O evento vai reunir os principais nomes do diálogo sobre a Segurança Pública em oito mesas de debate e grupos de trabalho, incluindo especialistas e ativistas internacionais
Geração cidadã de dados, arquitetura forense, impactos humanos e ambientais da guerra às drogas e violência de Estado em diferentes partes do mundo estarão em debate
A Redes da Maré, organização de base comunitária com atuação há mais de duas décadas no Conjunto de Favelas da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, realiza, de 23 a 25 de março de 2026, o 3º Congresso Internacional Falando Sobre Segurança Pública na Maré, que este ano tem como tema A geração cidadã de dados e a participação da sociedade civil na construção de estratégias de efetivação do direito à segurança pública. O evento é gratuito e aberto ao público, mediante inscrições AQUI.
Serão três dias de encontros na Areninha Cultural Herbert Vianna, na Maré, reunindo os principais nomes do diálogo sobre a segurança pública no Rio de Janeiro, em oito mesas de debate e grupos de trabalho. O evento inclui especialistas e ativistas internacionais, para apresentar reflexões conjuntas, propostas e pesquisas sobre o tema, que este ano, por conta das eleições, está ainda mais em evidência. Esta edição do congresso é uma realização da Redes da Maré em parceria com o Projeto InfoCitizen, da Universidade de Antuérpia, na Bélgica, a Cátedra Patrícia Acioli do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Instituto Galo do Amanhã e a Open Society Foundations.
Na mesma semana, nos dias 26 e 27 de março, o Projeto InfoCitizen realiza a Conferência Produzindo Dados Tornando Experiências Visíveis: Práticas de Quantificação e Intercâmbios Metodológicos Sul-Norte, na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Redes da Maré, Geni/UFF e a própria Fiocruz. Veja a programação completa aqui.
Desde sua primeira edição, em 2022, o congresso tem como objetivo articular diálogos sobre estratégias de enfrentamento às violências, entendendo que o direito à segurança pública em favelas e periferias do Brasil precisa ser garantido e construído de forma multidimensional e em diferentes escalas, envolvendo todos os segmentos da sociedade civil e representantes do poder público. Desta vez, a intenção é destacar também a importância da geração cidadã de dados sobre segurança e violência realizada por organizações da sociedade civil, com propósito de embasar discussões e incidir em políticas públicas.
Durante o congresso, a Redes da Maré vai lançar a nova edição do “Boletim Direito à Segurança Pública na Maré – dados 2025", com a série histórica de dez anos de monitoramento de dados de confrontos dos grupos civis armados e de operações policiais no território. Leia aqui a publicação.
Os números compilados de 2016 a 2025 são resultado do acompanhamento local de violências e violações pelo projeto De Olho na Maré, realizado pelo Eixo Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça, da Redes da Maré.
A equipe do projeto vai apresentar, durante o congresso, todos os números e análises dessa década de monitoramento e a metodologia do trabalho numa mesa inteiramente dedicada ao tema, intitulada De Olho na Maré: 10 anos de produção de dados in loco sobre segurança pública.
A conferência A relevância da geração cidadã de dados para a construção de políticas públicas no âmbito do direito à segurança pública marcará a abertura do congresso, na noite de 23 de março, reunindo representantes das principais instituições envolvidas nos debates sobre segurança pública no país.
Estarão na Maré Julita Lemgruber (CESeC), Cecília Olliveira (Fogo Cruzado), Carolina Grillo (Geni/UFF), Leonardo Melo (Cátedra Patrícia Acioli/UFRJ), Samira Bueno (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) e Moisés Kopper (InfoCitizen/Universidade da Antuérpia), numa conversa mediada por Tainá Alvarenga, coordenadora do Eixo Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça da Redes da Maré.
“Vamos reunir pesquisadores, moradores e as principais organizações e seus representantes para fazer uma leitura da conjuntura da segurança pública no país, destacando a importância do trabalho da geração cidadã de dados para o aprofundamento de discussões e avanços nas mudanças que tanto desejamos ver no acesso à justiça de fato e no direito pleno para quem vive nas favelas e periferias" , diz Tainá Alvarenga.
