Redes da Maré participa de debate na Rio Innovation Week para discutir como a Educação de Jovens e Adultos pode contribuir para enfrentar desigualdades, ampliar oportunidades e fortalecer a economia brasileira
Em um dos principais eventos de tecnologia e inovação da América Latina, uma discussão chamou atenção para um desafio que permanece distante das agendas sobre futuro e desenvolvimento: a exclusão educacional de milhões de brasileiros. Realizado no dia 4 de agosto, durante a Rio Innovation Week, o painel “O Brasil pode inovar deixando 64 milhões para trás?” reuniu representantes da Fundação Roberto Marinho, Fundação Bradesco e Redes da Maré para refletir sobre o papel da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na construção de um país mais justo, produtivo e inclusivo.
O debate teve como ponto de partida um dado alarmante: cerca de 64 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não concluíram a educação básica. O número corresponde a aproximadamente 37% dessa população e revela um desafio que impacta não apenas as trajetórias individuais, mas também o desenvolvimento econômico e social do país. Os dados apresentados durante o encontro fazem parte de um estudo inédito da Rede EJA e Inclusão Produtiva, articulação nacional que reúne 16 organizações da sociedade civil, instituições de pesquisa e organismos multilaterais para fortalecer a EJA, da qual a Redes da Maré faz parte. O levantamento indica que a conclusão da educação básica por esse grupo poderia gerar um impacto significativo na economia brasileira, com o aumento da renda dos trabalhadores e redução da pobreza. Mais do que números, o estudo evidencia como a negação do direito à educação limita oportunidades, restringe o acesso ao mercado de trabalho e aprofunda desigualdades históricas.

Especialistas da Fundação Bradesco, Redes da Maré e Fundação Roberto Marinho durante painel na Rio Innovation Week
Ao longo do debate, as participantes defenderam que a Educação de Jovens e Adultos deve deixar de ser vista apenas como uma política educacional e passar a ocupar um papel estratégico nas agendas de desenvolvimento econômico e inovação. Para elas, o desafio não se resume à ampliação da oferta de vagas, mas exige políticas públicas integradas que garantam acesso, permanência e conclusão dos estudos.
Representando a Redes da Maré, a diretora Andréia Martins reforçou que organizações da sociedade civil podem contribuir para o aprimoramento das políticas públicas, mas não substituir o papel do Estado. "Ninguém que oferece educação de jovens e adultos fora do sistema público quer substituir o que é responsabilidade do poder público. Nosso papel é produzir conhecimento nos territórios, gerar evidências e contribuir para que as políticas públicas estejam cada vez mais alinhadas às necessidades reais da população."
As debatedoras também defenderam uma maior articulação entre governos, organizações da sociedade civil, setor privado e organismos internacionais para ampliar o alcance da EJA como política permanente de desenvolvimento e inclusão.
Ao encerrar o painel, Andréia Martins chamou atenção para outro dado que evidencia a urgência do tema: 1.098 municípios brasileiros ainda não ofertam Educação de Jovens e Adultos em suas redes públicas de ensino, apesar de a modalidade ser assegurada pela Constituição Federal e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação. O dado reforça que ampliar a oferta da EJA continua sendo um desafio para a efetivação do direito à educação e para a redução das desigualdades no país.
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS @ 2026 REDES DA MARÉ - Associação Redes de Desenvolvimento da Maré
As imagens veiculadas neste site tem como objetivo divulgar as ações realizadas para fins institucionais. Entendemos que todas as fotos e vídeos têm o consentimento tácito das pessoas aqui fotografadas / filmadas, mas caso haja alguém que não esteja de acordo, pedimos que, por favor, entre em contato com a Redes da Maré para a remoção da mesma (redes@redesdamare.org.br).