O Laboratório de Experimentação e Inovação em Práticas Comunitárias da Maré é um espaço colaborativo voltado à formação de lideranças locais que atuam em âmbito coletivo. Partindo de uma metodologia que valoriza a diversidade e a escuta ativa, o LabMaré reúne indivíduos, grupos e coletivos para idealizar e executar ações conjuntas por meio da aprendizagem pela prática.
A primeira edição do Laboratório teve seis meses de duração e contou com a participação de 55 colaboradores. Nesse período, tornou-se um ambiente de construção coletiva, onde criatividade e prática social convergem para promover desenvolvimento sustentável e participação cidadã.
O projeto apoia iniciativas comunitárias por meio de formação, mobilização e investimento em metodologias inovadoras. Assim, contribui para a construção de um território autônomo e participativo, no qual moradores são protagonistas na busca pela garantia de seus direitos.
Além de consolidar aprendizagens e técnicas para formular, executar, mensurar e prestar contas de recursos em diferentes áreas, o LabMaré serve como espaço de teste para a criação de um Fundo Comunitário da Maré. A expectativa é que o fundo filantrópico — idealizado pela Redes da Maré — seja direcionado à preservação do patrimônio histórico das lutas locais. Ainda em fase de construção, o mecanismo pretende estabelecer investimento contínuo nas demandas emergentes do território.
Seminário LabMaré. Foto: @Gabilino
O objetivo do Laboratório é construir uma comunidade de prática e de aprendizagem na qual os participantes possam aprender entre si e, com isso, potencializar suas ações e saberes. Nesse contexto de colaboração, o percurso formativo é composto por mentores e pessoas convidadas para tratar de temas relacionados às demandas dos projetos.
A metodologia do LabMaré é baseada em princípios de participação, escuta ativa e construção coletiva. O processo formativo rompe com lógicas tradicionais e verticais, apostando em um modelo horizontal que valoriza os saberes do território e a criatividade como motor de transformação.
Os impactos do LabMaré são visíveis: mudança de vidas, fortalecimento de vínculos, baixa evasão e alto engajamento. A favela se reconhece no processo — na cultura, na saúde, na política. As iniciativas geradas não se encerram com o fim do laboratório; elas seguem como sementes de transformação plantadas no território. O compromisso é com a continuidade, com a autonomia dos projetos e com o enraizamento das ações no conjunto de favelas da Maré.
A composição diversa da equipe e o acolhimento das contradições são marcas do laboratório. Trata-se de uma proposta sem modelos prontos, adaptada às experiências e saberes existentes na própria Redes e entre os colaboradores.
O LabMaré é, portanto, mais do que um espaço de formação — é um instrumento de reinvenção social, de reconstrução de redes e de fortalecimento da ideia de que as pessoas da Maré podem e devem se sentir pertencentes ao seu território. Um território com iniciativas próprias, com capacidade de se organizar e propor mudanças significativas e duradouras. Após o sucesso do piloto, as próximas edições já estão sendo preparadas. Serão contemplados projetos relacionados à comunicação e popularização da Ciência e intervenções urbanas no território.
Legenda: Encontro no Colégio Estadual Professor João Borges, na Nova Holanda. Foto: @Dougloppes
Em 2024, a primeira edição do LabMaré promoveu um conjunto de atividades no Colégio Estadual Professor João Borges de Moraes, na favela da Nova Holanda. As ações foram elaboradas pelos participantes dos projetos, selecionados por meio de uma chamada pública ampla, alinhada com os cinco eixos e equipamentos da Redes da Maré.
Desse modo, iniciativas relacionadas à gestão de resíduos sólidos, hortas comunitárias e comunicação da ciência conviveram lado a lado com ações como clubes de leitura, ballrooms, aulas de esporte, oficinas de educação menstrual, documentários e intervenções urbanas.
O laboratório formou, estimulou e apoiou 12 projetos comunitários, que passaram por um processo formativo centrado em metodologias participativas e na valorização dos saberes locais. As ações desenvolvidas abriram espaço para debates importantes sobre a história de lutas da Maré, os processos de mobilização social e os horizontes coletivos de mudança, fortalecendo o protagonismo dos agentes do território.

#Afrofavela
O projeto tem como missão pensar e produzir práticas artísticas negras LGBTQIAPN+, ampliando a formação por meio de aulas práticas e atividades educativas ligadas especialmente às danças negras. Seus principais eixos incluem pesquisa, criação e produção de conhecimento metodológico, artístico, teórico e prático, com o objetivo de perpetuar o legado memorial e tecnológico inerente a modos de vida negros em territórios de favela, periferia e subúrbios.

