De repente você recebe uma ligação de vídeo, uma jovem do ano de 2.100 pede socorro para o planeta que se encontra em colapso e envia por teletransporte uma mochila com um jogo que traz desafios para a preservação da humanidade. Isso parece continuação do filme De Volta Para o Futuro, mas na verdade é um jogo imersivo do tipo escape game (jogo de fuga). Missão Climática: Jovens em Ação! é um jogo no qual estudantes assumem papéis de diferentes agentes sociais e encaram desafios que tratam dos impactos da crise climática no planeta. O projeto é desenvolvido em parceria pelas organizações ECOMOVE International (Alemanha), CIEDS e Redes da Maré, com financiamento da IKI (International Climate Initiative).
O jogo original foi lançado na Alemanha em 2020 e passou por uma adaptação para a realidade brasileira. No Brasil, a primeira versão foi desenvolvida entre maio e outubro de 2024, com conteúdo e dinâmica. Depois veio o período de testes. Esse ano o projeto foi revisado e ganhou uma nova roupagem, saindo da caixa e entrando numa mochila. O evento de lançamento do jogo educativo aconteceu no final de novembro, no Museu de Arte do Rio (MAR), com participação de representantes da Redes da Maré, entre eles educadores de projetos. O encontro “Mudando o jogo: gamificação e educação socioambiental”, reuniu educadores, organizações e instituições que utilizam jogos e metodologias ativas como ferramentas de transformação.
A iniciativa busca engajar jovens na luta contra as mudanças climáticas e as desigualdades socioambientais, incentivando o pensamento reflexivo e promovendo a educação climática no ambiente escolar. O projeto estimula a colaboração, mobilizando competências cognitivas e socioemocionais para formar jovens comprometidos com transformações concretas em seus territórios.
Missão Climática apresenta materiais de apoio para professores, que abordam o impacto e as causas das mudanças climáticas, em uma linguagem lúdica e acessível. A intenção do jogo é ampliar o repertório dos alunos, estimular o pensamento crítico e envolver os jovens em ações locais. “O objetivo do projeto é fortalecer as práticas de educação. Queremos engajar os adolescentes na compreensão das causas e impactos das mudanças climáticas, para isso oferecemos esse material pedagógico”, expõe Ana Luiza Cerqueira das Neves, coordenadora do projeto.
Na sala de aula, a turma é dividida em cinco grupos, tendo a ideia principal de salvar o planeta, descobrindo o que é fato ou fake, de uma forma que todos caminhem juntos, não sendo competitivo, mas sim interativo e colaborativo. O Missão Climática teve sua fase de teste em escolas de Recife e do Rio de Janeiro, onde a Redes da Maré conduziu a avaliação com professores e alunos, tanto dos projetos da organização como de turmas do Colégio Estadual Professor João Borges de Moraes, localizado, na Nova Holanda.
A mochila que guarda o jogo traz além do mapa dos biomas, um desafio exclusivo com um mapa da Maré, o que aproxima os estudantes de problemas locais, inspirando em soluções que vão ajudar o cotidiano dos moradores, com um olhar para o território. “É possível entender que o clima causa até mudança de vida, como nordestinos que saíram de suas terras natais por causa da seca e foram para a Maré, que pode sofrer com inundações futuras”, resume José Cláudio Barros, diretor de programas e projetos do CIEDS.
Para uma maior interação e entendimento da biodiversidade, além de cartas, os alunos recebem óculos coloridos, labirintos e lanterna de luz negra. Durante a partida, os estudantes vivenciam o papel de diversos agentes sociais e são desafiados a lidar com as causas e consequências da crise climática, buscando soluções sustentáveis em grupo e de forma colaborativa. Ao longo do Missão Climática, refletem sobre justiça ambiental, impactos desiguais do aquecimento global e a importância das decisões coletivas para evitar o colapso climático.
Para Andréia Martins, diretora da Redes da Maré, os desafios climáticos enfrentados por favelas e periferias estão profundamente ligados às desigualdades históricas dos territórios. “Faltam políticas ambientais pensadas para as regiões populares do país, lugares que sofrem com enchentes ou ilhas de calor, entre outros problemas graves. Daí a importância de incluir os jovens nas discussões para a busca de soluções”, conclui.
O próximo passo será a distribuição de 200 kits gratuitos atéo primeiro trimestre de 2026, contemplando escolas públicas de Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia. “O jogo chegou no ponto da maturidade, agora queremos espalhá-lo como sementes”, diz Marina Ferraz Barbosa, da ECOMOVE International.

Uma missão para o presente e futuro
Na narrativa do jogo, o planeta entrou em colapso em um futuro próximo. Zuri, jovem ativista do ano 2100, envia ao presente uma mochila com os últimos recursos capazes de mudar o destino do mundo. Cabe aos estudantes de hoje decifrar enigmas, vencer desafios e colaborar para salvar a humanidade. Cada avanço revela uma peça do futuro — mas o tempo é curto. Resta saber se eles estão prontos para assumir a missão e reconstruir o que vem pela frente. Para saber mais sobre o projeto, acesse o site https://missaoclimatica.org.br/.
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