3ª edição do evento vai realizar um percurso gastronômico por 16 estabelecimentos que revelam histórias, sabores e saberes populares da maior favela do Rio de Janeiro. Evento de abertura tem exposição dos pratos, coletiva de imprensa e show com Samba que elas querem
Rio de Janeiro, 07 de outubro de 2024 – A Maré é um dos bairros mais populosos do Rio de Janeiro, num perímetro pequeno, de 4km2, e com uma população expressiva do tamanho de um município, em quantidade, histórias, memórias populares brasileiras e diversidade. É através da experiência gastronômica que o Festival Comida de Favela, realizado pela Redes da Maré, procura fomentar a identidade, memória e cultura do conjunto de 15 favelas da Maré, o maior conjunto de favelas do Rio de Janeiro, e lançar luz sobre o seu potencial econômico e empreendedor local.
Durante um mês, a partir desta quinta-feira, 10 de outubro, até o dia 09 de novembro, 16 estabelecimentos estarão compondo o circuito de experiências para o paladar do visitante, que além de experimentarem os pratos concorrentes, aproveitam para conhecer o território e as trajetórias de cada um dos empreendedores. É notória a disposição que o local tem para mostrar a força do empreendedorismo, as tradições familiares que são honradas com a escolha de cada prato e a determinação de dar mais um passo além na criação de oportunidades.
A abertura oficial do Festival acontece nesta quinta, 10/10 com uma série de atividades: Coletiva de imprensa (15h), seguida de apresentação dos participantes e pratos (16h), Aula-show com a chef de cozinha Katia Barbosa (17h) e show com o grupo Samba que Elas Querem (19h). Tudo isso na Casa das Mulheres da Maré, que fica na Rua da Paz, 42, no Parque União, na Maré.
A Maré tem vocação ao ramo de comidas e bebidas, que representa cerca de 40% do comércio local, segundo dados do Censo Maré (2014), fatia que impulsiona também geração de empregos e renda para o local. Sem falar na grande influência de uma parcela expressiva de imigrantes nordestinos (25,8%) e negros/pardos (62,1%), que se vê representa na escolha dos pratos.
O festival também organiza caravanas para acolher pessoas de diferentes espaços da cidade que, além da experiência gastronômica, podem acessar o estímulo a reflexões sobre o direito à livre circulação nos territórios, ao intercâmbio de experiências, e a possibilidade de evidenciar os tantos fazeres positivos que existem na favela. Para agendar, basta entrar em contato com (21) 97159-7725.
“Selecionamos 16 empreendimentos locais que receberam uma curadoria do festival, através do projeto Maré de Sabores, para desenvolver e fortalecer a rede de empreendimentos da Maré, e evidenciar suas histórias, saberes e sabores. O público ainda pode experimentar um roteiro gastronômico com pratos cheios de memória e cultura alimentar da Maré e ressignificar o território de favela como experiências de afeto, prazer, sucesso e inovação, e não apenas de violência”, conta a coordenadora do Maré de Sabores, Mariana Aleixo, responsável pelo projeto.
De 10 de outubro a 09 de novembro, os visitantes poderão degustar os pratos do concurso e votar nos preferidos, que serão premiados, três em cada categoria, com recursos para investimento, que variam entre R$ 3mil e 10 mil, separados em “Melhor Comida de Bar, Restaurante ou Pensão” e “Melhor Comida de Rua”. São receitas como sarapatel de porco à Paraíba servido ao molho pesto de agrião, pizza artesanal de carne seca com queijo coalho e borda recheada, cuscuz com galinha Cross, torta salgada recheada com sardinha na pressão, purê de batata e geleia da casa com ameixas frescas e pimenta, trio de tapas com pescadinha, sardinha artesanal e camarões pescados na Baía de Guanabara e outros. Os pratos variam de R$ 5,00 a R$ 35,00.
Veja aqui os estabelecimentos, pratos e endereço dos participantes do Festival
A votação é composta metade por júri popular e a outra parte por meio da avaliação de 16 jurados - entre chefes de cozinha, jornalistas, influenciadores, professores, cozinheiros, moradores da Maré e de outras favelas do Rio de Janeiro. Haverá prêmios em dinheiro para os três escolhidos em cada categoria, que serão conhecidos em uma festa, no Parque União.
Ao longo do ano, os estabelecimentos comerciais puderam se inscrever para participar da seleção do evento. Um comitê curador escolheu 16 locais, entre bares e restaurantes, que receberam ainda uma consultoria profissional personalizada para se aperfeiçoar e adentrar o festival com novas técnicas e ferramentas para o negócio. Os critérios da seleção foram baseados em tradição e identidade do estabelecimento na Maré; localização; diversidade do prato; qualidade da comida e disponibilidade do empreendimento e do empreendedor em participar do processo.
Evento de abertura oficial do Festival: 10/10, quinta-feira
15h: Coletiva de imprensa
16h: Apresentação dos participantes e pratos
17h: Aula-show com a chef de cozinha Katia Barbosa
19h: Show com o grupo Samba que Elas Querem
Local: Casa das Mulheres da Maré. Rua da Paz, 42, no Parque União, na Maré.

Foto © @Luiza Chataignier
O Festival Comida de Favela é realizado pela Redes da Maré em parceria com a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro - Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, ONS, RioGaleão e Boca Rosa. O projeto está em sua 3ª edição e é fruto da experiência do projeto Maré de Sabores, que atua no fortalecimento de grupos de mulheres, moradoras da Maré, através de qualificação profissional e geração de trabalho e renda, além de liderar um negócio social, o Buffet Maré de Sabores. A primeira edição do festival foi realizada em 2015, com o apoio do edital Rumos Itaú Cultural, e a segunda edição em 2023, com os mesmos apoiadores deste ano.
A Redes da Maré é uma organização da sociedade civil, que nasceu da mobilização comunitária ainda nos anos 80. Formalizada em 2007, tem como missão tecer as redes necessárias para efetivar os direitos da população do conjunto de 16 favelas da Maré, onde residem mais de 140 mil pessoas.
É diária a busca para promover o desenvolvimento sustentável da região a partir da mobilização e do protagonismo da população local, a partir dos seus cinco eixos estruturantes: Arte, Cultura, Memórias e Identidades; Direito à Saúde; Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça; Direitos Urbanos e Socioambientais e Educação. Seus compromissos são: defender todos os direitos dos moradores da Maré; reconhecer as potencialidades socioculturais, educacionais e econômicas deste território; promover e adotar a igualdade étnico-racial e de gênero; agir contra todas as formas de violência e discriminação; atuar de acordo com princípios éticos, de integridade, honestidade e transparência.
A atuação de cada um deles segue uma metodologia que tem como pilares: mobilização de moradores e fortalecimento de atores locais; articulação e parceria com organizações públicas e privadas; produção de conhecimento; sistematização e difusão do saber e incidência em políticas públicas.
Andréa Blum
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