“Tô aqui em protesto pacífico e chorando de raiva. Perdendo várias aulas…”
“Não aguento mais ficar em casa.”
“Sim, psicológico já tá cansado.”
“Não vou participar pois estou com medo de entrarem na minha casa e bagunçarem tudo.”
“Não posso sair de casa pois sou negro, sou alvo.”
“Eu quero estudar, já tô com saudade da escola ????”
“Pessoal, não poderei participar on-line, por conta da operação a internet tá muito lenta, e meu psicológico diante de toda essa situação que está acontecendo aqui, não está muito bem.”
“Não aguento mais todo dia é isso. Mulher preta não tem um dia de paz”.
“Parece os dias da pandemia, tô preso. Não saio de casa pra nada.”
“Eles não respeitam o morador, ainda mais sendo preto e de favela. Ai que bagunçam mesmo.”
“Apesar de eu não estar na N.H e sendo afetada diretamente, tbm meu psicológico tá por um triz essa semana. Mas tenho que seguir por aqui. ????????”.
Iniciamos esse fio com alguns relatos de alunos e alunas dos três projetos de formação continuada da Casa Preta da Maré capturados das conversas em seus grupos de aplicativo de mensagens em quatro dias seguidos de operações no território da Maré.
O contexto marcador da cor da pele e da saúde mental são os grifos pautados em quase todas as mensagens compartilhadas por eles quando são provocados, ou não, por seus mediadores e responsáveis pelas ações. Escola de Letramento Racial, 20 alunos, Clube de Leitura da Casa Preta da Maré, 15 jovens, e a Oficina Olhares Negros, mais 15 jovens, todos perdem.
O trabalho da Casa Preta da Maré, equipamento intereixo da Redes da Maré, tem como ponto de partida construir um pensamento crítico e formativo sobre os temas de raça e identidade, qualificando e localizando sua atuação para os moradores do conjunto das 15 favelas da Maré. Essa atuação e a propositura desse pensamento crítico contribui para a ampliação do olhar desses jovens para suas histórias, a dificuldade para acessar direitos fundamentais, e o valor da vida enquanto pessoas negras e moradores de favela.
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As imagens veiculadas neste site tem como objetivo divulgar as ações realizadas para fins institucionais. Entendemos que todas as fotos e vídeos têm o consentimento tácito das pessoas aqui fotografadas / filmadas, mas caso haja alguém que não esteja de acordo, pedimos que, por favor, entre em contato com a Redes da Maré para a remoção da mesma (redes@redesdamare.org.br).