« voltar   10.09.2026
Redes da Maré integra programação da Conferência Internacional da Aids no Rio e recebe na Maré ativistas, pesquisadores e jornalistas

Gabrielle Gonçalves I Fotos: Gabi Lino

Participantes do principal evento global sobre Aids visitam território para conhecer projetos e ações para a garantia do direito à saúde dos moradores do conjunto de favelas

Na última semana de julho, o Rio de Janeiro sediou pela primeira vez o principal evento global sobre Aids, a 26ª edição da Conferência Internacional sobre Aids, e a Redes da Maré integrou a programação oficial do encontro organizado pela International Aids Society (IAS), para apresentar seu trabalho pela garantia do direito à saúde no Conjunto de Favelas da Maré. Participantes da conferência estiveram na Maré para conhecer de perto as ações e projetos. Um grupo de 15 ativistas e pesquisadores integrou o que foi chamado pelo evento de Tour Educacional, enquanto 19 jornalistas especializados em saúde e ciência de veículos de imprensa do Brasil e de fora  participaram de um roteiro especial pelo território. 

As visitas aconteceram entre os dias 29, 30 e 31 de julho, e começaram com a apresentação da história da Maré e do ativismo no território, passando em seguida às ações e projetos dos eixos de Direito à Saúde, Educação, Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça. Os grupos passaram pelo Prédio Central da Redes da Maré na Nova Holanda, Espaço Normal, Casa das Mulheres e Clínica da Família Diniz Batista dos Santos, para aprofundarem nas informações sobre a assistência de saúde na Maré. Houve também conversas com moradores e beneficiários de projetos da Redes da Maré. O dia 29 de julho foi dedicado à recepção dos delegados da IAS, que são responsáveis por observarem temas específicos na pauta de proteção a pessoas portadoras do vírus HIV-Aids. Os convidados conheceram a Clínica da Família Diniz Batista dos Santos, localizada entre as favelas Rubens Vaz e Parque União, para discutirem sobre a assistência à saúde na Maré. 

Nos dois últimos dias foi a vez de jornalistas de diferentes partes do mundo conhecerem o trabalho da Redes da Maré pelos direitos dos moradores do conjunto de favelas. No grupo de 19 profissionais havia 18 vindos de países como África do Sul, Inglaterra, Nigéria, Uganda, Argentina e Estados Unidos, responsáveis por cobertura de grandes veículos como os ingleses The Telegraph, The Guardian e a sul-africana South Africa Broadcasting Corporation. A representante brasileira foi a jornalista de saúde do jornal Folha de São Paulo, Cláudia Collucci. Para a coordenadora do Eixo de Direito à Saúde da Redes da Maré, Carolina Dias, as visitas dos jornalistas colaboram para a  criação de novas narrativas sobre o Conjunto de Favelas da Maré. A troca com moradores e representantes de uma organização de base comunitária como a Redes da Maré abrem caminhos para a construção de pautas enriquecedoras sobre a saúde nas favelas.

“A gente conseguiu dialogar com eles sobre a importância de ter um olhar ampliado para a saúde em favelas. Por trás dos números de infectados e da quantidade de diagnósticos, é preciso pensar, necessariamente, nas questões estruturais, como infraestrutura urbana, problemas com segurança pública, acesso à informação. Isso tudo conta histórias sobre a produção de saúde e doença nas favelas”, disse Carolina Dias sobre a importância de receber formadores de opinião na Redes da Maré.

No dia 30, os comunicadores foram apresentados à história da instituição por Douglas Oliveira, morador do território e tecedor da Redes da Maré, que uniu conhecimento territorial à luta política que deu origem à organização. Três beneficiários de projetos internos também deram seus depoimentos, enfatizando o impacto do trabalho territorial em suas vidas, e consequentemente, nos aspectos relacionados à saúde.

A ida ao Espaço Normal reforçou a importância da presença do grupo de jornalistas na Redes da Maré. O EN é o primeiro espaço de referência sobre drogas em territórios de favelas no Brasil, com um trabalho que  integra cuidado à saúde e valorização de demandas da população local. 

 

 

 

A partir da fala de Lilian Leonel, beneficiária do EN e também redutora de danos do espaço, os jornalistas materializaram o trabalho interdisciplinar desenvolvido pela Redes da Maré, que deve servir de insumo para a inspiração de pautas relacionadas à saúde. Anna Maria, jornalista associada ao Bhekisisa Centre for Health Journalism, um canal de mídia independente da África do Sul, destacou a relevância da metodologia dos projetos de saúde da Redes da Maré, que une conhecimento científico e territorial.

“Queremos compartilhar histórias que mudam a saúde e a política por meio da ciência, e é por isso que a 26ª Conferência Internacional de Aids, e especificamente, esta visita está sendo incrível. Ver como estas favelas estão lidando com os desafios da saúde brasileira e transformando-os em novas abordagens de cuidado tem sido fascinante e valioso”, disse a profissional sul-africana.

A parceria da Redes da Maré com a International Aids Society fez história: esta foi a visita com o maior número de jornalistas internacionais já realizada à organização desde sua criação oficial em 2007.

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