CAMPANHA

A campanha foca na prevenção ao assédio e à violência de gênero a partir da construção de um Circuito Seguro para mulheres na Maré, começando a ser formado pelos 16 estabelecimentos participantes da 4ª edição do Festival Comida de Favela, que acontece em outubro de 2026.

COMO PODEMOS AJUDAR?

 

Preciso de ajuda agora
Suco Lilás e acolhimento no estabelecimento

Quero saber onde buscar ajuda
Rede de apoio às mulheres e pessoas LGBTQIA+

Preciso de atendimento de saúde
Unidades de saúde na Maré

Preciso de atendimento após violência sexual
Saúde, direitos e aborto previsto em lei

Quero saber sobre os tipos de violência
Informação é proteção!



O Festival quer contribuir para que os estabelecimentos participantes sejam espaços mais preparados para prevenir situações de assédio, reconhecer riscos e acolher mulheres que necessitem de apoio. Sabemos que a responsabilidade é coletiva, tanto de quem frequenta, quanto de quem trabalha e administra esses espaços.

Criamos o Circuito Seguro para Mulheres nos 16 estabelecimentos que vão participar do Festival, que engloba a formação de seus funcionários, a disseminação de informações, como cartazes, folders, site e banners com informações para identificar violências e como pedir ajuda.

Todos os estabelecimentos terão um selo de identificação. Nos banheiros dos estabelecimentos haverá um QRCode para mais informações.

Todos os estabelecimentos que participam do Circuito Seguro para Mulheres na Maré estarão comprometidos a:

»» Respeitar o consentimento

»» Não tolerar situações de assédio dentro do estabelecimento

»» Orientar suas equipes sobre prevenção e acolhimento

»» Saber como acolher uma mulher que procure ajuda

»» Conhecer os canais e serviços de proteção e atendimento

»» Divulgar a campanha e as informações de orientação no estabelecimento



Assim, afirmamos o direito das mulheres, especialmente das negras, e das pessoas LGBTQIA+, frequentarem bares, restaurantes e espaços de convivência com liberdade, respeito e segurança.

Por que a campanha é necessária?


No Estado do Rio de Janeiro em 2025, essas foram as quantidades de mulheres vítimas de:



105

mulheres foram vítimas de feminicídio

43.307

violência física

59.742

violência psicológica



8.681

violência sexual, sendo:

2.723

importunação sexual

350

assédio

1.653

estupro

3.415

estupro de vulnerável - menores de 14 anos
(Fonte: Dossiê Mulher, ISP, 2026)

Na Maré, em um universo de 801 mulheres (entrevistadas entre 2016 e 2018):



57%

sofreram uma ou mais formas de violência de gênero, sendo:

34%

violência física

30%

violência sexual

45%

violência psicológica



Entre essas:

Mulheres negras sofreram mais violência:
69% eram pretas, 55% pardas, 50% brancas

Quase metade (47%) da violência foi cometida por parceiros íntimos

Apenas 52% das mulheres que sofreram violência denunciaram ou falaram sobre o ocorrido. Elas recorreram principalmente a canais informais.

Apenas 2,5% denunciaram a instituições, como a polícia.
(Fonte: McIlwaine et al, 2021)
Violência contra a população LGBTQIA+ em números

Em 2023,


80,4%

das violências contra mulheres lésbicas adultas foram físicas


50,6%

das violências contra adolescentes lésbicas foram sexuais

O agressor é homem em 66,2% dos casos, muitas vezes parceiro íntimo ou familiar, e a residência é o principal local da agressão.

Formas específicas como o estupro “corretivo”, cárcere privado, pressão psicológica para "mudar" a orientação sexual e o não reconhecimento do casal em serviços de saúde e segurança fazem com que muitas não denunciem. (Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação - Sinan, 2023).


