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Redes da Maré promove curso de Quilombismo com arte e cultura

Hellowa Corrêa

A Redes da Maré promoveu mais uma edição do seu curso sobre Quilombismo, uma realização da Casa Preta da Maré, localizada na Nova Holanda, uma das 15 favelas da Maré. Com uma população de 62,1% que se autodeclara preta ou parda (dados Censo Maré), o conceito cunhado pelo intelectual brasileiro Abdias do Nascimento é mais do que vital e representativo para esse território. Solidariedade, comunitarismo, convivência, trabalho não como forma de enriquecimento de poucos, mas como libertação de toda a comunidade, coexistência de diversos saberes…Características dos povos africanos que ainda podemos observar no cotidiano da comunidade mareense.

 

Com 45 pessoas inscritas e todas as vagas preenchidas, o curso aconteceu nos dias 10, 12, 17 e 20 de dezembro de 2024, alinhando aulas na Casa Preta e visitas ao Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-brasileiros - IPEAFRO e ao Quilombo Ferreira Diniz, ambos no bairro da Glória. 

 

A aula de abertura do curso, ministrada pelo curador do IPEAFRO, Julio Menezes, tratou dos pressupostos que envolveram o conceito de quilombismo desenvolvido por Abdias do Nascimento. O pesquisador em educação e sociólogo João Raphael, também conhecido nas redes sociais como Afroliterato, discutiu sobre o quilombismo em perspectivas com filosofias negras passando por Lélia González, Nego Bispo, Frantz Fanon, entre outros intelectuais negros. A pesquisadora em educação afro-referenciada e religiosidades afro-brasileiras Priscila Carvalho aproximou o quilombismo em diálogo com as intelectuais negras. 

 

A última aula do curso, no Quilombo Ferreira Diniz,  contou com a mediação da Educadora da Casa Preta Myllena Ventura, que trouxe para os alunos o conceito de quilombo urbano. Após o almoço, Tia Cida, a anfitriã da feijoada e sua prima Isabel Aparecida, integrantes da segunda geração do Quilombo Ferreira Diniz, relataram algumas das histórias de resistência da família, a partir da ocupação do espaço, em 1947, até receber o certificado de território quilombola da Fundação Palmares, em 2024. 

 

Foto: @Gabilino

Três estudantes compartilharam suas impressões sobre o conteúdo aprendido e o legado para o seu cotidiano. “Já conhecia um pouco sobre Quilombismo. Busquei o curso para discutir a memória na fotografia e entender o corpo negro na Educação Física.”, declarou Christine Jones, moradora do Conjunto Esperança, educadora física e fotógrafa.

 

“Falar sobre Quilombismo. Tecnologias de resistência, de sobrevivência e achar o nosso lugar de pertencimento. Partindo de um sistema que tenta nos apagar. Valorizar a oportunidade de se reunir e de se celebrar.” expressou a estudante Amanda Aarão com o encerramento do curso. “O curso foi muito bem elaborado e o conteúdo transmitido com muito cuidado. Minha ideia é criar maneiras de dar oportunidades para que mais pessoas pretas tenham mais acesso a sua própria cultura e história.” Finalizou a estudante de Direito, Carla Aparecida Pinto. 

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