Dandara Ribeiro, de 23 anos, embarca em agosto para a Bélgica, onde vai passar três anos estudando na P.A.R.T.S – Performing Arts Research and Training Studios. Ela é a 5ª aluna da Redes da Maré aprovada
A aluna da Escola Livre de Dança da Maré (ELDM), um projeto da Redes da Maré em parceria com a Lia Rodrigues Cia de Danças, Dandara Ribeiro, de 23 anos, foi aprovada para estudar na P.A.R.T.S – Performing Arts Research and Training Studios, uma das escolas de dança contemporânea mais renomadas do mundo, localizada em Bruxelas e dirigida pela coreógrafa belga Anne Teresa De Keersmaeker. Ela é aluna do Núcleo de Formação da ELDM, projeto da Redes da Maré que teve início em 2011 e oferece formação artística e técnica gratuita a jovens das periferias.
Dandara agora faz as malas para desembarcar na Bélgica, em agosto, e também colhe apoios na sua vaquinha virtual (acesso o link aqui e contribua). O seu colega da escola Jhon Monteiro, de 24 anos, também foi aprovado e aguarda na fila de espera. Jhon é natural da favela da Maré, também no Rio de Janeiro. Começou sua trajetória nas artes pelas danças de salão e o Karatê em 2011, conquistando até a faixa roxa, após 12 anos de prática. A dança sempre foi uma paixão e uma de suas formas preferidas de expressão.

A seleção é altamente concorrida, com candidatos de diversos países. Dandara passou pelas etapas de pré-seleção, a primeira realizada no Rio de Janeiro, no Centro de Artes da Maré, equipamento da Redes da Maré que sedia a Escola, e pela audição final na Bélgica, onde foi oficialmente aprovada. Ela é a 5º aluna da Escola Livre de Dança da Maré a entrar para a escola. Um jovem voltou ao Brasil e agora dá aulas na Escola Livre de Dança da Maré e outros três seguem estudando e trabalhando na Europa.
Jovem negra, nascida em Ramos e moradora da Gardênia Azul, Dandara é estudante de licenciatura em dança pela UFRJ e integra, desde os 19 anos, o Núcleo de Formação da Escola Livre de Dança da Maré, projeto da Redes da Maré que teve início em 2011 e oferece formação artística e técnica gratuita a jovens das periferias. A escola, que completa 15 anos em 2026, já teve outros alunos selecionados pela P.A.R.T.S, e o feito de Dandara reafirma a potência transformadora da arte quando acessível.
A Escola Livre de Dança da Maré foi criada pela coreógrafa Lia Rodrigues, pela dramaturga e professora Sílvia Soter e pela diretora fundadora da Redes da Maré, Eliana Sousa Silva, e é um dos principais projetos da Redes da Maré na temática de arte e cultura. Alia prática artística e reflexão crítica sobre pautas atuais em um importante espaço cultural compartilhado com a Lia Rodrigues Companhia de Danças: o Centro de Artes da Maré. O espaço é palco de oficinas e aulas cotidianas para cerca de 300 moradores da Maré e também ambiente de shows e apresentações de destaque na programação cultural da cidade do Rio de Janeiro.
A conquista de Dandara é também de todos os jovens periféricos e simboliza o impacto social e cultural de iniciativas como as da Escola Livre de Dança da Maré, desafiando desigualdades históricas por meio da arte e da educação.

“Minha viagem para a audição foi uma experiência bastante transformadora. Estar em contato com bailarinos de diferentes partes do mundo, cada um com seu jeito de entender e praticar a dança contemporânea, ampliou muito minha visão. Durante a audição, tive a oportunidade de trabalhar trechos de coreografias que sempre me chamaram atenção, como Drumming, de Anne Teresa De Keersmaeker, e obras de Trisha Brown. Entender o ritmo, a lógica e as escolhas dessas linguagens foi um desafio produtivo, que me fez pensar também nas práticas que venho desenvolvendo na Maré. Comparar essas referências com minha experiência cotidiana me ajudou a perceber tanto as diferenças quanto os pontos de contato entre contextos tão distintos. Voltei com o desejo de continuar nesse caminho e com uma noção mais concreta de que a dança contemporânea é um campo amplo, em que diferentes histórias podem ter espaço.”

Sobre a Escola Livre de Dança da Maré:
A Redes da Maré iniciou em 2011 o projeto Escola Livre de Dança da Maré (ELDM), que nasceu de um sonho compartilhado entre a coreógrafa Lia Rodrigues, a dramaturga e professora Sílvia Soter e a diretora fundadora da Redes da Maré, Eliana Sousa Silva. O projeto que começou de forma tímida, atualmente recebe cerca de 300 alunos ao ano. São crianças, jovens, adultos e idosos/as que têm a oportunidade de experimentar a dança na Maré, por meio de oficinas abertas e gratuitas. A Escola
funciona combinando ações artísticas e sócio-pedagógicas em torno da dança, articuladas em dois núcleos de trabalho, um núcleo oferece oficinas abertas ao público, em diferentes linguagens, e outro, o Núcleo de Formação Continuada em Dança, oferece formação técnica, artística e profissional para 20 jovens entre 16 e 26 anos, moradores de diversas partes da cidade e pré-selecionados através de uma audição. Além das oficinas de formação, recebem uma bolsa de incentivo e permanência.
Esses alunos e alunas participam de encontros diários, cinco vezes por semana, com professores convidados, coreógrafos e artistas da dança. Além da rotina de formação técnica, possuem também a oportunidade de participar de processos de criação junto a Lia Rodrigues Companhia de Danças que possui sua residência no mesmo espaço da Escola: o Centro de Artes da Maré.
Nesse sentido, a formação prática e a reflexão dialogam de forma contínua nas atividades propostas pela Escola. A prática da dança - a construção da técnica no corpo levando em conta seus aspectos motores, cognitivos e expressivos - é acompanhada pela reflexão teórica que permite contextualizar historicamente a produção artística e desenvolver a capacidade de reflexão crítica dos alunos diante da arte e da sociedade.

Jovens bailarinos em início de carreira, muitos deles moradores das periferias, convivem no mesmo espaço com bailarinos profissionais integrantes de uma companhia de dança contemporânea reconhecidamente consagrada no Brasil e no exterior.
Vivenciam ensaios, assistem aos processos de criação, realizam trocas e podem refletir sobre a possibilidade de se tornar ou não bailarino profissional. A dança cumpre assim sua função, indo além de uma prática corporal, para inserir-se no conjunto de ferramentas de intervenção ética, criativa e solidária no campo social.
A Escola Livre de Dança da Maré irá completar 15 anos em 2026, é um dos projetos chaves da temática de arte e cultura da Redes da Maré. A Escola é uma experiência singular, com uma metodologia que se renova constantemente, promovendo práticas pedagógicas inclusivas e diversas no campo da dança, produzindo conhecimento e impactos sociais no território onde atua.
Sobre a Escola P.A.R.T.S - Performing Arts Research and Training Studios
A P.A.R.T.S é uma escola de dança internacional, referência na dança contemporânea, localizada em Bruxelas, na Bélgica. Dirigida pela coreógrafa Anne Teresa De Keersmaeker, a escola oferece programas de formação em dança com foco na formação de bailarinos e coreógrafos. Reconhecida por seu caráter internacional, a cada 3 anos a P.A.R.T.S realiza audições ao redor do mundo para seu programa de treinamento, recebendo alunos de diversos países.

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