O Brasil respondeu por 37,5% (1.741) de todas as mortes de pessoas trans registradas no mundo entre 2008 e 2022, e é o país que mais mata pessoas trans. (Fonte: Trans Murder Monitoring)






Entre 55% e 67% das vítimas LGBTQIA+ são negras (Fonte: Ipea, Atlas da Violência 2026)

Entre 2015 e 2022, 37.104 pessoas trans e travestis sofreram violência no Brasil, sendo:

61,7%

violência física

22,9%

psicológica ou moral


30,1%

autoprovocada
(Fonte: Revista do SUS, 2025)

Estudo com 1.317 mulheres trans e travestis entre 2020 e 2021 em cinco capitais brasileiras encontrou que:


53%

sofreram violência sexual ao longo da vida, sendo:


64,4%

de forma repetida


93%

não procuraram serviços de saúde e não denunciou


86,5%

não buscaram apoio de familiares ou amigos
(Fonte: Revista Brasileira de Epidemiologia, Vol 27, Suplemento 1, 2024)

Outras formas de violência contra pessoas trans são: negativa de nome social e de acesso ao banheiro, negligência médica e transfeminicídio.




No campo legal:
• A Lei Maria da Penha já é aplicada pela jurisprudência para casais de lésbicas e mulheres trans
• O feminicídio pode abranger mulheres trans
• A LGBTfobia foi equiparada ao crime de racismo pelo STF desde 2019


Preciso de ajuda agora!

Se o seu encontro não está indo bem, ou se você está se sentindo ameaçada, constrangida ou em risco, peça um Suco Lilás para quem estiver atendendo você. Esse é um pedido de ajuda que a equipe já conhece.

Os estabelecimentos do Circuito Seguro para Mulheres na Maré estão preparados para acolher você e te ajudar a sair da situação com segurança. Neste site, você também encontra lugares onde buscar atendimento e apoio, dentro e fora da Maré.

 Quero saber onde buscar ajuda

Rede de apoio às mulheres e pessoas LGBTQIA+

 

Aplicativo Rede Mulher

O aplicativo Rede Mulher reúne informações e serviços para mulheres em situação de violência.

Com ele, você pode:

  • pedir ajuda à Polícia Militar;
  • criar uma rede de apoio com pessoas de confiança, como amigas, amigos e familiares;
  • registrar uma ocorrência pela Polícia Civil;
  • solicitar medida protetiva;
  • encontrar informações sobre os serviços de apoio e proteção às mulheres no estado do Rio de Janeiro.

Baixar para Android     Baixar para IPhone

 




REDE DE ATENDIMENTO NA MARÉ:


Casa das Mulheres da Maré
Qualificação profissional, atendimento psicossocial e jurídico e fortalecimento de direitos para mulheres, adolescentes e pessoas trans da Maré
Rua da Paz, nº 42, Parque União, Maré, Rio de Janeiro, RJ
Telefone: (21) 96996-0041
E-mail: casadasmulheres@redesdamare.org.br

Centro de Referência de Mulheres da Maré Carminha Rosa (CRMM-CR/UFRJ)
Atendimento e orientação para mulheres em situação de violência
Rua 17, Vila do João, Maré, Rio de Janeiro, RJ
Telefones: (21) 3938-0322 (ligação e whatsapp)
E-mail: crmm.ufrj@gmail.com

Centro de Referência para Mulheres Suely S. Almeida (CRM-SSA/UFRJ)
Atendimento e orientação para mulheres em situação de violência
Praça Jorge Machado Moreira, nº 100, Cidade Universitária, Rio de Janeiro, RJ
Telefones: (21) 3938-0600 (ligação) / (21) 3938-0603 (WhatsApp)
E-mail: crmssa.ufrj@gmail.com

Conexão G
Acolhimento, orientação e defesa de direitos da população LGBTQIA+ nas favelas
Rua Sargento Silva Nunes, 1012, Maré, Rio de Janeiro, RJ
Tel: (21) 97175-9884

Casa Resistências
Acolhimento e abrigamento para mulheres LBT (lésbicas, bissexuais e trans) e mulheres negras
Via A1, nº 104F, Travessa do Campo da Toca, Pinheiro, Maré, Rio de Janeiro, RJ



OUTROS LUGARES PARA BUSCAR AJUDA E ATENDIMENTO:


Delegacia de Atendimento à Mulher — DEAM
Avenida Visconde do Rio Branco, 12 — Centro
Telefones: (21) 2334-9859 / (21) 3657-4323

