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Redes da Maré apresenta pesquisa sobre participação eleitoral em evento no Insper, em São Paulo

Bárbara Diniz l Fotos: Gabi Lino

Levantamento analisa os dados das eleições municipais de 2020 e mostra que o território comparece mais às urnas do que a média da cidade do Rio de Janeiro

Uma comitiva da Redes da Maré esteve em São Paulo, no dia 21 de maio, para participar do evento "Quem representa as periferias? Eleições e a participação política de territórios populares no Brasil", organizado pela Iniciativa Mulheres e Territórios do Laboratório Arq.Futuro de Cidades do Insper. O encontro foi aberto ao público e reuniu estudantes, professores, pesquisadores e representantes de iniciativas de territórios populares de São Paulo para discutir como as periferias participam dos processos eleitorais e quais obstáculos enfrentam para ter suas pautas representadas na política institucional. Cerca de 15 pessoas da Redes da Maré estiveram presentes para assistir a todo o encontro.

A mediação ficou com Evaniza Rodrigues, do Insper. Compuseram a mesa Fernanda Barros dos Santos, professora adjunta e vice-diretora do Núcleo de Estudos em Políticas Públicas em Direitos Humanos da UFRJ; Telma Hoyler, pesquisadora do Centro de Estudos da Metrópole da USP e professora no IDP-SP; e Lidiane Malanquini, coordenadora da área de Incidência Política da Redes da Maré, que apresentou os resultados da segunda edição da pesquisa Como Vota a Maré?

O estudo, produzido pela Redes da Maré em outubro de 2024, analisa os padrões eleitorais do conjunto de 15 favelas a partir dos dados das eleições municipais de 2020. O levantamento cruza dados do TRE-RJ com informações do Censo Populacional da Maré para mapear como o território vota, quem ele elege e quais barreiras estruturais interferem no exercício do direito político de seus moradores. "Produzir esse levantamento é uma forma de garantir que decisões que afetam o eleitorado da Maré sejam tomadas com base em evidências, não em percepções equivocadas sobre o território", afirma Lidiane.

A Maré comparece em peso nas urnas, mas isso pode mudar

Um dos pontos centrais da apresentação de Lidiane foi desmistificar a ideia de que territórios periféricos se ausentam das urnas. "A Maré comparece mais às eleições do que a média da cidade do Rio de Janeiro", afirmou ela. Nas eleições municipais de 2020, a taxa de abstenção na Maré foi de 30%, enquanto no restante da cidade chegou a 32,79%. A Maré não é o território apático que o senso comum descreve.

 

 

 

Por que é importante pesquisar, publicar e ocupar esses espaços

A Maré tem cerca de 140 mil habitantes, população maior do que 96% dos municípios brasileiros (Censo Maré, 2013). Conhecer como esse território vota, quem ele elege e quais barreiras enfrenta para exercer seus direitos políticos não é só uma questão de entendimento local, mas também de compreender como funciona a democracia nas periferias urbanas do país.

Produzir dados rigorosos sobre a participação política da Maré e apresentá-los em espaços acadêmicos como o Insper é mostrar na prática que o conhecimento gerado dentro do território tem valor e tem o que dizer ao debate público. Mais do que isso, a pesquisa funciona como instrumento de desmistificação: cada dado apresentado desfaz uma percepção equivocada sobre esses territórios e abre espaço para que políticas e decisões sejam tomadas com base na realidade, não no estereótipo.

Esse é o sentido de levar a pesquisa “Como Vota a Maré?” para além das fronteiras do território: construir referência, ampliar o debate e garantir que a Maré não seja apenas objeto de análise, mas protagonista da conversa sobre sua própria participação política.

A pesquisa Como Vota a Maré? — 2ª edição com dados das eleições de 2020 está disponível em Como Vota a Maré 2024

Confira a seguir os principais destaques da pesquisa sobre as eleições de 2020:

A favela conservadora é um mito

Há uma percepção generalizada de que as favelas votam de forma homogênea e conservadora. O segundo turno das eleições municipais de 2020 conta uma história diferente. Enquanto Eduardo Paes venceu Marcelo Crivella com 64,1% dos votos na cidade do Rio de Janeiro, dentro da Maré a disputa foi quase um empate: 50,4% para Paes e 49,5% para Crivella. O acirramento do resultado na Maré, bem acima da polarização verificada no restante da cidade, mostra um eleitorado que pesou cada voto com cuidado, não um território que segue uma corrente única.

Presença no território decide eleição, mas não garante cadeira

A análise dos votos para vereança em 2020 revela um padrão claro: os candidatos com melhor desempenho na Maré são aqueles com atuação contínua no bairro, que cultivam vínculos com a comunidade além dos períodos eleitorais. Entre os cinco mais votados, a única que se elegeu foi Teresa Bergher, com cinco mandatos como vereadora e presença histórica na região. Os demais, apesar do forte apoio local, não conseguiram traduzir esse resultado em votos suficientes no restante da cidade. Candidatos com vínculos reais com o território encontram dificuldade de transformar representatividade local em representação institucional.

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