Nossa atuação segue três diretrizes: ampliar a articulação em rede para a defesa dos direitos sexuais e reprodutivos na Maré; fortalecer o debate público sobre direitos sexuais e reprodutivos na favela; e aumentar a influência sobre os tomadores de decisão na pauta dos direitos sexuais e reprodutivos.
Para alcançar esses objetivos, o projeto realiza atividades de produção de conhecimento (pesquisas), mobilização territorial e incidência política. São ações diretas junto às mulheres da Maré para colher e disseminar informações e construir estratégias que qualifiquem políticas públicas e serviços de saúde locais, a partir das experiências das moradoras.
As ações incluem atividades, como cinedebates, sessões de jogos e rodas de conversa com as mulheres atendidas pelos diversos projetos da Casa das Mulheres da Maré e outros projetos da Redes da Maré, além de moradoras, em geral nas campanhas e pesquisas. Partindo de suas experiências e demandas específicas, são orientadas as pautas e prioridades do projeto.
Dialogamos, também, com profissionais de saúde e educação que atuam na Maré para identificar as lacunas institucionais e de infraestrutura que eles enfrentam no atendimento a demandas de saúde sexual e reprodutiva.
Em escolas da Maré, oferecemos a estudantes de ensino médio oficinas quinzenais que utilizam metodologias lúdicas, com imagens, vídeos, jogos e conversas que visam estimular a reflexão, levar informações de qualidade e dirimir dúvidas sobre direitos sexuais e reprodutivos.

A Onda Verde representa a luta pela legalização do aborto na América Latina. Na Argentina, após 15 anos de campanha, o aborto foi legalizado em 2020, em meio à ocupação das ruas por milhares de mulheres com um lenço verde no corpo, que se tornou um símbolo de resistência e luta pelo direito ao aborto. Desde então, o movimento inspira outros países da região.

Pesquisa Saúde Reprodutiva Maré 2024
Em 2023, para entender, de forma mais profunda e detalhada a cena em que estávamos inseridos e as demandas do território, a Redes da Maré começou a produzir uma pesquisa, publicada em 2024, sobre justiça reprodutiva em um território de favelas, a Maré, o maior conjunto de favelas do Rio de Janeiro, onde habitam cerca de 140 mil pessoas (Redes da Maré, 2019). A pesquisa, inédita em territórios de favela, contou com uma fase qualitativa, que utilizou a metodologia de mobilização comunitária da Redes da Maré, e outra quantitativa, que replicou a metodologia da Pesquisa Nacional do Aborto, em parceria com o Instituto Anis de Bioética.
A pesquisa “Saúde sexual e reprodutiva: o que dizem as mulheres da Maré” é um marco para desmistificar o olhar preconceituoso sobre as mulheres da favela, que faz supor que elas são descuidadas ou não possuem clareza em relação, por exemplo, ao uso de contraceptivos. Na realidade, as mulheres faveladas, vulnerabilizadas por sua condição racial e periférica, são prejudicadas por negligências graves no campo da saúde integral, desde os primeiros anos de suas vidas sexuais.
Para mapear as condições da saúde sexual e reprodutiva da mulher moradora da Maré, elaboramos o estudo em duas frentes. A primeira, de cunho quantitativo sobre o fenômeno do aborto, foi realizada com 504 mulheres de 18 a 39 anos. A segunda frente, qualitativa, delimitou grupos focais e 34 entrevistas com mulheres maiores de 18 anos, todas moradoras da Maré.
Nas entrevistas foram ouvidas mulheres cis e pessoas trans. Os resultados evidenciam uma série de barreiras estruturais e sistêmicas de acesso a direitos - seja por déficits e lacunas de políticas públicas em saúde, seja por determinantes culturais, socioeconômicos, normativos e patriarcais - que produzem e reproduzem a injustiça reprodutiva nas mulheres da Maré. Os dados sistematizados nessa pesquisa representam, portanto, um avanço para subsidiar ações de saúde pública para mulheres moradoras de territórios de favelas.

Leia as cartilhas do Projeto Onda verde
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Fotos 01 e 02: Roda de conversa sobre pobreza menstrual, realizada pela Frente de Direitos Sexuais e Reprodutivos da Casa das Mulheres ("MARÉAS") com alunos do preparatório para o Ensino Médio, na sede da Redes da Maré.

A Casa das Mulheres da Maré mobiliza e se articula com lideranças da Maré, escolas e unidades de saúde do território para fazer avançar o debate sobre justiça reprodutiva. Esta frente envolve:


Oficinas sobre gênero e sexualidade nas escolas
Realização de oficinas sobre gênero e sexualidade nas escolas com estudantes do ensino médio de escolas da Maré em parceria com a Escola de Serviço Social da UFRJ, com objetivo de ampliar o acesso a informações de qualidade e criar espaços contínuos de conversa, escuta e acolhimento dentro das escolas. Nesses encontros, são discutidos temas como saúde, cuidado, prazer e dignidade. A abordagem é feita de forma lúdica e participativa, tratando de assuntos como estereótipos e identidade de gênero, diversidade sexual, relacionamentos, violência, afetos e saúde sexual e reprodutiva, sempre considerando questões de gênero, raça, idade e território.
Ação e saberes locais
A partir da produção de conhecimento sobre o território, da mobilização comunitária, da formação continuada e do diálogo com instituições, buscamos dar visibilidade às experiências e demandas das mulheres da Maré e ampliar a conversa pública sobre justiça reprodutiva.
Acreditamos que políticas eficazes e inclusivas precisam nascer das realidades locais e ser construídas junto com as pessoas que vivem essas questões. Por isso, é fundamental fortalecer as conexões entre organizações da sociedade civil, universidades, órgãos públicos e moradoras, transformando dados e vivências em ações que garantam cuidado, autonomia e dignidade reprodutiva para as favelas.
Coordenação do projeto: Myllenne Fortunato
Pesquisa, educação e articulação: Carla de Castro Gomes
Pesquisa, educação e articulação: Brenda Vitória
Articulação de projetos: Andreza Dionisio
Incidência política: Milena Afonso
Incidência política: Moniza Rizzini
Comunicação: Andrea Blum
Supervisão institucional: Maïra Gabriel Anhorn
Gestão financeira: Ivanise Barbosa
Anis - Justiça reprodutiva, Cidadania, Direitos Humanos e Igualdade
Cepia - Cidadania, Pesquisa, Estudo, Informação e Ação
Dijure - Diálogos sobre Justiça Reprodutiva, desenvolvido pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) em parceria com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - Instituto Três Rios/UFRRJ/ITR e a Universidade Federal Fluminense/UFF)
Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ESS-UFRJ)
Rede de Assistentes Sociais Pelo Direito de Decidir (RASPDD)
Email: casadasmulheres@redesdamare.org.br
WhatsApp da Redes da Maré: (21) 99924-6462
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As imagens veiculadas neste site tem como objetivo divulgar as ações realizadas para fins institucionais. Entendemos que todas as fotos e vídeos têm o consentimento tácito das pessoas aqui fotografadas / filmadas, mas caso haja alguém que não esteja de acordo, pedimos que, por favor, entre em contato com a Redes da Maré para a remoção da mesma (redes@redesdamare.org.br).