Centro Especializado de Atendimento à Mulher Chiquinha Gonzaga — CEAM
Rua Benedito Hipólito, nº 125 — Praça Onze
Telefones: (21) 2517-2726 / (21) 98555-2151 (apenas ligação)

Central Judiciária de Acolhimento da Mulher Vítima de Violência Doméstica — CEJUVIDA
Rua Dom Manuel — em frente ao Museu da Justiça — Centro
Telefone: (21) 3133-3894
E-mail: cejuvida@tjrj.jus.br
Atendimento: feriados, finais de semana ou à noite.

Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher — NUDEM / DPERJ
Rua Marechal Câmara, nº 271, 7º andar — Centro
Telefone: (21) 2526-8700
E-mail: nudem@defensoria.rj.def.br

Casa da Mulher Carioca Tia Doca
Rua Júlio Fragoso, 47 — Madureira
Telefone: (21) 3085-3823
E-mail: casadamulhertiadoca@gmail.com
Horário: segunda a sexta, das 8h às 20h; sábado, das 8h às 12h.


Centros de Cidadania LGBTI do Governo do Estado do RJ
Confira informações e endereços aqui » 



Em caso de emergência:
190 — Emergências
A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia.

180 — Central de Atendimento à Mulher
Oferece escuta e acolhimento às mulheres em situação de violência.
Ligação gratuita, 24 horas por dia.

197 — Polícia Civil
Para registrar uma ocorrência ou buscar orientação junto à Polícia Civil.
Sempre que possível, procure uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher — DEAM.
Ligação gratuita.

1746 — Prefeitura do Rio
A Central 1746 recebe notificações de casos de assédio e agressões na cidade do Rio de Janeiro.

(21) 2253-1177 — Disque Denúncia
Se você presenciou ou foi vítima de um crime, pode denunciar de forma anônima e sigilosa.

 

Preciso de atendimento de saúde

Unidades de saúde na Maré

Clínica da Família Adib Jatene
Via B Um, 589-501, Maré, Rio de Janeiro, RJ

CMS Américo Veloso
Rua Gerson Ferreira, 100, Ramos, Rio de Janeiro, RJ

Clínica da Família Diniz Batista dos Santos
Av. Brigadeiro. Trompowski, s/n, Maré, Rio de Janeiro, RJ

Clínica da Família Jeremias Moraes da Silva
Rua Teixeira Ribeiro, s/n, Maré, Rio de Janeiro, RJ

Centro Municipal de Saúde Augusto Boal
Av. Guilherme Maxwel, 901, Bonsucesso, Rio de Janeiro, RJ

Centro Municipal de Saúde Vila do João
Rua Dezessete, s/n, Maré, Rio de Janeiro, RJ

CAPSi Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil Visconde de Sabugosa
Av. Guanabara, Praia de Ramos, s/n - Ramos, Rio de Janeiro - RJ

CAPS - Centro de Atenção Psicossocial Carlos Augusto Magal
Av. Dom Hélder Câmara, 1184 - Benfica, Rio de Janeiro - RJ

Unidade de Saúde da Família João Cândido
Av. Lobo Júnior, 83, Penha Circular, Rio de Janeiro, RJ

 

 

Preciso de atendimento após violência sexual

Saúde, direitos e aborto previsto em lei




Se você sofreu violência sexual, procure uma unidade básica de saúde (Clínica da Família ou posto de saúde) o mais rápido possível.

O atendimento é importante em qualquer momento, mas buscar ajuda nas primeiras 72 horas aumenta a eficácia de alguns cuidados e tratamentos para prevenir infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e outros problemas de saúde.

Na unidade de saúde, você também pode fazer gratuitamente o teste de gravidez. Se preferir mais privacidade, o teste de farmácia é uma opção. Se o resultado der negativo e a menstruação continuar atrasada, repita o teste após 7 dias.

Você não precisa passar por isso sozinha. Procure atendimento e apoio.

Se a gravidez decorrente da violência sexual for confirmada, existem diferentes caminhos possíveis. A decisão é sua, e você tem direito à informação, acolhimento e apoio para escolher o que faz mais sentido para você.

