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A COP 30 na favela

Hélio Euclides

Redes da Maré realiza encontro que discute agenda climática para os territórios 

 

O mês de novembro foi marcado pela realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em Belém, no Pará. Mas dias antes do início da COP, a Areninha Cultural Herbert Vianna, na Maré, realizou o evento COP 30: Vozes da Favela na Agenda Climática Global, que faz parte do projeto Diálogos Locais Rio25. O encontro destacou o protagonismo das favelas e territórios populares na construção de soluções para a crise climática global. O evento, na quinta-feira (06/11), foi realizado pela Redes da Maré, em parceria com a Rede Comuá, e com apoio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio de Janeiro (SMAC). 

 

A ação reafirmou o compromisso com a justiça territorial, colocando as favelas e áreas periféricas no centro do debate para pensar políticas públicas mais justas e eficazes. A conversa foi mediada pelo coordenador do Eixo de Direitos Urbanos e Socioambientais (Dusa), da Redes da Maré, Maurício Dutra. “A favela também é lugar de construção de dados. Numa pesquisa realizada com 1.300 moradores de Parque União, Rubens Vaz, Parque Maré e Nova Holanda, 67% dos respondentes disseram que suas casas são quentes ou muito quentes. O pior é que 50% acreditam que não há solução para a crise climática”, destacou Dutra.

 

 

 

 

O encontro reuniu estudantes, lideranças comunitárias e representantes de instituições que atuam diretamente na construção de cidades justas e sustentáveis. A abertura contou com a participação de crianças do Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) Maria Amélia Castro Belfort, que apresentaram uma música contando como  a composteira impactou em suas vidas. Luna Arouca, do acompanhamento institucional da Redes da Maré, apresentou o território e lembrou a luta da Chapa Rosa no território, que já realizava discussão sobre meio ambiente, que hoje chamamos de racismo ambiental. Ela ainda destacou a importância do trabalho do Dusa como um instrumento de mobilização junto aos moradores.

 

A secretária municipal de Ambiente e Clima Tainá de Paula enfatizou a importância do territério de favela. “Tudo o que estamos discutindo deve ser levado para Belém, pois a favela precisa ser ouvida. É primordial discutir para onde o dinheiro vai, e esse encontro dá um encaminhamento para isso. É fundamental que a Maré seja o centro da mudança”, comenta. 

 

O plano sobre o clima e as metas

A mesa Panorama das Políticas de Adaptação e Mitigação em Favelas focou nas políticas públicas, avaliando o diagnóstico local sobre saneamento, moradia e segurança alimentar. “Para o enfrentamento das mudanças climáticas, não podemos ficar separados. É importante destacar que Ilha de calor e a arquitetura sem circulação de ar nas favelas são sintomas de racismo ambiental. É preciso ouvir as nossas vozes para levar à COP as políticas públicas necessárias”, afirma o coordenador da Horta Maria Angu, Walmyr Junior,.

 

Os participantes afirmaram o desejo por justiça climática, colocando os moradores no centro do debate. “Há pesquisas realizadas no território que mostram a influência das ondas de calor e das inundações. O resultado mostra também que a água pode tomar locais que foram aterrados em até 25 anos”, comentou o conselheiro de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), Fábio Bruno de Oliveira, Já o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Valcler Rangel, enfatizou que é preciso acabar com o desequilíbrio no tratamento das populações. “Sobre o clima, o principal componente não é a favela, na qual sempre tentam colocar a culpa pelos problemas ambientais. Temos que falar do agronegócio, que utiliza o agrotóxico em grande escala. A desigualdade é a principal causa que prejudica o planeta, que afeta o sistema de saúde”, disse ele.  

 

O coordenador geral da Casa Fluminense, Vitor Dias Mihessen, lembrou o que já foi feito em prol do meio ambiente. “Estando aqui na Maré, me lembro dos encontros sobre  saneamento básico. Com o que foi falado e os números que geramos com o Data-labe e a Redes da Maré produzimos propostas que vou levar para a COP, onde estarei”, destacou Mihessen. 

 

Depois da mesa, Andrea Barreto apresentou algumas iniciativas locais que fazem o debate do clima no território, entre elas as três edições do LabMaré. Ao final, o coordenador do Dusa, Everton Pereira, apresentou um dos trabalhos realizados pela Redes da Maré. “Vou  levar o documento Análises para a COP. que explica o debate territorial pela justiça climática. É preciso começar localmente para atingir metas globais. Um exemplo é o Parque Ecológico, na Vila dos Pinheiros, que, apesar das árvores, é um local poluente pela questão da queima do lixo”, explica.  O chefe de gabinete da SMAC Felipe Lopes encerrou o evento, que teve público de mais de 200 participantes.

 

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