O Espaço Normal é o primeiro centro de referência sobre drogas em territórios de favelas no Brasil. Criado pela Redes da Maré a partir da aproximação das cenas de uso de crack e outras drogas localizadas na Maré e seu entorno, em 2015, o equipamento foi aberto ao público em 2018 e hoje recebe cerca de 150 pessoas por dia, em um amplo galpão no Parque Maré.
Há mais de uma década, o Espaço Normal desenvolve uma metodologia própria de cuidado em liberdade, baseada na convivência, na construção de vínculos e na articulação com políticas públicas, apostando no protagonismo de seus frequentadores.
Essa experiência contribuiu para a formulação de políticas públicas voltadas à promoção de direitos e se consolidou como uma referência nacional e internacional na redução de danos.
O Espaço Normal funciona como ponte entre populações vulnerabilizadas e o acesso a direitos. Atua a partir da compreensão ampla da redução de danos para a população em situação de rua e para pessoas que fazem uso abusivo de álcool e outras drogas.
Sua atuação articula escuta, convivência, cuidado direto, acesso à cidade, fortalecimento de vínculos, produção de autonomia, vivências artísticas e construção de saídas possíveis a partir da realidade concreta de cada pessoa. Além disso, produz conhecimento, realiza formações para sistematizar a ação territorial e provocar ações de incidência política.
Mais do que um serviço, o espaço garante melhores condições de vida, saúde e ampliação da autonomia de seus frequentadores.

O galpão de 250m² abre as portas de segunda a sexta, das 10h às 16h, com espaço para a população fazer sua higiene pessoal, alimentação, descansar, acessar a internet e lazer.
Além disso, oferece uma programação cultural e de acesso a direitos, com uma equipe de redutores de danos, psicólogos e assistentes sociais que media as demandas dos usuários junto aos equipamentos da assistência social.
O projeto nasceu em 2015, fruto de um processo de pesquisa e intervenção realizado pela Redes da Maré junto às cenas de uso de drogas, localizadas na Rua Flávia Farnese e na Avenida Brasil.
Em maio de 2018, a organização inaugurou, na Nova Holanda, o equipamento chamado Espaço Normal. Em 2022, o projeto passou a funcionar em um espaço maior, na Rua 17 de Fevereiro, 237, no Parque Maré.

(1) CONVIVÊNCIA
O espaço cria alternativas concretas de cuidado para pessoas em situação de rua ou que fazem uso prejudicial de álcool e outras drogas. Esse trabalho envolve escuta qualificada, atendimento compartilhado, acesso a direitos básicos, como higiene, alimentação e espaços para lazer, descanso e acesso à internet.
Além disso, são promovidas rodas de conversas, oficinas, atividades culturais, fortalecimento de vínculos familiares e territoriais e circulação por outros espaços de lazer e cultura na cidade.

(2) ARTICULAÇÃO E INCIDÊNCIA POLÍTICA
O projeto atua na construção de uma agenda territorial de redução de danos, em diálogo com instituições públicas e redes locais de cuidado. A partir de encontros regulares com serviços que atendem esse público, o Espaço Normal compartilha estratégias, fortalece a rede de apoio e amplia o acesso a direitos.
Hoje, participa de fóruns, conselhos e espaços de debate sobre políticas de drogas, maternidade, população em situação de rua e direitos humanos. Também promove, no território, reuniões semanais do ATENDA, dispositivo de atendimento integrado que reúne instituições e equipamentos que acompanham o público atendido pelo projeto. Acesse a publicação.

(3) PROTAGONISMO E CUIDADO COM PERSPECTIVA DE GÊNERO
O Espaço Normal estimula a participação ativa das pessoas que convivem diariamente no projeto, fortalecendo a apropriação de direitos, a presença em espaços de representação e as possibilidades de geração de renda. A metodologia do suporte entre pares é parte desse trabalho e reconhece que trajetórias marcadas pela vulnerabilidade também produzem saber, vínculo e capacidade de cuidado.
Esse eixo inclui ações específicas voltadas às mulheres. As quartas-feiras são reservadas para o acolhimento feminino, em uma estratégia construída a partir da percepção de baixa adesão desse público ao espaço. A proposta busca ampliar vínculos, criar condições mais adequadas de escuta e desenvolver práticas de cuidado com perspectiva de gênero.

(4) SENSIBILIZAÇÃO E PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO
O projeto também desenvolve ações de sensibilização sobre redução de danos em contextos atravessados pela violência. Isso inclui formações, atividades de cuidado territorial e compartilhado, ações de rua e trabalho contínuo junto às cenas de uso de crack e outras drogas na região.
Ao mesmo tempo, o Espaço Normal produz reflexão pública sobre o tema e contribui para ampliar o debate sobre cuidado, direitos e políticas de drogas em territórios de favela.

(5) PESQUISA E FORMAÇÃO
A história do projeto está ligada à pesquisa desde seu início. Em 2015, a Redes da Maré realizou um estudo na cena de uso da Rua Flávia Farnese que deu origem ao artigo “Meu nome não é cracudo” e abriu um ciclo de ações e articulações que resultaria, em 2018, na criação do Espaço Normal.
Entre 2019 e 2022, o projeto foi parceiro da pesquisa Construindo Pontes. Em 2023, iniciou uma pesquisa-ação sobre práticas de cuidado com perspectiva de gênero, no âmbito da iniciativa Elas em Cena, que resultou num livro.
O Espaço Normal também colabora na formação de profissionais por meio da inserção de residentes e estagiários, em parceria com instituições como a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e o Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
O nome do projeto é uma homenagem a Carlos Roberto Nogueira, conhecido como “Nem” e “Normal”, liderança local da cena de consumo e moradia da Rua Flávia Farnese, na Maré.
Desde o início da atuação da Redes da Maré nesse território, em 2015, Normal teve papel importante na aproximação da equipe com a cena e na construção de vínculos que permitiram consolidar o trabalho naquele espaço.
Em janeiro de 2018, enquanto o centro de convivência era preparado para ser inaugurado, Normal morreu, aos 32 anos, vítima de bala perdida na Rua Flávia Farnese.
Dar seu nome ao projeto é uma forma de lembrar Carlos e, com ele, tantas pessoas cujas trajetórias são marcadas pela violência em territórios de favela.
Ao mesmo tempo, o nome reivindica outro olhar sobre pessoas que usam drogas e sobre a população em situação de rua. Fala do direito à diferença, mas também do desejo elementar de ser reconhecido em sua humanidade.
Coordenação do Espaço Normal
Elivanda Canuto e Rodrigo Pereira
Assistente social
Alexandra Dias
Assistente administrativa
Maria Eduarda Gomes
Redutores de danos
Thais Andrade, Paulo Ricardo Azevedo, Rafaelle Ribeiro e Lilian Leonel
Supervisão institucional
Luna Arouca, Maïra Gabriel Anhorn e Fernanda Vieira
Espaço de convivência: De segunda a sexta-feira, das 10h às 16h.
Às quartas-feiras, o atendimento é voltado exclusivamente para mulheres.
Para tirar dúvidas, escreva para espaconormal@redesdamare.org.br ou envie uma mensagem para o WhatsApp: (21) 96780-4614.
Galpão do Espaço Normal
Rua 17 de Fevereiro, 237 - Parque Maré
Telefone: (21) 3105-4767
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