Você pode interromper a gestação. Sem culpa, sem julgamento, com segurança. A lei garante o direito ao aborto em casos de gravidez resultante de violência sexual, com atendimento pelo SUS.

Você pode seguir com a gestação e optar pela entrega para adoção. A lei garante a entrega voluntária e sigilosa do bebê para adoção.

Você pode seguir com a gestação e exercer a maternidade. Nesse caso, procure uma Clínica da Família ou posto de saúde para acompanhamento e cuidados durante a gravidez.


Você não precisa enfrentar essa decisão sozinha. Procure apoio e orientação na rede de atendimento.


É importante saber: a lei brasileira permite o aborto em algumas situações, como:

• quando a gravidez é resultado de violência sexual (estupro);
• quando a pessoa grávida tem menos de 14 anos. Pela lei, qualquer relação sexual com menores de 14 anos é considerada violência sexual;
• quando a gravidez coloca em risco a vida da gestante;
• quando o feto tem anencefalia.

Nesses casos, a pessoa grávida tem o direito de decidir se quer ou não interromper a gestação. Essa decisão é sempre dela.

Não é necessário fazer boletim de ocorrência para acessar o aborto previsto em lei pelo SUS.

Se tiver dificuldade para conseguir atendimento ou precisar de orientação, procure a rede de apoio às mulheres. Existem serviços e instituições que podem ajudar você a acessar seus direitos. Aqui estão algumas:


Casa das Mulheres da Maré
Se você mora na Maré e precisa acessar os serviços de aborto previstos em lei, a Casa das Mulheres da Maré pode ajudar. Aqui você encontra acolhimento, informações sobre seus direitos e apoio para acessar os serviços de saúde.


Centro de Referência em Justiça Reprodutiva (Unirio)
Atendimento virtual pelo WhatsApp (021) 3858-9138, de segunda à sexta, das 13h às 17h.


NUDEM - Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher

Rua Marechal Câmara, nº 271, 7º andar, Centro
Telefone: (21) 2526-8700
E-mail: nudem@defensoria.rj.def.br


Em caso de gravidez decorrente de violência sexual, você tem direito ao aborto previsto em lei. Abaixo está a lista de serviços de saúde que realizam esse atendimento:


Maternidade Fernando Magalhães
Rua General José Cristino, 87 — São Cristóvão, Rio de Janeiro — RJ

Hospital Federal de Bonsucesso
Av. Londres, 616 — Bonsucesso, Rio de Janeiro — RJ

Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda
Rua Moncorvo Filho, 67 — Centro, Rio de Janeiro — RJ

Maternidade Carmela Dutra
Rua Aquidabã, 1037 — Méier, Rio de Janeiro — RJ

Maternidade Paulino Werneck
Estrada da Cacuia, 745 — Ilha do Governador, Rio de Janeiro — RJ

Hospital Universitário Gaffrée e Guinle
Rua Mariz e Barros, 775 — Maracanã, Rio de Janeiro — RJ

Maternidade Herculano Pinheiro
Av. Min. Edgard Romero, 276 — Madureira, Rio de Janeiro — RJ

Hospital Universitário Pedro Ernesto — UERJ
Boulevard 28 de Setembro, 77 — Vila Isabel, Rio de Janeiro — RJ

Maternidade Escola da UFRJ
Rua das Laranjeiras, 180 — Laranjeiras, Rio de Janeiro — RJ

Instituto Fernandes Figueira — IFF/Fiocruz
Av. Rui Barbosa, 716 — Flamengo, Rio de Janeiro — RJ

Veja mais hospitais no Mapa do Aborto Legal

Quero saber sobre os tipos de violência

Informação é proteção!

 

Violência psicológica 

É qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima; que prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento da mulher ou vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões. São tipos de violência psicológica:

  • Ameaças
  • Constrangimento
  • Humilhação
  • Manipulação
  • Isolamento
  • Vigilância constante
  • Perseguição
  • Insultos
  • Chantagem
  • Exploração
  • Limite ao direito de ir e vir
  • Ridicularização
  • Tirar a liberdade de crença
  • Distorcer e omitir fatos para deixar a mulher em dúvida sobre a sua memória e sanidade (gaslighting)

Violência Física

Condutas que ofendam a integridade ou saúde corporal da mulher.

