Debater os aspectos fundamentais para a efetivação da educação inclusiva nas escolas públicas municipais do Rio de Janeiro foi o objetivo do encontro promovido pelo Projeto Mapa da Inclusão Escolar, uma articulação entre saúde e educação da Fiocruz, realizado no dia 4 de maio de 2026, na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz). A atividade reuniu 40 pessoas, incluindo responsáveis por crianças com deficiência e neurodivergentes, além de representantes de movimentos e organizações sociais e comunitárias, como a Redes da Maré, o MIL – Movimento de Inclusão Legal, Fórum Estadual de Mães Atípicas, Especiais da Maré e Inclusão que Move. Houve relatos e trocas sobre as condições reais de acesso ao atendimento educacional especializado.

Um dos pontos altos do encontro foi a apresentação de uma pesquisa com o objetivo de construir um diagnóstico e desenvolver uma plataforma digital georreferenciada, capaz de mapear os recursos inclusivos das escolas municipais do Rio de Janeiro. A ferramenta deverá identificar estruturas como acessibilidade, salas de recursos, presença de agentes de educação especial e número de estudantes incluídos, além de funcionar como instrumento de transparência, apoio à gestão pública e incidência política junto às Coordenadorias Regionais de Educação e à Secretaria Municipal de Educação.
A representante da Redes da Maré foi Aline Regina Alves de Sousa, coordenadora do projeto Primeiras Infâncias da Maré e da Bebeteca, conselheira do CMDCA Rio e mãe atípica. Sua participação reforça a importância de que vozes diretamente atravessadas por esses desafios estejam no centro do debate, contribuindo com experiências concretas e perspectivas fundamentais para a construção de políticas públicas mais eficazes.
O debate foi central no encontro, evidenciando desafios recorrentes enfrentados por famílias e movimentos sociais, como a necessidade de uma inclusão efetiva, entendida como direito e não favor, a fragilidade na articulação entre educação e saúde e a falta de profissionais especializados. Também foram destacadas barreiras estruturais e pedagógicas nas escolas, incluindo ausência de acessibilidade, falta de materiais e acolhimento, inexistência de planejamento educacional individualizado adequado, formação insuficiente das equipes, dificuldades de permanência dos estudantes, além de relatos de bullying, laudos tardios e mediação inadequada. Soma-se a isso a importância de considerar as particularidades dos territórios, onde fatores como a violência armada impactam diretamente o acesso à educação. Como encaminhamentos, propôs-se a criação de mecanismos de busca por proximidade entre residência e escola na plataforma, a produção de materiais informativos para os responsáveis e a continuidade dos debates para fortalecer a construção coletiva da iniciativa.
Como destaca Aline Regina, “a educação inclusiva é um direito garantido, mas, na prática, ainda enfrenta muitos obstáculos para se concretizar. O que escutamos no encontro reforça a urgência de fortalecer a articulação entre educação e saúde, garantir profissionais qualificados e considerar as realidades dos territórios, onde fatores como a violência também impactam o acesso à escola. A participação da Redes da Maré nesses espaços é fundamental para que essas questões sejam visibilizadas e contribuam para a construção de políticas públicas mais efetivas.”
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