Atividade do projeto Nas Ondas da Maré parte de demandas observadas por equipes da Redes da Maré e dialoga com dados do diagnóstico Primeira Infância na Maré
A equipe do projeto Nas Ondas da Maré, do Eixo Educação, promoveu a formação “O impacto das telas na infância e adolescência” para 25 tecedores da Redes da Maré, com o objetivo de aprofundar o debate sobre os efeitos do uso excessivo de telas entre crianças e adolescentes. Conduzida pelo educador Pedro Barros, a atividade aconteceu no dia 27 de abril, na Sala Lia Rodrigues, no Prédio Central.
O encontro reuniu tecedores que atuam na Bebeteca e nos equipamentos do Eixo Arte, Cultura, Memórias e Identidades. Ao longo da formação, o grupo discutiu como redes sociais, celulares e outras tecnologias digitais influenciam comportamentos, relações e formas de convivência de crianças e adolescentes.
Uma das premissas centrais trabalhadas foi a de que as redes sociais não são espaços neutros. Durante o encontro, Pedro Barros chamou atenção para a lógica mercadológica que orienta essas plataformas, criadas para manter usuários conectados pelo maior tempo possível e gerar lucro a partir da disputa pela atenção.


Além da reflexão sobre os impactos das telas, a atividade abriu espaço para pensar estratégias práticas de cuidado. A proposta foi construir caminhos para estimular um uso mais consciente, seguro e equilibrado da tecnologia, considerando os desafios observados pelas equipes no trabalho com crianças, adolescentes e famílias da Maré.
Na Maré, esse debate dialoga com dados já identificados pela Redes da Maré no diagnóstico Primeira Infância na Maré: acesso a direitos e práticas de cuidado. Segundo o estudo, 42,4% das crianças de 0 a 6 anos têm o uso de telas, como celulares, computadores e tablets, entre suas atividades principais. A pesquisa aponta ainda que 45,4% das crianças nessa faixa etária assistem à TV como atividade principal, enquanto 1,8% jogam videogame.
O diagnóstico também indica que o tempo de exposição às telas precisa ser compreendido em relação às condições de vida no território. Entre os possíveis fatores relacionados ao uso excessivo estão o acesso limitado a outras formas de lazer, a sobrecarga de responsáveis e cuidadores e a falta de informações sobre os impactos do uso prolongado de dispositivos eletrônicos na infância.
Para além dos dados, a realização da formação foi impulsionada por demandas concretas identificadas no cotidiano das equipes da Biblioteca Popular Escritor Lima Barreto e da Bebeteca, que identificaram o uso de telas na infância como um tema recorrente no cotidiano dos atendimentos. Antes de levar a discussão às famílias, as equipes reconheceram a importância de aprofundar seus próprios conhecimentos sobre o assunto.
Para a coordenadora do projeto “Primeiras Infâncias da Maré: Cuidado, Bem-Estar e Incidência Política", Tábata Lugão, o encontro permitiu que as equipes compartilhassem percepções sobre um tema que cruza o cotidiano do trabalho e das famílias cuidadoras do território. “Trocamos sobre dificuldades que atravessam não só o cotidiano do trabalho, mas também as nossas vidas e as vidas das famílias cuidadoras da Maré diante do mau uso ou do uso descontrolado das telas”, afirma.
Segundo ela, a formação também foi importante por reunir equipes que atuam diariamente com crianças e adolescentes da Maré em atividades de arte, cultura e livre brincar. “Em um mundo mergulhado nas telas, pode ser desafiador propor atividades desconectadas”, completa.
A atividade buscou ampliar o olhar crítico e qualificado dos participantes e promover um potencial de replicação, possibilitando que os conhecimentos compartilhados sejam multiplicados em diferentes contextos, por outros profissionais e em diversos equipamentos do território, ampliando o alcance e o impacto positivo da iniciativa.
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