  • Ferimentos causados por queimaduras ou armas de fogo
  • Tortura
  • Estrangulamento ou sufocamento
  • Espancamento
  • Atirar objetos, sacudir e apertar os braços
  • Lesões com objetos cortantes ou perfurantes

Violência Moral

Condutas que configurem calúnia, difamação ou injúria (Fazer acusações falsas, espalhar mentiras ou ofensas)

  • Acusar a mulher de traição
  • Julgar a mulher por suas escolhas, comportamentos ou modo de viver
  • Fazer críticas mentirosas (calúnia)
  • Expor a vida íntima
  • Ofender a mulher com xingamentos que atacam seu caráter ou sua reputação
  • Desvalorizar a vítima pelo seu modo de se vestir


Violência Sexual

Condutas que constranjam a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força.

  • Estupro
  • Obrigar a mulher a fazer atos sexuais que causam desconforto ou repulsa
  • Impedir o uso de métodos contraceptivos ou forçar a mulher a abortar
  • Forçar matrimônio, gravidez ou prostituição por meio de coação, chantagem, suborno ou manipulação
  • Limitar ou anular o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos da mulher

Violência Vicária

Entendida como qualquer forma de violência praticada contra descendente, ascendente, dependente, enteado, parente, pessoa sob guarda ou responsabilidade direta da mulher ou pessoa de sua rede de apoio, com vistas a atingi-la.

  • Violência contra os filhos ou outros parentes da mulher para causar sofrimento a ela.

Violência Patrimonial

Condutas que configurem retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.

  • Controlar o dinheiro
  • Deixar de pagar pensão alimentícia
  • Destruição de documentos pessoais
  • Furto, extorsão ou dano
  • Estelionato
  • Privar de bens, valores ou recursos econômicos
  • Causar danos propositais a objetos da mulher ou dos quais ela goste
  • Impedir que a mulher trabalhe

Violência Digital

Intimidação, exposição indevida, agressão, ameaça ou humilhação feita em ambiente digital. É uma extensão do machismo cotidiano, com maior alcance e rapidez.

  • Fazer ataques, ofensas ou campanhas de ódio contra mulheres na internet.
  • Compartilhar fotos ou vídeos íntimos sem autorização.
  • Ameaçar divulgar imagens íntimas para obter dinheiro, favores ou controle.
  • Vigiar, perseguir ou enviar mensagens insistentes a uma mulher por meios digitais.
  • Xingar ou espalhar mentiras e boatos para prejudicar uma mulher.
  • Invadir redes sociais, aplicativos ou celulares sem permissão.
  • Criar imagens, vídeos ou áudios falsos com inteligência artificial para expor ou humilhar mulheres.

Violência obstétrica

Qualquer ação, omissão ou tratamento inadequado sofrido pela mulher durante a gravidez, parto, pós-parto ou em situações de abortamento, que cause sofrimento físico, emocional ou psicológico, desrespeitando sua autonomia, dignidade e direitos:

  • Fazer comentários humilhantes ou ofensivos, como: "Na hora de fazer não reclamou", "Pare de gritar, você está atrapalhando".
  • Realizar procedimentos sem explicação ou consentimento, como aplicar medicamentos sem informar a finalidade, fazer exames ou intervenções sem pedir autorização.
  • Impedir a presença de um acompanhante escolhido pela gestante durante trabalho de parto, parto e pós-parto imediato.
  • Negar informações importantes, deixando a mulher sem entender o que está acontecendo com seu corpo ou com o bebê.
  • Ignorar a dor ou as queixas da paciente, tratando-a com descaso ou desrespeito.
  • Forçar procedimentos desnecessários, sem indicação clínica adequada ou sem explicar os motivos.
  • Realizar intervenções com violência física, como contenções inadequadas ou manobras agressivas.
  • Pressionar a mulher a tomar decisões sem tempo para reflexão, quando a situação clínica permite escolha informada.