Outro destaque do congresso é a construção coletiva de propostas para a segurança pública, a partir da visão dos territórios mais afetados pela violência, seja de grupos civis armados ou da polícia.
Serão conversas sobre direitos humanos, justiça social e proteção à vida, organizadas em quatro Grupos de Trabalho (GTs), com o objetivo de refletir sobre temas urgentes e encaminhar proposições ao poder público como forma de incidir politicamente:
Temas atuais da segurança pública no Brasil e no cenário internacional também estarão presentes nas demais mesas de debate (veja programação completa abaixo).
Entre os destaques estão a Arquitetura Forense como instrumento de análise e produção de evidências para documentação de violências e violações no contexto da violência armada, a partir de casos concretos vividos no Irã e na Maré; os impactos humanos e ambientais da guerra às drogas, com apresentação de estudos recentes como o projeto “Intersecção” da plataforma Sinal de Fumaça, coordenado por Rebeca Lerer, e participação de pesquisadores como Luiz Eduardo Soares (Cátedra Patricia Acioli) e João Victor Cruz (De Olho na Quebrada); comparações entre conflitos armados e violência de Estado na América, África e Oriente Médio, com participação de especialistas da Bélgica, dos Estados Unidos e da Colômbia; e ainda o papel da mídia nos debates sobre segurança pública e direitos humanos, tendo os jornalistas Bernardo Mello Franco (O Globo) e Thais Bilenky (Podcast A Hora UOL) como debatedores ao lado da queniana Nanjala Nyabola, ativista e analista política ligada à Universidade de Stanford, nos EUA, e do comunicador Raull Santiago, do Instituto Papo Reto.
Como prévia do evento, na tarde do dia 23 de março, acontece também a 3ª edição do Congresso Internacional Falando Sobre Segurança Pública com Crianças e Adolescentes na Maré, que vai mobilizar meninas, meninos e jovens, além de mães, pais e responsáveis, na conversa sobre as violências que permeiam o dia a dia de moradores da Maré e a busca pela efetivação de direitos dessa população, desde a Primeira Infância.
Serão as próprias crianças e adolescentes que estarão à frente das atividades, que vão culminar na realização de um fanzine, com o objetivo de refletir os debates e as demandas do grupo.
Para fortalecer ainda mais o debate sobre segurança pública, logo após o congresso, o tema desta edição também será desdobrado num evento organizado pelo Projeto Infocitzen, da Universidade de Antuérpia, na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Redes da Maré, Geni/UFF e a própria Fiocruz.
A conferência Produzindo Dados Tornando Experiências Visíveis: Práticas de Quantificação e Intercâmbios Metodológicos Sul-Norte acontece nos dias 26 e 27 de março, para promover diálogos comparativos sobre governança de dados, quantificação participativa, visualização e produção de evidências para políticas e controle social, com convidados e pesquisadores do Brasil e de fora.
O Infocitzen é um projeto da universidade belga que combina etnografia, história e humanidades digitais para investigar como os coletivos engajam dados para negociar pertencimento sociopolítico e influenciar políticas.
O evento também é gratuito e contará com transmissão pelo YouTube da Fiocruz. Veja a programação completa.
SERVIÇO:
Evento: 3º Congresso Internacional Falando Sobre Segurança Pública na Maré - A geração cidadã de dados e a participação da sociedade civil na construção de estratégias de efetivação do direito à segurança pública.
Data: de 23 a 25 de março de 2026
Local: Areninha Cultural Herbert Vianna. Endereço: Rua Ivanildo Alves s/n - Maré, Rio de Janeiro, Brasil
Entrada gratuita.
Dia 23/03/2026, segunda-feira
14h: 3º Congresso Falando Sobre Segurança Pública com Crianças e Adolescentes na Maré
Evento para rede parceira, sem inscrição prévia.
