voltar
Redes da Maré toma posse no CMDCA-Rio e reforça incidência por direitos das crianças e dos adolescentes que vivem em favelas

Gleusa Santos

Com representação da sociedade civil no mandato 2026–2028, a Redes da Maré passa a integrar a Comissão de Políticas Públicas do Conselho e amplia atuação em agendas ligadas à primeira infância e à garantia de direitos

A Redes da Maré tomou posse, nesta segunda-feira (11/05), para um novo mandato (2026–2028) no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente do Rio de Janeiro (CMDCA-Rio), reforçando sua atuação em um espaço estratégico de formulação, acompanhamento e controle social de políticas públicas voltadas à infância e adolescência no município. A cerimônia ocorreu durante a Assembleia Ordinária do Conselho, no auditório do subsolo do Centro Administrativo São Sebastião (CASS), reunindo representantes do poder público e da sociedade civil eleitos para a nova composição do órgão.

Reeleita em votação realizada em 15 de abril, a Redes da Maré inicia seu segundo mandato consecutivo no Conselho (2026–2028), após conquistar o 6º lugar, com 36 votos, em uma disputa com 15 candidaturas para 10 vagas destinadas à sociedade civil. Nesta nova gestão, a organização será representada por Aline Regina de Sousa, como conselheira titular, e Levi Germano, na suplência.

O CMDCA-Rio é um órgão colegiado responsável por formular, deliberar, acompanhar e fiscalizar políticas públicas voltadas à população infantojuvenil da cidade, promovendo articulações entre áreas como educação, saúde, assistência social, direitos humanos e meio ambiente.

Durante a abertura da cerimônia de posse, Márcia Pires, secretária executiva do CMDCA-Rio, destacou o papel histórico do Conselho na formulação e acompanhamento de políticas públicas voltadas à infância e adolescência, especialmente para grupos em situação de maior vulnerabilidade. Em sua fala, ela ressaltou avanços e agendas prioritárias atualmente em curso no Conselho. “Ao longo de sua trajetória, o CMDCA-Rio deliberou sobre políticas de atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica e sobre políticas voltadas a crianças e adolescentes em situação de rua. Atualmente, estamos revisando o Plano Municipal pela Primeira Infância e dando continuidade à criação do Grupo de Trabalho para o Plano de Enfrentamento ao Trabalho Infantil. O compromisso do CMDCA-Rio é aproximar as políticas públicas da população em situação de vulnerabilidade, fortalecendo a ligação entre sociedade e Estado e convidando todos a conhecer e participar ativamente da promoção, garantia e defesa dos direitos de crianças e adolescentes”, afirmou Márcia Pires.

Atuação da Redes da Maré no CMDCA - Rio

A recondução marca a continuidade de uma trajetória construída ao longo de mais de uma década no Conselho. A participação da Redes da Maré no CMDCA-Rio começou em 2011, em diferentes composições, consolidando uma atuação voltada ao fortalecimento da agenda de direitos humanos, infância e adolescência, especialmente a partir da realidade das favelas.

Ao longo do último mandato (2024–2026), a Redes da Maré contribuiu para debates sobre o financiamento das políticas públicas voltadas à infância e adolescência, medidas socioeducativas e os impactos da violência armada na vida de crianças e adolescentes em territórios populares. A organização também integrou a Comissão de Orçamento do CMDCA-Rio, participou do Grupo de Trabalho responsável pela elaboração do Diagnóstico da Situação das Crianças e dos Adolescentes da Cidade do Rio de Janeiro e colaborou na atualização do Plano Municipal pela Primeira Infância.

Para a organização, a permanência no Conselho fortalece a contribuição de experiências construídas nos territórios populares para a formulação de políticas públicas voltadas à garantia integral de direitos de crianças e adolescentes que vivem em favelas e outros contextos vulneráveis.

“A partir dos diagnósticos, pesquisas e demais produções desenvolvidas ao longo dos anos, a Redes acumula conhecimentos importantes que podem contribuir diretamente para o fortalecimento do trabalho realizado pelo Conselho. Para mim, é muito significativo ocupar esse espaço e poder contribuir para que o olhar sobre crianças e adolescentes moradores de favelas esteja presente nas discussões e decisões do CMDCA-Rio. Estamos falando de infâncias atravessadas por desafios específicos, como a violência armada, a ausência de espaços de lazer e o acesso desigual a direitos fundamentais”, afirma a conselheira Aline Regina de Sousa.

Prioridades para o mandato 2026-2028

Durante a gestão 2026–2028, a Redes da Maré fará parte da Comissão de Políticas Públicas do CMDCA-Rio, ampliando sua atuação em um espaço estratégico para a proposição, acompanhamento e fortalecimento de políticas públicas voltadas à promoção e garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes.

Entre as prioridades do novo mandato, a Redes da Maré pretende fortalecer a incidência em políticas voltadas à primeira infância, levando para os espaços de formulação e monitoramento das políticas públicas os aprendizados construídos no território. Segundo Aline Regina, um dos objetivos é garantir que as especificidades das infâncias nas favelas estejam contempladas no planejamento do município. “Queremos contribuir para que os aprendizados e evidências produzidos no território através do Diagnóstico da Primeira Infância nas Favelas da Maré e do Plano Participativo para a Primeira Infância da Maré possam incidir na construção do 2º Plano Municipal pela Primeira Infância do Rio de Janeiro, garantindo que as realidades das favelas sejam consideradas nesse processo.”, explica.

A recondução ao CMDCA-Rio reafirma o compromisso da Redes da Maré com a incidência política e com a construção de políticas públicas mais conectadas às realidades de crianças e adolescentes das favelas e demais territórios populares do Rio de Janeiro.

Para Levi Germano, da área de Incidência Política da Redes da Maré e conselheiro suplente da organização no CMDCA-Rio, a permanência no Conselho fortalece a presença das experiências construídas nos territórios populares em espaços de formulação de políticas públicas. “A reeleição da Redes da Maré representa o reconhecimento do trabalho que a organização vem desenvolvendo no campo dos direitos da criança e do adolescente ao longo dos anos. Desde 2011, a instituição participa do CMDCA-Rio, contribuindo diretamente, por meio dos mandatos da sociedade civil, para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à infância e adolescência. Esse novo ciclo também reafirma uma trajetória de continuidade, agora no segundo mandato consecutivo da Redes no Conselho”, afirma Levi Germano.

Um dos desafios do novo mandato será ampliar a incidência política em agendas estratégicas relacionadas à infância e adolescência, especialmente a partir da atuação da organização na Comissão de Políticas Públicas do CMDCA-Rio. “Para o próximo mandato, um dos nossos desafios será a atuação na Comissão de Políticas Públicas, ampliando o acompanhamento e a incidência em pautas estratégicas, como o Plano Municipal pela Primeira Infância, o Diagnóstico da Situação das Crianças e dos Adolescentes da Cidade do Rio de Janeiro e o Comitê Gestor da Lei da Escuta Protegida (CGLEP-Rio), entre outras agendas acompanhadas pela Comissão. Esse espaço nos permite levar não apenas o olhar da Maré, mas também as perspectivas e demandas de crianças e adolescentes que vivem em favelas e periferias do Rio de Janeiro. É uma oportunidade estratégica para seguir incidindo pela efetivação dos direitos das crianças e dos adolescentes da Maré e de outros territórios populares da cidade”, completa Levi.

Fique por dentro das ações da Redes da Maré! Assine nossa newsletter!