PROJETO

O que é o Tecendo Soluções

A Redes da Maré desenvolve o Tecendo Soluções Climáticas na Maré para ampliar a infraestrutura verde do território e criar respostas efetivas aos efeitos das mudanças climáticas. O projeto é realizado pelo Eixo Direitos Urbanos e Socioambientais (Dusa) através do Programa Cidades Verdes Resilientes, do Ministério das Cidades. A Redes da Maré é a única organização da sociedade civil entre os 11 projetos selecionados pelo edital.

Até 2027, serão implantadas 37 Soluções Baseadas na Natureza em diferentes pontos da Maré: cinco telhados verdes, sete hortas comunitárias, 15 composteiras e 10 jardins de chuva. As intervenções respondem a problemas como calor extremo, alagamentos, descarte de resíduos orgânicos e falta de áreas verdes.

O projeto também forma jovens moradores como agentes climáticos. Eles participam dos diagnósticos, da mobilização comunitária e da definição dos locais que receberão as intervenções.

O Tecendo Soluções é o quarto projeto da Redes da Maré dedicado à agenda climática. Antes dele, iniciativas como Respira Maré, EcoClima e CliMaré produziram dados sobre o território e testaram tecnologias socioambientais. O novo projeto amplia essa experiência e leva as soluções para diferentes áreas da Maré.

37
Soluções Baseadas na Natureza
5
Telhados verdes
7
Hortas comunitárias
15
Composteiras
10
Jardins de chuva

37 soluções distribuídas pela Maré

As Soluções Baseadas na Natureza (SBNs) usam elementos e processos naturais para responder a problemas ambientais das cidades. Na Maré, elas serão instaladas em equipamentos públicos, espaços comunitários e outras áreas definidas a partir dos diagnósticos e da participação dos moradores.

Composteiras

15 unidades

Serão instaladas principalmente em escolas e espaços comunitários. Transformam resíduos orgânicos em adubo e também funcionam como ferramenta de educação ambiental. A experiência já existente no EDI Maria Amélia Castro e Silva Belford ajuda a orientar essa etapa. Duas composteiras instaladas na unidade chegaram a receber mais de 300 quilos de resíduos orgânicos em cinco meses e produziram cerca de 100 litros de fertilizante.

Jardins de chuva

10 unidades

Ajudam a absorver a água da chuva e melhorar a drenagem. Também aumentam as áreas permeáveis e verdes do território.

Hortas comunitárias

7 unidades

Serão implantadas em unidades de saúde e outros espaços coletivos. As hortas combinam produção de alimentos, educação ambiental e convivência comunitária. A horta da Redes da Maré na Vila do João já funciona como uma experiência desse tipo. O espaço reúne moradores, agentes ambientais e atividades de cultivo e deverá receber ações de educação ambiental.

Telhados verdes

5 unidades

Serão instalados em equipamentos comunitários e organizações locais. A vegetação ajuda a reter água da chuva e pode reduzir a temperatura dos ambientes.

Por que essas soluções são necessárias?

A adaptação climática depende das condições de cada território.

Na Maré, altas temperaturas, alagamentos, falta de arborização, descarte de resíduos e problemas de saneamento fazem parte da rotina de diferentes comunidades. Esses problemas foram registrados em pesquisas e atividades realizadas pela Redes da Maré ao longo dos últimos anos.

Em junho de 2026, por exemplo, moradores participaram de um mapeamento que identificou áreas de alagamento, pontos de calor, falta de água e locais de descarte irregular.

Os projetos anteriores do Dusa também ajudaram a construir esse diagnóstico. O Respira Maré produziu dados sobre as temperaturas no território. O EcoClima desenvolveu protótipos de composteira, telhado verde e biodigestor. O CliMaré passou a investigar a relação entre clima, saúde e condições das moradias.

Agora, o Tecendo Soluções Climáticas na Maré parte desse acúmulo para implantar soluções em maior escala.

Formação de agentes climáticos

Uma etapa fundamental do projeto é a Formação de Agentes Climáticos, voltada a jovens moradores da Maré entre 18 e 29 anos. A formação prepara os participantes para atuar na mobilização socioambiental e na implantação das tecnologias. O processo está dividido em três módulos.

Fundamentos e reflexão

Apresenta conceitos sobre mudanças climáticas e relaciona o tema às condições urbanas da Maré.

SBN: teoria e prática

Trabalha conteúdos de permacultura, agroecologia e tecnologias socioambientais.

Mobilização e pactuação comunitária

Prepara os agentes para produzir diagnósticos, dialogar com moradores e planejar as ações nos locais que receberão as soluções.