18h: Credenciamento e coffee break
18h30: Conferência de abertura - A relevância da geração cidadã de dados para a construção de políticas públicas no âmbito do direito à segurança pública
Carolina Grillo – GENI/UFF
Cecília Olliveira – Fogo Cruzado
Leonardo Melo - Cátedra Patrícia Acioli da UFRJ
Moisés Kopper - InfoCitizen da Universidade a Antuérpia (Bélgica)
Julita Lemgruber – CESeC
Samira Bueno – Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Mediação: Tainá Alvarenga – Redes da Maré
Dia 24/03/2026, terça-feira
8h30: Credenciamento e coffee break
9h: Mesa - Lançamento do Boletim Direito à Segurança Pública na Maré – 10 anos de Produção de Conhecimento e e Apresentação da Nota Técnica sobre as barreiras de Acesso à Justiça: parceria entre o Núcleo de Direitos Humanos (Direito da PUC Rio ) + Redes da Maré
Luiz Carlos Junior, Lucilda Cavalcante e Aristênio Gomes - Equipe De Olho na Maré - Redes da Maré
Fernanda Pradal - PUC-Rio
Marcela Cardoso e Moniza Rizzini - Redes da Maré
Mediação: Samira Bueno – Fórum Brasileiro de Segurança Pública
10h: Mesa - A arquitetura Forense no Acesso à Verdade, Memória e Reparação: metodologias de Investigação Espacial e Visual
Paula Marujo - Agência Autônoma
Ashkan Cheheltan (Irã) – Forensic Architecture (Reino Unido)
Flavia Palladino - Projeto Mirante
Mediação: Carolina Leite – Projeto Mirante
11h30: Mesa - Conflitos Armados e Violência de Estado em Perspectiva Comparada: América, África e Oriente Médio
Shayma Nader Albess (Palestina) – UAntwerp (Bélgica)
Stephanie Savell (EUA) - Universidade de Brown (EUA)
John Erick Caicedo Angulo (Colômbia) – Cormepaz Buenaventura (Colômbia)
Mediação: Nicholas Barnes (EUA) - Universidade de St. Andrews (EUA)
13h: Intervalo para o almoço
14h30: Grupo de Trabalhos – Incidência em Políticas Públicas
GT 1 – Combate à violência de gênero e ao feminicídio em favelas
GT 2 – Cuidados em saúde mental para vítimas de violência de Estado e profissionais da agenda de Direitos Humanos
GT 3 – Perícias e Sistema de Justiça: A Chacina da Penha e Alemão
GT 4 – Sistema Socioeducativo: justiça racial e juventude negra
16h30: Mesa - Violência e Interseccionalidades: gênero, raça e território
Francisco Silva - CEDIPA / FIOCRUZ
Fernanda Telles - Empreendedora na Maré
Luna Ribeiro - Justiça Global
Muna AnNisa Aikins (Quênia) - Each One Teach One (Alemanha)
Mediação: Lia Maria Manso Siqueira - Redes da Maré
Dia 25/03/2026, quarta-feira
8h30: Credenciamento
09h30: Mesa - Conhecimento em disputa: produção cidadã, território e segurança pública
Thaís Cruz - IESP-UERJ / WikiFavelas / InfoCitizen
Bruno Sousa - Decodifica
Lidiane Malanquini - Redes da Maré
Pablo Nunes - CESeC
Carlos Nhanga - Fogo Cruzado
Mediação: Liliane Santos - Redes da Maré
11h: Mesa - Guerra às drogas, controle territorial e impactos humanos e ambientais
João Victor Cruz - UNAS/De Olho na Quebrada
Rebeca Lerer - Sinal de Fumaça / Intersecção
Juan S. Fernández (Colômbia) - INSPER
Ingri Bøe Buer (Noruega) - Universidade de Manchester (Reino Unido)
Luiz Eduardo Soares - Cátedra Patrícia Acioli da UFRJ
