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Redes da Maré realiza 3º Congresso Internacional Falando Sobre Segurança Pública com Crianças e Adolescentes na Maré

Gleusa Santos

Edição: Adriana Pavlova | Fotos: Patrick Marinho

Tarde na Areninha Herbert Vianna é marcada por vozes jovens, escuta coletiva e debates para fortalecer a construção de políticas públicas

Na tarde do dia 23 de março, o  Congresso Internacional Falando Sobre Segurança Pública com Crianças e Adolescentes na Maré , promovido pela Redes da Maré, ocupou a Areninha Cultural Herbert Vianna com vozes, cores e imaginação. Mesmo diante de um cenário de uma desmobilização inicial no território — em que, apesar da falta de confirmação oficial de operação policial, as escolas públicas convidadas optaram por não comparecer com seus alunos — o encontro foi realizado com um público entusiasmado, reafirmando a importância de ocupar os espaços com vida, arte e criação, expressões potentes da infância.

 

 

O congresso mobilizou crianças e jovens dos projetos realizados pela Redes da Maré na própria Areninha, além de meninos e meninas atendidos pela instituição parceira também da Maré, o Projeto Uerê, mães, pais e responsáveis. Foi um espaço coletivo de diálogo sobre as violências que atravessam o cotidiano de moradores da Maré e sobre a necessidade de garantir direitos desde a Primeira Infância.

 

O evento foi aberto por Tainá Alvarenga, coordenadora do Eixo Segurança Pública e Acesso à Justiça da Redes da Maré e com a presença de Carlos Marra, gestor cultural e cerimonialista da atividade; Helena Edir, fundadora e diretora da Redes da Maré; Vitor Morais, produtor cultural, cofundador do Coletivo Manguinhos CRIA e articulador territorial do Pronasci Juventude; Tábata Lugão, coordenadora do Projeto Primeira Infância da Redes da Maré; e Marcos Kalil, oficial de proteção à criança e consultor do UNICEF no Rio de Janeiro e na região Sudeste, especialista em Direito da Criança e do Adolescente.

 

Durante a abertura, Helena Edir destacou a importância de seguir ocupando os espaços coletivos, mesmo diante das incertezas que marcam o cotidiano do território. Em sua fala, ela ressaltou os desafios históricos enfrentados pela população da Maré e a necessidade de persistir na luta por direitos. “É muito difícil falar de segurança aqui no nosso território. A gente já avançou muito ao longo dos anos, mas ainda não é aquilo que a gente merece. A gente merece muito mais, merece uma segurança digna como em outros lugares. E é por isso que seguimos lutando.”

 

Já Marcos Kalil falou sobre a importância da participação de crianças e adolescentes em debates sobre segurança pública e reforçou a necessidade de compreender as diferentes realidades da infância nos territórios.”Quando pensamos na participação de crianças e adolescentes em um tema tão decisivo para suas próprias vidas e para a comunidade, percebemos o quanto esse espaço é fundamental.” Ao relacionar a realidade de diferentes territórios, como o da população Yanomami e das favelas urbanas, a fala reforçou a importância de olhar para as infâncias a partir de suas especificidades e garantir políticas públicas que respeitem seus contextos e necessidades.

 

Ao longo da tarde, crianças e adolescentes participaram ativamente das atividades propostas por educadores, produzindo cartografias, fanzines e outros materiais marcados por afeto, imaginação e resistência, com o objetivo de registrar percepções, reflexões e demandas construídas coletivamente. Além de participar como ouvintes, estiveram à frente das atividades, compartilhando suas experiências e narrativas sobre o território. A construção coletiva dos materiais revelou a potência criativa das infâncias e destacou a importância de escutar suas vozes na formulação de políticas públicas e estratégias de proteção. Todo o material produzido durante o encontro será tema de uma futura exposição e de um fanzine.

 

Ao realizar o congresso em um espaço cultural aberto e acessível, a Redes da Maré reforça a importância de criar ambientes seguros e acolhedores, onde crianças e adolescentes possam expressar suas vivências, elaborar sentimentos e construir coletivamente novas possibilidades de futuro. Assim, a 3ª edição do congresso reafirma o compromisso da organização com a defesa dos direitos das crianças e adolescentes e com o trabalho de incidência para a construção de políticas públicas que considerem suas experiências reais. 

 

 

O encerramento do evento contou com a roda de capoeira Maré de Bamba, que colocou todo mundo para vibrar com a energia e a tradição da capoeira. O grupo, que frequentemente atua em eventos culturais no Rio de Janeiro sob a liderança de Mestre Jacaré, é conhecido por promover a integração através da música, roda de samba e capoeira.

O 3º Congresso Internacional Falando Sobre Segurança Pública na Maré é uma realização da Redes da Maré em parceria com o Projeto InfoCitizen, da Universidade de Antuérpia, na Bélgica, a Cátedra Patrícia Acioli do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Instituto Galo do Amanhã e a Open Society Foundations.

 

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