostrando o que o lixo e os detritos causam para o meio ambiente. Realizamos pesquisas e percebemos vivências que nos ajudaram na formação do debate”, diz Mateus Correia, representante do coletivo Palco Aberto.

Outra ação proposta foi a construção de um roteiro de um curta-documentário sobre os impactos da poluição atmosférica e do descaso ambiental, a partir da perspectiva dos direitos urbanos e socioambientais. “Estamos cercados de elementos que nos fazem adoecer, com resíduos no ar e na Baía de Guanabara. Queremos dar visibilidade ao direito socioambiental, pois hoje isso não se reflete em políticas públicas, e os dados são importantes para mostrar isso”, comenta Gabriela Brandão, do coletivo As vias que cortam, o ar que nos cerca. Serão quatro episódios que mostram os acessos rodoviários que poluem o ar no entorno da Maré. 

Uma cartografia de plantas medicinais na Maré que  resgata e difunde práticas ancestrais e saberes medicinais populares. Esta foi a proposta de se criar uma cartilha ilustrada a ser distribuída em espaços coletivos da Maré, como escolas e clínicas da família. “O objetivo é detalhar ativistas do território que são mestres que transmitem ciência à sua maneira, por meio do uso de ervas medicinais. O projeto resultará numa cartografia de encontro dos saberes de personagens que são os guardiões dos saberes da Maré”, detalha Brenda Vitória, do coletivo Maré que cura.

Popularizar a ciência com uma linguagem acessível para todos, criando um aparelho para medição da qualidade do ar, por um custo baixo, que produzirá dados que podem ajudar a melhorar a vida da população mareense. Essa foi a proposta do coletivo Maré de Dados: “Produzir ciência para o estudo de dados é valioso para o território. O objetivo é trazer melhorias para a favela e com os dados indicar a necessidade da presença do poder público. Os dados são um RX da situação”, conclui Richardson Linhares, representante do coletivo.

Uma novidade dessa edição foi a presença de moradores de outras localidades fora da Maré do território para trocar diferentes realidades e experiências. O destaque foram ex-moradores que relembraram suas vivências na Maré. Apesar do curto tempo, cada grupo criou o seu protótipo e entregou belas apresentações. Embora não seja uma tarefa fácil popularizar a ciência e o acesso a dados, é nítida a importância de explorar esse campo para garantir transformações sociais do território. 

A conclusão do LabMaré 2 vai acontecer em um seminário realizado no dia 12 de dezembro, na Areninha Cultural Herbert Vianna.

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