« voltar   29.09.2026
“Investir na juventude que mora em favela não é um gasto, é um investimento em desenvolvimento”, diz ministra da Igualdade Racial em visita à Maré

Ana Paula Carvalho

No Dia da Juventude do Brasil, ministra visitou equipamentos da Redes da Maré, dialogou com jovens do território e reforçou a importância de ações de promoção da justiça racial

A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, esteve na Maré nesta terça-feira (22) para uma agenda que reuniu memória, participação da juventude e diálogos sobre os caminhos para o futuro da juventude negra. Através de histórias contadas por Helena Edir, diretora da Redes da Maré, a programação revisitou o histórico de direitos conquistados ao longo dos anos no Conjunto de Favelas da Maré, e discutiu os desafios e as perspectivas para o futuro da juventude negra do território. 

A agenda começou na Casa Preta da Maré, equipamento que atua na produção de conhecimento sobre questões relativas à raça e ao racismo na região. Durante a visita, a ministra conheceu o espaço e as iniciativas desenvolvidas no local, além de conversar com as coordenações dos projetos sobre as experiências construídas a partir do território e os desafios enfrentados pela juventude negra.

 

Casa Preta como espaço de enfrentamento ao racismo estrutural

 

A Casa Preta da Maré surgiu em 2019, e tem como objetivo oferecer um espaço de formação para trabalhar as questões de raça na Maré. O equipamento busca, ainda, pensar ações para moradores do território, com destaque para a questão racial, impulsionando a incidência em políticas públicas para a população negra do conjunto de favelas.

Em entrevista ao Maré de Notícias, a ministra destacou o Plano Juventude Negra Viva (PJNV), estratégia voltada à promoção de direitos da juventude negra em diferentes dimensões. Rachel Barros também ressaltou a importância da formulação de políticas públicas voltadas às populações de territórios vulnerabilizados.

 

 

“Investir na juventude que mora em favela não é um gasto, é um investimento em desenvolvimento, porque esse é um território que sempre traz inovação e trabalho coletivo”, afirmou.

Ao abordar a atuação das organizações de favelas, como a Redes da Maré e seus equipamentos, a Ministra também destacou a contribuição desses projetos para a construção de políticas públicas de igualdade: “Tudo aquilo que as organizações de favela fazem é para o desenvolvimento territorial, então isso eu considero um ensinamento sobre a importância de promover políticas públicas de igualdade nesses territórios. Porque é daqui que a gente consegue enfrentar o racismo.”

A programação seguiu no Galpão RITMA, onde adolescentes e jovens atendidos pelo projeto Construindo Caminhos abriram a roda de conversa com a ministra. Durante a atividade, eles apresentaram desafios vivenciados no território e reivindicações relacionadas à garantia de direitos para a juventude. 

O encontro também reuniu representantes da Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), projeto do Observatório de Favelas, e do Luta pela Paz, além de integrantes do projeto Maré Por Justiça, projeto do Eixo Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça da Redes da Maré. A conversa abordou temas como garantia de direitos, juventude negra, acesso à justiça, políticas públicas para favelas e o Plano Juventude Negra Viva (PJNV).

Após as apresentações dos coletivos e organizações, a ministra Raquel Barros fez um pronunciamento sobre as ações do PJNV e destacou a importância da educação na construção de novos caminhos e perspectivas para a juventude.

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