Visita ao Laboratório Numats aproximou pesquisadoras do CliMaré de soluções sustentáveis que poderão ser aplicadas em casas da Maré para reduzir calor e umidade
As agentes climáticas e pesquisadoras do projeto CliMaré, desenvolvido pelo Eixo Direitos Urbanos e Socioambientais (DUSA), da Redes da Maré, visitaram, na manhã de 4 de maio, o Núcleo de Ensino e Pesquisa em Materiais e Tecnologias de Baixo Impacto Ambiental na Construção Sustentável (Numats), vinculado à Escola Politécnica e à Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A visita teve como objetivo aproximar as agentes de uma tecnologia de revestimento mais sustentável, pensada para melhorar o conforto térmico dentro das casas, especialmente em relação ao calor e à umidade, problemas presentes em muitas moradias da Maré.
Reconhecido pela atuação em pesquisas sobre materiais, estruturas e tecnologias construtivas sustentáveis, o Numats desenvolve soluções de baixo impacto ambiental voltadas tanto ao interesse social quanto à construção civil. Durante a visita, as agentes conheceram biomateriais como madeira, bambu, fibras naturais e casca de arroz, além de entenderem diferenças entre o concreto tradicional e alternativas que utilizam menor quantidade de cimento.


As pesquisadoras foram recebidas por Lucas Menegatti, pesquisador da área de Engenharia Civil, que apresentou placas desenvolvidas com terra e serragem de madeira. A proposta é combinar as propriedades dos dois materiais: a terra contribui para o controle da umidade e para a estabilidade térmica dos ambientes, enquanto a serragem melhora o isolamento térmico e reaproveita um resíduo que normalmente seria descartado.
“Estamos trabalhando com materiais mais sustentáveis e acessíveis, buscando soluções que façam sentido para a realidade local. A ideia é justamente desenvolver uma tecnologia que possa trazer benefícios reais para os moradores, pensando em conforto, qualidade de vida e sustentabilidade”, afirmou Lucas.
Segundo o pesquisador, o principal benefício esperado é a melhoria das condições internas das moradias. “Esses revestimentos podem ajudar a reduzir a sensação de calor excessivo e também auxiliar no controle da umidade dos ambientes, o que influencia diretamente no bem-estar das pessoas”, explicou.
Ao longo da visita, as agentes do CliMaré acompanharam o processo de produção das placas e conheceram etapas de preparação, composição e avaliação dos materiais. “Foi um momento importante para as agentes do projeto terem essa oportunidade de conhecer a tecnologia que vai ser instalada nas casas. Todas puderam ver como é o processo e o material utilizado na construção do revestimento, tendo essa manhã de conhecimento”, afirmou Kátia Lopes, coordenadora de campo do projeto.


Para Lucas Menegatti, iniciativas como essa ajudam a romper a ideia de que pesquisa, ciência e tecnologia estão distantes da realidade das favelas. Ao acompanhar o processo de desenvolvimento dos revestimentos, as moradoras passam a participar de forma mais ativa da construção de soluções para problemas vividos no cotidiano. “Existe muito interesse, curiosidade e vontade de entender como essas soluções podem melhorar a qualidade de vida das pessoas. Quando os moradores participam e acompanham esse processo, a tecnologia deixa de ser algo distante e passa a fazer parte da realidade deles também”, destacou.
As agentes também conheceram os laboratórios do Numats, que reúnem estudantes de graduação, pós-graduação e pesquisadores de diferentes áreas em uma perspectiva interdisciplinar. O espaço desenvolve tecnologias de baixo impacto ambiental com potencial de aplicação em contextos urbanos diversos, incluindo territórios populares.


Para Luana Carnaúba, agente climática e pesquisadora do CliMaré, moradora da Nova Holanda, a visita contribuiu para fortalecer o papel das jovens na circulação de informações e no diálogo no território: “A visita foi edificante e mostrou essa tecnologia de uma forma clara, para que possamos repassar como funciona para os moradores”, disse Luana.
A aproximação entre universidade, pesquisa aplicada e território é um dos pontos centrais do CliMaré, que busca produzir conhecimento a partir das vivências locais e das urgências socioambientais da Maré. No caso dos revestimentos, a proposta é que a tecnologia seja instalada em até quatro casas do território, permitindo observar seus efeitos na prática.

Menegatti também afirmou que o contato das jovens com o laboratório também pode abrir novas possibilidades de interesse pela ciência, pela universidade e pelo desenvolvimento de soluções voltadas às favelas: “Durante a visita, mostramos desde o processo de produção das placas até os testes que fazemos para avaliar o desempenho dos materiais. Acho importante que os jovens possam conhecer de perto um laboratório de pesquisa e perceber que a ciência também pode dialogar com os problemas reais do dia a dia.”
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS @ 2025 REDES DA MARÉ - Associação Redes de Desenvolvimento da Maré
As imagens veiculadas neste site tem como objetivo divulgar as ações realizadas para fins institucionais. Entendemos que todas as fotos e vídeos têm o consentimento tácito das pessoas aqui fotografadas / filmadas, mas caso haja alguém que não esteja de acordo, pedimos que, por favor, entre em contato com a Redes da Maré para a remoção da mesma (redes@redesdamare.org.br).