Violência contra pessoas LGBTQIA+

Atos de violência, discriminação e preconceito contra pessoas LGBTQIA+ são considerados crimes desde 2019, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou esses atos ao crime de racismo. 

Pessoas LGBTQIA+ podem sofrer diferentes formas de violência e discriminação no dia a dia. Muitas vezes, essas situações são naturalizadas, mas nenhuma delas é normal ou aceitável.

Alguns exemplos são:

  • ofensas, xingamentos, piadas e comentários preconceituosos
  • constrangimentos por causa da orientação sexual ou identidade de gênero
  • uso intencional do nome ou pronome errado para pessoas trans
  • rejeição, expulsão de casa ou ameaças por parte da família
  • bullying na escola, no trabalho ou em outros espaços
  • discriminação no acesso à saúde, educação, emprego, moradia ou serviços
  • assédio moral, intimidações e ameaças
  • agressões físicas
  • violência sexual
  • perseguição e ataques nas redes sociais

Direitos das vítimas de violência

No Brasil, as mulheres vítimas de violência têm direito garantido por lei à assistência integral, proteção de urgência e responsabilização do agressor, principalmente por meio da Lei Maria da Penha.


São medidas protetivas de urgência:

• Afastamento: É uma atitude preventiva e urgente que deve ser solicitada pela vítima. O agressor será afastado imediatamente do lar, e a proibição de aproximação pode ser determinada rapidamente pelo juiz.

• Atendimento especializado: A vítima tem o direito ao atendimento policial e pericial resguardado, preferencialmente em delegacias da mulher.

• Saúde e atendimento de emergência: Hospitais públicos devem oferecer atendimento obrigatório, gratuito e integral a vítimas de violência, sem necessidade de apresentar boletim de ocorrência policial. Nos casos de violência sexual, é possível receber medicamentos para ajudar a prevenir infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e ter acesso à contracepção de emergência para reduzir o risco de gravidez. Se houver gravidez decorrente de estupro, a mulher tem direito ao aborto previsto em lei de forma gratuita e segura no Sistema Único de Saúde (SUS). O atendimento deve ser acolhedor, sigiloso e respeitar as escolhas da mulher.

• Afastamento do trabalho: A mulher vítima de violência doméstica pode ter o afastamento do trabalho por até seis meses, sem perda do emprego.


A Casa das Mulheres da Maré, em parceria com a Redes da Maré e a Escola de Serviço Social da UFRJ, preparou um guia de cuidados que se propõe a ser uma fonte de ajuda para as mulheres de nosso território. O guia aborda vários temas, como saúde física, mental, sexual e reprodutiva, abrangendo o planejamento do envelhecimento, prevenção à violência contra a mulher e os impactos da violência policial no território.

Guia de cuidados      folders “Mulheres da Maré, nós temos direitos!"

”

Não é Não


Em 2023, o presidente da República decretou e sancionou a Lei número 14.786, criando o protocolo “Não é Não”. A lei foi criada para ser implementada no ambiente de casas noturnas e de boates, em espetáculos musicais realizados em locais fechados e em shows com venda de bebida alcoólica, para promover a proteção das mulheres e para prevenir e enfrentar o constrangimento e a violência contra elas.

A campanha Circuito Seguro para Mulheres na Maré dialoga com o protocolo “Não é Não”, mas tem linguagem própria, adaptada ao nosso território e à nossa realidade na Maré. E dá especial atenção às experiências de mulheres negras e pessoas LGBTQIA+.

Porque toda mulher tem direito de viver a Maré com liberdade, respeito e segurança.

Vamos construir, junto aos 16 estabelecimentos selecionados e participantes do Festival Comida de Favela, um circuito gastronômico que é, ao mesmo tempo, comprometido com a prevenção ao assédio, a promoção do respeito e o acolhimento de mulheres, fortalecendo o direito de ocupar os espaços de lazer, cultura e convivência na Maré.

Denunciar, não se calar
São vários tipos de violência contra as mulheres, sobretudo contra as negras e as pessoas LGBTQIA+.

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