Mediação: Aristênio Gomes - Redes da Maré
13h: Intervalo para o almoço
14h30: Mesa - A Democracia em jogo no mundo: o papel da mídia nos debates sobre segurança pública e Direitos Humanos
Nanjala Nyabola (Quênia) - Stanford University (EUA)
Bernardo Mello Franco (O Globo)
Thais Bilenky – Podcast A Hora UOL
Raull Santiago - Instituto Papo Reto
Mediação: Jéssica Pires - Redes da Maré
16h30: Encerramento – Encontro Cultural
Andrea Blum
+55 21 98105-9338 | andreablum@redesdamare.org.br
Adriana Pavlova
+55 21 99517-5755 | adrianapavlova@redesdamare.org.br

Data: 26 e 27 de março de 2026
Local: Fiocruz
Endereço: Auditório Bio-Manguinhos – Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil
Entrada gratuita
Dia 26/03/2026, quinta-feira
8h30: Credenciamento
9h: Abertura institucional
Eliana Sousa Silva / Luna Arouca - Redes da Maré
Carolina Grillo - GENI/UFF
Moisés Kopper - InfoCitizen
Alexandre Camargo - Fiocruz
10h: Lançamento do Policy Report e do livro Numbers in Action
Fala inspiradora de Nanjala Nyabola - Universidade de Stanford (EUA)
Mediação: Moisés Kopper - InfoCitizen
11h30: Intervalo para almoço
13h: Painel 1 - Política na métrica: interseções top-down/bottom-up e ativismos expertos na produção institucional de dados étnico-raciais
Gisele Brito - Peregum
Marta Antunes - IBGE
Muna AnNisa Aikins - Afrozensus
Susana Neves e Catia Nunes - INE, Portugal
Mediação: Daniela Linkevicius - InfoCitizen
14h30: Intervalo para café
15h: Painel 2 - Métrica na política: como os números entram (e disputam) a ação pública
Catarina Reis Oliveira - ISCSP-ULisboa
Cristiane D’Ávila - Fiocruz
Dálcio Marinho - Redes da Maré
Letícia Giannella - IBGE
Mediação: Alexandre Camargo - Fiocruz
Dia 27/03/2026, sexta-feira
8h30: Credenciamento
9h00: Painel 3 - A poética dos dados: arte, lúdico e método
John Erick Caicedo Angulo - Cormepaz, Colômbia
João Vitor Cruz - UNAS Heliópolis, Brasil
Njeri Mwangi - Pawa254, Quênia
Shaymaa N J - Albess, Palestina
Mediação: Jeffrey W. Rubin - Universidade de Boston
10h30: Painel 4 - Ativismos de dados: conflito, resistência e produção de evidências
Ali Abusheikh - We Are Not Numbers, Palestina
Ashkan Cheheltan - Forensic Architecture, Reino Unido
Tainá Alvarenga - Redes da Maré, Brasil
Wilfred Olal Madigo - The Social Justice Movement, Quênia
Mediação: Aluízio Marino - InfoCitizen
12h: Intervalo para almoço
13h: Painel 5 - Desafiando narrativas: participação, incidência cidadã em dados e impacto social
Marisa Villi - Rede de Conhecimento Social, Brasil
Mary Ndunge Nzilani - Africa Voices Foundation, Quênia
Phillip Ayazika - Pollicy, Uganda
Polinho Mota - Rede de Geração Cidadã de Dados, Brasil
Mediação: Bryan Giemza - Universidade Texas Tech
14h30: Fala inspiradora de Stephanie Savell (palestra magna), Universidade de Brown, EUA
Mediação: Moisés Kopper - InfoCitizen
16h: Café de encerramento
Mais informações | InfoCitizen
Maria Paula Nunez Beingolea | Maria.NunezBeingolea@student.uantwerpen.be
Aluízio Marino | aluizio.marino@uantwerpen.be
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