As atividades incluem aulas, rodas de conversa, caminhadas pelo território, visitas técnicas e saídas de campo. Os agentes também participam de intercâmbios com outras experiências de agricultura urbana e agroecologia.

Em uma das atividades, jovens do projeto visitaram a Horta Carioca do Morro do Salgueiro para conhecer técnicas de cultivo e manejo. Em outra, agentes do Tecendo e do CliMaré conheceram iniciativas de agrofloresta, compostagem e produção de alimentos na Serra da Misericórdia.

As soluções são definidas com o território

Os locais que recebem as intervenções são definidos com a participação dos agentes climáticos, moradores, organizações, profissionais de saúde, educadores e lideranças comunitárias.

Essa escuta interfere no próprio desenho das soluções.

Nas escolas, por exemplo, a implantação das composteiras considera a rotina de cada unidade, a equipe disponível e a forma como a tecnologia pode entrar no projeto pedagógico.

O mesmo princípio orienta outras intervenções. O objetivo é evitar intervenções isoladas e adaptar cada solução às condições do local.

Implantar é só uma etapa

Cada solução entra em monitoramento assim que é instalada.

Um responsável local participa do acompanhamento e da manutenção, em articulação com escolas, unidades de saúde, associações de moradores ou outros equipamentos envolvidos. A equipe técnica do projeto também acompanha o funcionamento das intervenções.

Esse cuidado é necessário para que hortas, composteiras, telhados verdes e jardins de chuva continuem funcionando depois da implantação. A manutenção também aproxima moradores das tecnologias e amplia o conhecimento sobre seu uso.

Uma experiência piloto de política climática

O Tecendo Soluções faz parte de uma experiência federal de implantação de Soluções Baseadas na Natureza em periferias urbanas.

A Redes da Maré é a única organização da sociedade civil entre os 11 projetos selecionados pelo Edital Periferias Verdes Resilientes. As demais experiências permitem testar diferentes formas de adaptação climática e produzir referências para ações públicas em outros territórios.

Essa participação também coloca o conhecimento produzido nas favelas dentro do debate nacional sobre política climática.

Depoimentos

 

“Eu sempre quis trabalhar com horta e compostagem, dar um destino aos resíduos sólidos. Também trabalhar o jardim de chuva, num território que não tem calçadas, isso é um desafio”. Isabela Oliveira, 29 anos, moradora do Morro do Timbau e agente de mobilização ambiental do Tecendo Soluções.

“A possibilidade de trabalhar com soluções baseadas na natureza e território de favela parece que é um desafio que me motiva a ser do Tecendo Soluções. É uma vitória aproximar a favela da natureza novamente”, William Moura, 26 anos, morador do Parque Maré e agente de mobilização ambiental do Tecendo Soluções.

“É um prazer sair do individual e ir para o coletivo. O projeto traz algumas propostas que vão para o meu cotidiano e fala sobre questões socioambientais, racismo ambiental e sobre o lugar da cidade. Discutimos as situações e não ficamos apenas na fala, mas vamos para o fazer”, Sara Cardoso, 26 anos, moradora de Ramos e agente de mobilização ambiental do Tecendo Soluções.

EQUIPE

Coordenação geral do projeto
Rian de Queiroz

Responsável pela gestão
Everton Pereira

Coordenação de mobilização
Vitória Belarmino

Coordenação de comunicação
Bárbara Diniz

Coordenação de implementação de SBNs
Mari Anna Firmino

Coordenação de formação
Clara Trevia
João Sousa e Silva

Coordenação do diagnóstico
Danilo Sato

Assistente de coordenação
Gabriela Conc

Pesquisador do diagnóstico
Dalcio Marinho

Pesquisadora assistente do diagnóstico
Maria Ribeiro

Analista de dados
Juliana Guedes

Educadores ambientais – PermaLab
João Marcelo
Juliana Sá

Mobilizadores
Anne Loise Cruz da Silva
Ingrid Juvenal e Silva
Isabela de Oliveira da Silva
João Pedro Nunes Pereira Gouveia
João Pedro Xavier Gomes
João Sousa e Silva
Lucas de Souza da Silva
Maya Alves Rodrigues
Sara Cardoso Pinheiro
Wilian de Moura da Silva
Yolanda Gabriela de Souza da Silva

PARCEIROS APOIADORES

Programa Cidades Verdes Resilientes

Periferia Viva

Periferia Sem Risco

SBN nas Periferias

Ministério das Cidades

 

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