O objetivo é fortalecer o protagonismo de jovens moradoras de favelas, estimulando nelas a confiança para ocupar espaços públicos, narrar suas próprias histórias e ampliar as possibilidades de transformação social a partir da arte.
O grupo é formado por dez jovens artivistas, com idades entre 15 e 20 anos, moradoras da Maré e do Alemão.
Por meio de oficinas variadas, de colagem a dança, teatro e outras linguagens, o projeto estimula a expressão artística como ferramenta de elaboração coletiva e de intervenção social, articulando práticas estéticas e reflexões sobre justiça reprodutiva, de gênero, racial e climática.
Mais do que oferecer oficinas, o projeto busca consolidar um processo de formação crítica e afetiva que reconhece a arte como linguagem política e o corpo como território de resistência e criação.
Outro ponto central é compreender a relação entre o ativismo feminista liderado por jovens, a expressão artística e a prevenção da Violência Baseada em Gênero (VBG). Os esforços empíricos incluem a identificação das experiências vividas e dos fatores sistêmicos da VBG entre jovens nas favelas, bem como a documentação de intervenções criativas e feministas existentes.
Metodologicamente, o projeto desenvolve uma abordagem de "encontros criativos entre jovens" para explorar como práticas culturais e artísticas podem ser mobilizadas para inspirar e sustentar o ativismo. Os insights obtidos subsidiarão a criação de um conjunto de ferramentas metodológicas produzido por jovens mulheres da Maré para orientar iniciativas semelhantes.
Nesse sentido, estão em andamento o desenvolvimento de três ações:

O projeto no Festival Mulheres do Mundo
O projeto Jovens Artivistas estabelece uma relação estratégica com o Festival WOW – Mulheres do Mundo na Maré, fortalecendo a participação de jovens mulheres da Maré e do Complexo do Alemão na criação e condução de espaços públicos de fala, arte e incidência. Além de apresentar uma performance artística durante o encontro realizado em outubro de 2025, as participantes atuaram ativamente na construção da programação do festival, contribuindo para que as vozes e experiências das mulheres de favelas atravessassem o evento em diferentes linguagens e formatos. As jovens também conduziram uma oficina de bandeiras, preparando intervenções visuais para a Marcha das Mulheres Negras, realizada em Brasília, em novembro de 2025, e participaram de mesas de debate, compartilhando reflexões sobre arte, território e justiça de gênero. Essa presença múltipla — artística, política e curatorial — expressa o sentido do projeto: garantir que as jovens não sejam apenas convidadas a participar, mas reconhecidas como autoras e influenciadoras das agendas culturais e feministas do seu tempo.
A história do Brasil é marcada por processos de resistência popular, nos quais mulheres negras e periféricas desempenharam e seguem desempenhando papéis fundamentais na luta por direitos. A Maré, o maior conjunto de favelas do Rio de Janeiro, e o Complexo do Alemão carregam em suas trajetórias a força da ação coletiva e do ativismo liderado por mulheres que, ao longo das décadas, desafiaram desigualdades estruturais e construíram redes de luta e cuidado para a defesa da vida, do território e dos direitos.
Desde o enfrentamento à violência estatal até a conquista de serviços básicos, como saneamento e eletricidade, as histórias de luta das mulheres da Maré e do Alemão são exemplos de ativismo comunitário que não apenas garantem melhorias nas condições de vida, mas também produzem formação política. Pensar o ativismo nesses territórios significa reconhecer que a resistência nasce no cotidiano, no enfrentamento das injustiças e na invenção de estratégias coletivas para a transformação social.
O Conjunto de Favelas da Maré e o Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, são territórios de disputa, e também de criação, onde a arte se entrelaça à política como ferramenta de denúncia, mobilização e valorização da identidade e da memória locais.


A experiência das Jovens Artivistas demonstra que a arte, quando vinculada à luta política, é capaz de abrir caminhos de transformação nos territórios populares. Ao reunir jovens da Maré e do Alemão em um processo de criação, o projeto reafirma que a resistência é também uma prática coletiva, que se fortalece no compartilhamento de saberes, dores, conquistas e experiências.
Nesse sentido, cada oficina deixa de ser apenas um espaço de produção estética para se tornar um laboratório de justiça e cuidado coletivos, em que as vozes das meninas e mulheres são reconhecidas como centrais na construção de um futuro mais digno. Se a história das mulheres negras e periféricas sempre esteve marcada pelo enfrentamento das desigualdades estruturais, o protagonismo das Jovens Artivistas dá continuidade a esse legado, mas também o reinventa: através da arte, as jovens não apenas narram sua realidade, mas produzem novas possibilidades de existir nos territórios que habitam. Ao final, o que se afirma é um horizonte de luta e criação no qual justiça, cuidado e memória caminham juntos, fortalecidos pela ação coletiva que as jovens mulheres estão construindo.
A arte é ferramenta de resistência, mas também de cuidado e de elaboração coletiva. Mais do que formar artistas, o projeto aposta na arte como modo de existência e de fortalecimento de vínculos comunitários, criando redes de apoio e imaginação.
Desenvolvido pela Casa das Mulheres da Maré, o projeto Jovens Artivistas conta com uma importante parceria internacional com as universidades inglesas King’s College London e Queen Mary University e as organizações The WOW Foundation e People’s Palace Projects. De forma colaborativa entre os dois países, a articulação une práticas estéticas, reflexões sociais e ação política.
Em outubro de 2025, um grupo representando as Artivistas viajou para Londres e Durham, na Inglaterra, para acompanhar uma edição britânica do Festival Mulheres do Mundo WOW fundado em 2010, no Reino Unido. Durante esse intercâmbio, as jovens participaram de oficinas de cinema, sapateado, dança e pintura e apresentaram sua performance artística Desencaixando opressões. Ainda na oportunidade, o grupo brasileiro trocou experiências com outras dez meninas moradoras de Durham, também integrantes do projeto junto à Fundação WOW e a King’s College.
Pesquisadora: Julia Leal
Produtora: Stéfany Silva
Mediadora artística: Dayana Sabany
Artivistas: Alessandra Maria Silva de Oliveira, Ana Beatriz Alves do Nascimento, Anna Clara da Silva Cordeiro, Fernanda Luiza Viana Ferreira, Laryssa Maia Donato Manoel, Letícia Vitória Silva Guimarães, Raquel Marreiro Rodrigues da Silva e Thayssa Cristina Magalhães Pereira.
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