voltar
Nota Pública Redes da Maré sobre a Política de Segurança Pública no Rio de Janeiro

A Redes da Maré manifesta sua indignação e profundo pesar diante das ações desrespeitosas do Governo do Estado do Rio de Janeiro na área  da segurança pública, direcionadas aos moradores de favelas. São, normalmente, intervenções         marcadas ostensivas e militarizadas, que têm resultado na violação sistemática dos direitos humanos, na destruição de vidas e no  aprofundamento das negligências quando se trata da efetivação dos direitos das populações empobrecidas do país. Na última semana, a trágica situação em que uma pessoa foi morta e outra atingida por tiros dentro do campus da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) expôs, mais uma vez,  certo desespero, mas também, o insucesso  de uma política de segurança pública que aposta no confronto armado como solução para a violência urbana. A Fiocruz, um espaço dedicado à ciência e à saúde pública, foi palco de mais uma tragédia que poderia ter sido evitada. Este evento evidencia a gravidade da violência estatal que vivemos, que amque qual  tem atingido contextos e    instituições de relevância nacional e internacional. No período de  10 ae 13 de janeiro, o conjunto de favelas da Maré foi novamente alvo de operações policiais que deixaram um rastro de medo e destruição. A operação do dia 10, que mobilizou diversas unidades especializadas da PMERJ e PCERJ, resultou em sérias violações de direitos, incluindo invasão de domicílios, danos ao patrimônio e terror psicológico para os moradores. Hoje, 13 de janeiro, poucos dias depois, outra incursão policial na Maré reforçou o estado de constante tensão e insegurança a que as favelas são submetidas.

Os gestores da da  política de segurança pública iniciam o ano de 2025 repetindo os mesmos erros do ano passado. São padrões de violações, como o cenário de 2024,  com mais de 42 dias de operação policial, sendo 13 delas consecutivas, 20 pessoas mortas, 30 dias de postos de saúde fechados e 37 dias de escolas fechadas, impactando a vida de milhares de moradores.

Durante a operação policial de hoje, 13/01, a Redes da Maré registrou diversas denúncias de moradores, incluindo invasão de domicílios, violência psicológica e danos ao patrimônio. Essas operações, longe de garantirem segurança, têm se mostrado ineficazes na resolução de problemas estruturais como o tráfico de drogas e o roubo de cargas. Pelo contrário, resultam em mortes, traumas e na violação de direitos fundamentais, como o direito à vida, à liberdade e à segurança.

A Redes da Maré reitera que a aposta em uma política de segurança pública centrada na repressão e na violência é um equívoco que perpetua o ciclo de pobreza e  escala a violência  nas favelas. É urgente a implementação de políticas públicas que priorizem a vida, a dignidade humana e o desenvolvimento social, através de investimentos em educação, saúde, cultura e oportunidades de emprego.

Apelamos às autoridades competentes para que reavaliem as estratégias de segurança pública, optando por ações que respeitem os direitos humanos e promovam a paz e o bem-estar das favelas, assim como as demais localidades do nosso país. Não podemos aceitar que vidas sejam ceifadas e que a violência seja naturalizada em territórios historicamente negligenciados. marginalizados.

 

Entenda os impactos das intervenções policiais na Maré (42ª operação policial na Maré termina com quatro mortes e apenas uma foi periciada) leia AQUI

 

Redes da Maré, 13 janeiro de 2025.

Fique por dentro das ações da Redes da Maré! Assine nossa newsletter!