Representante da Redes da Maré participa do encontro em Brasília
Os temas aquecimento global e mudanças climáticas fazem parte de diversos debates em encontros mundiais. Pensar essa pauta a partir das demandas da população mais pobre é imprescindível se há realmente vontade de avançar nessas questões. Dessa forma, Maurício Dutra, pesquisador e coordenador do Eixo Direitos Urbanos e Socioambientais (Dusa), da Redes da Maré, participou da 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente (5ª CNMA). O evento aconteceu entre os dias 6 e 9 de maio de 2025, no Distrito Federal, em Brasília, e teve como tema “Emergência Climática: o Desafio da Transformação Ecológica”.
A Conferência ocorreu no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília (DF) e resultou na consolidação de 100 propostas finais, organizadas em cinco eixos temáticos: Mitigação; Adaptação e preparação para desastres; Justiça climática; Transformação ecológica; e Governança e educação ambiental. Dutra foi integrante do eixo dois, com o tema desastres. “Estive na parte de desastres em áreas de situação de vulnerabilidade. Primeiro votamos no grupo de trabalho. No final tem uma votação consolidada”, lembra.
A Redes da Maré participou enquanto comissão organizadora da 5º Conferência Municipal do Meio Ambiente e, além disso, realizou uma Pré-Conferência Municipal do Meio Ambiente em abril deste ano, na Areninha Cultural Herbert Vianna. A instituição foi eleita delegada na 5º Conferência Municipal do Meio Ambiente para estar na conferência estadual e, nesta última, foi eleita para compor a delegação do Estado do Rio de Janeiro na 5ª CNMA.
O interesse nessa área pelo Eixo Dusa nasce com a perspectiva de cada vez mais expandir não só produções, mas as tecnologias, pensando em replicar para outros territórios periféricos e favelados. Dentro da área de incidência política, o eixo vai mapeando, a nível municipal, estadual e nacional, maneiras de ocupar esses espaços e levar as produções que são pensadas de forma territorializada. “A gente descobre o edital de partida para participação da comissão da 5ª Conferência Municipal de Meio Ambiente Mudança do Clima. Nós fomos eleitos para participar e dentro da comissão fizemos uma articulação para que houvesse pré-conferências. Uma foi a realizada na Maré, ano passado, que reuniu cerca de 160 pessoas”, acrescenta Dutra.
Os passos seguintes foram formular uma série de propostas a partir de um dos cinco eixos temáticos. Essas propostas foram consolidadas, sistematizadas e enviadas para Conferência Municipal. Depois elas foram alinhadas com outras e levadas para o âmbito Estadual e por fim a Nacional. “Nacionalmente vai ser feito um caderno com as cem principais propostas definidas nacionalmente. Basicamente, é pensar territorialmente e também globalmente a discussão da mudança climática e do meio ambiente”, conta.
A participação de Maurício Dutra inicialmente foi na comissão, depois como comissão organizadora, e por fim como delegado, com direito a voz e voto para instauração, modificação e melhoria das propostas. “A importância da Maré nesta pauta vai se dar a partir do momento que são poucos os territórios que vão pensar a atuação para além do discurso. Então, a gente consegue agregar a partir do momento que vamos aplicar todas as teorias e todas as práticas que são levantadas a partir do território. Assim, conseguimos chegar com mais robustez a partir de dados consolidados, de pesquisas e de tecnologias que foram testadas e que têm capacidade de serem replicadas”, conclui.
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