#Atletas do Futuro
O projeto de incentivo ao esporte oferece aulas de vôlei, futsal, basquete, entre outros. Além de promover palestras de saúde e passeios esportivos e culturais, com objetivo de estimular hábitos saudáveis, habilidades motoras, autoconfiança e interação social de crianças e adolescentes mareenses. A saúde mental dos alunos também é cuidada, com a realização de oficinas sobre sentimentos e emoções.

#Ballroom na Maré
A iniciativa busca a valorização dos corpos negros, LGBTQIAPN+ e periféricos por meio da comunidade Ballroom, possibilitando uma nova possibilidade de olhar para esses grupos mediante os eventos, encontros de reflexão, rodas de conversa. Com o intuito de sensibilizar o público, as apresentações evidenciam a beleza desses corpos.

#Barbeiros: cortes de vida
O documentário retrata a trajetória de barbeiros do conjunto de favelas da Maré. Abordando temas como empreendedorismo, ascensão social e econômica, a obra mostra o cotidiano dos profissionais Duda e Rogério e a influência deles no território.

#Conecta Jovem
O projeto Conecta Jovem é composto por ciclos formativos mensais, divididos em reuniões semanais, que abordam temas essenciais para o desenvolvimento profissional dos jovens. Esses encontros proporcionam conhecimentos práticos e orientações para que possam ingressar no mercado de trabalho.

#Ecogerações
Eco Gerações é um projeto ligado ao jornalismo socioambiental proposto pela DIJO – Mídia Alternativa Periférica, realizado em parceria com colaboradores no Ginásio Tecnológico Olimpíadas 2016, uma escola localizada no Conjunto de Favelas da Maré. A iniciativa tem como objetivo informar e conscientizar os alunos sobre a crise ambiental e climática, com um foco especial nas questões que afetam diretamente o território mareense.

#Encontro das Artes
Encontro das Artes atua no Conjunto de Favelas da Maré com o objetivo de democratizar o acesso à arte e à cultura. No LabMaré, o projeto propôs a criação de um mural a céu aberto, resgatando memórias de personagens históricos da região para fortalecer a identidade e o sentimento de pertencimento dos moradores. A iniciativa busca valorizar o legado dessas figuras e ampliar o acesso da população local à diversidade artística e cultural.

#Horta Comunitária
A Horta Comunitária é um espaço de cultivo coletivo e sustentável de alimentos, que busca enfrentar desafios como insegurança alimentar, falta de acesso a alimentos saudáveis e desconexão com a natureza. O projeto conduz atividades práticas e educativas, promovendo, além de acesso a alimentos frescos, conscientização ambiental, fortalecimento e melhoria da qualidade de vida dos moradores.

#Jovem Cidadão
O programa Jovem Cidadão, dedicado à formação de lideranças para a transformação social, busca desenvolver jovens lideranças conscientes de seus direitos e deveres como cidadãos. Os estudantes passam por capacitação para atuarem ativamente na transformação social e política de seus territórios, e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva. Os ciclos formativos abordam temas sociopolíticos e dinâmicas em grupo com convidados que são referência nos temas discutidos.

#Leituras na Favela
A iniciativa tem como objetivo principal promover a formação de leitores críticos na Educação de Jovens e Adultos (EJA) na Maré. Compreendendo a leitura como um caminho para reflexão, autoestima, identificação e lazer, nesse momento de retomada escolar. O Leituras na Favela realiza rodas de leituras com distribuições de livros na Biblioteca Municipal Jorge Amado.

#Recriando Maré
As oficinas buscam transformar resíduos em recursos e qualificar mulheres na economia circular por meio do artesanato sustentável. Apostando no protagonismo feminino e na criação novas oportunidades econômicas para as participantes, moradoras da Maré

#Se Liga no Ciclo
Se Liga no Ciclo é um projeto que promove saúde e educação menstrual, sexual e reprodutiva, visando garantir dignidade menstrual e estimular o autocuidado nas favelas. Por meio de oficinas interativas, foram abordados temas como menstruação, ISTs e cuidados com o corpo, A metodologia adotada incentiva o diálogo para quebra de tabus e fortalecimento da autonomia
Coordenação Geral: Eliana Sousa Silva, Kelly Cristine Marques da Silva
Coordenação Executiva: Everton Pereira da Silva, João Sousa e Silva
Apoio Executivo: Alessandra Prado de Oliveira Silva
Coordenação Metodológica: Cinthia Mendonça
Mentores: Brenda Vitória Pacífico Pinto, Carlos Henrique Vieira da Cunha, Juliana Leite da Silva, Marcos Silva de Melo, Affonso Dalua
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