Festival realizado pela Redes da Maré com patrocínio do BNDES está entre os quatro indicados ao prêmio World Culinary Awards; votação popular termina às 20h do dia 13 de agosto
O Comida de Favela, festival que transforma o Conjunto de Favelas da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, em um circuito gastronômico, concorre ao título de Melhor Festival Culinário da América Latina de 2026 no World Culinary Awards. A iniciativa realizada pela Redes da Maré, com patrocínio do BNDES, é uma das quatro finalistas da categoria e pode receber votos do público até as 20h do dia 13 de agosto, no horário de Brasília.



Criado para valorizar a cultura alimentar da Maré e fortalecer o ecossistema dos empreendimentos gastronômicos do território, o Comida de Favela chega à quarta edição em 2026. Entre 1º e 30 de outubro, 16 estabelecimentos participarão de uma programação que inclui circuitos gastronômicos realizados nos fins de semana, visitas aos empreendimentos e votação para a escolha do melhor prato da edição.
A indicação internacional reconhece uma experiência construída a partir da economia, da memória e dos conhecimentos produzidos dentro da favela. Dos 3.182 empreendimentos identificados pelo Censo de Empreendimentos da Maré, 1.118 estão ligados ao setor de alimentação. O número corresponde a mais de um terço dos negócios mapeados no território e demonstra a centralidade da gastronomia na vida cotidiana dos moradores e moradoras da Maré e, também, no desenvolvimento econômico e cultural das favelas.

A culinária mareense reúne tradições trazidas pelas migrações nordestinas, memórias da pesca na Baía de Guanabara, influências indígenas e afro-brasileiras e receitas transmitidas entre gerações. Ao inserir bares, restaurantes, lanchonetes e outros negócios locais em um circuito comum, o festival amplia a circulação de pessoas pelo território e dá visibilidade aos empreendedores responsáveis por manter essa cultura alimentar viva.
“O Comida de Favela é uma celebração da cultura alimentar mareense. A gente quer dar visibilidade para esse ecossistema empreendedor, para os saberes das mulheres e para a ancestralidade nordestina que fazem parte da gastronomia da Maré”, afirma Mariana Aleixo, coordenadora da Casa das Mulheres da Maré e uma das idealizadoras do festival.
Além do festival mareense, aparecem entre os indicados o Alimentarte Food Festival, da Colômbia; a Restaurant Week São Paulo; e o Salón del Chocolate, Cacao y Café, do Equador.

Gastronomia, trabalho e autonomia
O festival nasceu da experiência do Maré de Sabores, projeto da Redes da Maré que completa 16 anos em 2026. A iniciativa já formou cerca de 1.500 pessoas e promove formação profissional para cozinheiras, empreendedoras e merendeiras, articulando gastronomia, autonomia econômica, gênero, trabalho e segurança alimentar.
Desenvolvido na Casa das Mulheres da Maré, o projeto parte do reconhecimento de que muitos saberes culinários produzidos historicamente pelas mulheres foram tratados como obrigações domésticas, e não como qualificação profissional. As formações combinam técnicas gastronômicas com debates sobre direitos, divisão do trabalho, geração de renda e enfrentamento às desigualdades.

O Comida de Favela amplia esse trabalho ao colocar os empreendimentos locais no centro da programação e apresentar a Maré como um território produtor de referências gastronômicas, promotor de uma cadeia alimentar local e de circuitos curtos de produção, a partir da realidade dos espaços urbanos de favela. Mais do que uma competição entre pratos, o festival cria uma narrativa sobre o território a partir das histórias de quem cozinha, empreende e alimenta a população mareense.
Entre os selecionados para a edição de 2026 do Comida de Favela, que começa em outubro, estão o JB Salgados, com Feijão Verde com Galo Cozido; o Bom de Copo, com Carneiro; e a Pensão da Leninha, com Quiabada Cearense com Creme de Milho. A programação também reunirá pratos como Angu Baiano, do Angu do Pardal; Carne de Sol com Aipim e Feijão-de-Corda, da Carne de Sol da Dora; Croquete de Costela, do Castelo Lounge; Rabada, do Cheffona Gastrobar; e Pão de Alho Recheado de Costela, do FavelasRJ.
Os 16 empreendimentos selecionados participarão de um período de preparação para o festival, com consultoria profissional e orientações sobre organização e conservação dos alimentos, apresentação dos pratos e atendimento ao público. Na edição de 2024, a abertura da programação contou com uma aula-show da chef Kátia Barbosa, além da apresentação dos estabelecimentos e dos pratos participantes.
Ao projetar essas experiências para além do território, a indicação também reforça o lugar da Maré na gastronomia do Rio de Janeiro. “Existe essa centralidade da Maré, que não é uma invenção nossa. É um pouco como esse território se organiza na cidade”, afirma Mariana. Para ela, a participação no prêmio amplia a oportunidade de tornar reconhecidos os saberes, os empreendimentos e a cultura alimentar construídos na favela.
Sobre a premiação
O World Culinary Awards realiza em 2026 sua sétima edição. Criada como uma iniciativa associada ao World Travel Awards, premiação internacional do setor de turismo fundada em 1994, a iniciativa reúne categorias destinadas a restaurantes, destinos, festivais, instituições de formação e outras experiências gastronômicas.
Os vencedores são definidos pelo número de votos válidos recebidos durante o período de votação. Podem participar consumidores e profissionais ligados ao setor gastronômico. Para votar como integrante do público, é necessário fazer um cadastro gratuito utilizando um endereço de e-mail. De acordo com o regulamento, votos de profissionais do setor valem o dobro dos votos do público geral.
A votação de 2026 termina às 20h do dia 13 de agosto, no horário de Brasília.

Como votar no Comida de Favela
Período de votação: até 14 de agosto de 2026
Categoria: Latin America’s Best Culinary Festival 2026
Indicado: Comida de Favela
Realização: Redes da Maré
Patrocínio: BNDES

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS @ 2026 REDES DA MARÉ - Associação Redes de Desenvolvimento da Maré
As imagens veiculadas neste site tem como objetivo divulgar as ações realizadas para fins institucionais. Entendemos que todas as fotos e vídeos têm o consentimento tácito das pessoas aqui fotografadas / filmadas, mas caso haja alguém que não esteja de acordo, pedimos que, por favor, entre em contato com a Redes da Maré para a remoção da mesma (redes@redesdamare.org.br).