A primeira edição do Laboratório de Experimentação Inovação contemplou 12 projetos do território
A Areninha Cultural Herbert Vianna foi palco do Seminário de encerramento do Laboratório de Experimentação e Inovação em Práticas Comunitárias- o Lab Maré. A iniciativa do Eixo de Direitos Urbanos e Socioambientais da Redes Maré (Dusa) contou com a parceria da Silo – Arte e Latitude Rural. A proposta traz como diferencial metodologias participativas para repensar o bem estar coletivo no território.
Pautado na diversidade, o Lab contemplou projetos ligados à arte, cultura, educação, audiovisual, esportes, política e meio ambiente. Ao todo, 12 iniciativas passaram pelo processo formativo: Afrofavela, Atletas do Futuro, Ballroom na Maré, Barbeiros: cortes de vida, Conecta Jovem, Eco Gerações, Encontro das Artes, Horta Comunitária, Jovem Cidadão, Leituras na Favela, Recriando Maré e Se Liga no Ciclo. Todas formadas por moradores do conjunto da Maré.
Segundo o coordenador do projeto, João Sousa e Silva, cerca de 40 colaboradores participaram do Laboratório voltado para formação de lideranças comunitárias.
“Mais do que um curso de formação foi uma uma reflexão sobre o que é a ser uma liderança nesse território. E a partir daí pensar sobre a história de uma organização comunitária. Então, a intenção do laboratório de falar sobre isso também tem a ver com esse enquadramento mais amplo do qual ele faz parte”, explica João.
Construção colaborativa para o futuro
Durante o seminário, representantes dos projetos selecionados compartilharam suas experiências ao longo dos seis meses de formação. Iniciativas como a da Liviane Araújo, fundadora do Atletas do Futuro. Um projeto que, segundo ela, visa suprir uma demanda da Maré de atividades e treinamentos em diferentes modalidades esportivas. O que era apenas uma ideia, se tornou possível graças à participação dela no Lab Maré.
“ Conforme a gente foi recebendo os conhecimentos do LAB, a gente conseguiu tirar da cabeça, colocar no papel e executar o projeto. Atualmente atendemos 60 jovens, crianças e adolescentes”, conta a idealizadora

Os alunos do Atletas do Futuro desenvolvem habilidades motoras e sociais; Foto: @Gabilino
O Atletas do Futuro oferece gratuitamente aulas de vôlei, futsal e basquete. Além de outras atividades como atletismo, queimado, badminton e tênis de mesa. “Eu me sinto mais pertencente ao território quando consigo alcançar essas crianças e trazer um pouco do que eu aprendi na Redes”, acrescenta Liviane.
Outro projeto que recebeu o incentivo do Laboratório de Experimentação é o Leituras na Favela, idealizado pelos educadores Anderson Oli e Camila Mendes. O programa cultiva o hábito da leitura de autoras negras, mulheres, indígenas, e escritores oriundos de favelas.
Antes de passar pelo Lab, a iniciativa era voltada somente para jovens e crianças. No entanto, Anderson Oli conta que a partir da imersão a ideia foi remodelada para atender a Educação de Jovens e Adultos, EJA.

O Leituras na Favela se dedica a democratizar o acesso à literatura; Foto: Louise Freire
“ A gente desenvolve um novo projeto para incentivar estudantes da EJA. Pessoas que não conseguiram concluir seus estudos em determinado momento da sua vida, por algum motivo, pela desigualdade social. A gente vem com esse projeto para ser mais um incentivo a essas pessoas a retomarem os estudos”, diz o educador.
O Leituras na Favela promove semanalmente rodas de conversa, oficinas e atividades para estimular a leitura crítica.
Experiências compartilhadas
As experiências trocadas no Lab Maré foram compartilhadas em uma publicação lançada no seminário. A obra compila dados e documentos reunidos pelos participantes do decorrer da formação. Além de reunir textos do pesquisador Henrique Silva, trazendo uma análise histórica do processo de mobilização comunitária no território.

Durante o seminário também foi lançada uma publicação sobre o Lab Maré; Foto: @Gabilino
Para a assessora metodológica do Laboratório de Inovação, Cinthia Mendonça, a metodologia foi pensada para dar continuidade às mobilizações que fazem parte da identidade das Redes da Maré.
“ A gente faz uma aliança. Então, isso já faz com que os projetos saiam do laboratório fortalecidos e confiantes. Eles saem confiantes de que eles podem batalhar sua sustentabilidade. Desde o início eles foram conduzidos para ter autonomia”, afirma a diretora e fundadora da Silo.
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